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Sem Uma Canção...


O que se segue são citações sobre o talento vocal e a voz de Elvis. E foi a cantora soprano que trabalhou durante 7 anos com Elvis, Kathy Westmoreland, que nos chamou a atenção para o site onde estavam, dizendo:

“Este é apenas o início de tudo o que se deve ler para todos os que estiverem interessados em talvez documentar a grandeza vocal de Elvis, acrescentada ao seu génio musical, e como ele mudou as nossas vidas do ponto de vista social e cultural. Irei publicitar isto ainda mais umas vezes, com a esperança de que alguém... talvez você, ajude a dar-lhe o lugar digno e adequado que ele merece nos nossos livros históricos. Foi a Betty Albrecht que nos enviou esta ligação. Para todos os interessados em conhecer o Génio Vocal de Elvis, leiam isto. São citações da autoria de peritos vocais, pessoas que sabem do que estão a falar. Também há umas poucas da autoria de alguns pares de Elvis. E ainda outras provenientes da indústria musical. Apreciem.” - Kathy Westmoreland.

(Sobre o seu estilo musical e impacto enquanto vocalista)

Abaixo incluídos estão comentários atualmente disponíveis quer na internet, em guias de referência, enciclopédias, ou livros, feitos por editores musicais, produtores e compositores; presidentes de empresas discográficas; críticos de teatro; professores de música, editores e comentadores; engenheiros de som; músicos dos campos Clássico, Pop, Blues, Gospel, R&B, Soul, Rock, Country & Western e Latino-Americanos; e escritores nas áreas das Humanidades, Artes, assim como Sociais, Raciais e Literacidade, Lei de Direitos de Autor e outros estudos relacionados.

“Elvis Presley tem sido normalmente descrito como barítono e tenor. Um compasso extraordinário – o chamado registo – e um leque vocal com uma amplitude muito vasta tem algo a ver com esta divergência de opinião. A voz cobre duas oitavas e um terço, desde o Sol grave de um barítono até ao Si agudo de um tenor, com uma extensão em ascensão de falsete que chega, pelo menos, a um Ré bemol. A melhor oitava de Presley situa-se no meio, de Ré bemol a Ré bemol, concedendo um passo adicional para cima ou para baixo. Chamemos-lhe um barítono de voz aguda. Em It’s Now or Never (1960), ele termina com uma cadência vocal total (Lá-Sol-Fá), que não tem nada a ver com as exibições vocais do Rhythm and Blues e do Country. Aquela nota em Lá é atingida de forma total, e é apresentada de forma menos espantosa em várias outras faixas apenas porque ele prefere utilizar Si’s bemol mais fáceis e precisos. Além do mais, ele nunca se confinou a um único tipo de produção vocal. Em canções de baladas e country ele solta agudos em Sol e Lá que alguns cantores barítonos de ópera poderão invejar. Ele é um estilista naturalmente assimilativo com uma multiplicidade de vozes – de facto, Elvis é uma voz extraordinária, ou muitas vozes extraordinárias.”
- Henry Pleasants, no seu livro The Great American Popular Singers, 1974

“Suponho que teríamos de lhe chamar um barítono lírico, se bem que com notas excecionalmente elevadas e uns inesperados tons graves e ricos. Mas o que é mais importante em Elvis Presley não é o seu leque vocal, nem o quão alto ou baixo pode chegar, mas onde fica o seu centro de gravidade. Por essa medida, Elvis era ao mesmo tempo um tenor, um barítono e um baixo, a voz mais invulgar que já ouvi.”
- Gregory Sandows, professor de música na Universidade de Columbia, como publicado em The Village Voice.

“Estou a lembrar-me de um comentário feito pouco depois da morte de Elvis Presley por um músico com quem ele tinha trabalhado. Ele salientou que apesar de uma amplitude vocal impressionante de duas oitavas e meia e algo que se aproximava do tom perfeito, Elvis sentia-se perfeitamente à vontade a cantar desafinado quando achava que a canção assim o exigia. E essas notas desafinadas eram arte.”

- Patrick H. Adkins, The Dreams Vaults of Opar.

“Ele ficou ainda com mais maturidade na voz assim que ficou mais velho; muitas vezes me impressionava com a sua amplitude vocal, tal como um cantor só pode a ouvir outro cantor. Ele era capaz de cantar qualquer coisa. Nunca tinha visto semelhante versatilidade e, de facto, nem hoje consigo vê-la. Normalmente uma voz consegue cantar de uma maneira, mas ele tinha uma capacidade que até me ajudou a aprender sobre a importância da comunicação com um público. Ele tinha uma alma enorme. Tinha a capacidade de fazer toda a gente no público pensar que estava a cantar diretamente para eles. Tinha uma forma de comunicar que era totalmente única.”
- Tenor de gospel, Shawn Nielsen, que apoiou gravações de Presley tanto com os Imperials como com o grupo chamado Voice, no estúdio e ao vivo, desde o final dos anos 60 até à morte de Presley em 1977.

“Presley trouxe uma excitação para o canto, em parte porque o rock and roll foi acolhido como sendo sua invenção, mas por outros motivos sobre os quais não se reflete tanto: Elvis Presley tinha a voz de canto mais bela de qualquer ser humano sobre a terra.”

- William F. Buckley, Jr., no seu artigo, The Crooner, R.I.P.: Perry Como and the Casual Mode, publicado na National Review em 11 de junho de 2001.

“Provavelmente ele seria considerado um barítono, mas era capaz de alcançar notas que a maior parte dos barítonos não consegue. Muitas das suas capacidades emanavam de um desejo muito intenso de executar uma canção como queria, o que queria dizer que na realidade ele cantava mais alto do que normalmente seria capaz de fazer. Quando a adrenalina está a disparar e a canção é muito entusiasmante, pode-se chegar aquele modo em que na realidade se consegue fazer coisas do ponto de vista vocal que normalmente não seríamos capazes. Então, ele tinha um tremendo leque vocal devido ao seu desejo de se ultrapassar e ser melhor, e é por isso que ele conseguia fazer muitas mais coisas que a maior parte das pessoas não é capaz.”

- Terry Blackwood, cantor principal do grupo de gospel, os Imperials.

“As primeiras esperanças de Elvis numa carreira musical envolviam cantar num quarteto masculino de música gospel. A sua posição favorita era de barítono baixo e ele mesmo tinha uma amplitude vocal de 3 oitavas... No entanto, para surpresa da posteridade, semelhante superlativo e talento natural magnético permaneceu sempre humilde – talvez demasiado humilde para se manter a atuar para sempre.”

- Crítica da IMDb à sua apresentação no programa televisivo de Frank Sinatra de 1960, Welcome Home Elvis.

“O jovem Elvis Presley, sem qualquer dúvida.”

- Foi esta a resposta da principal estrela de ópera e soprano da Nova Zelândia, Kiri Te Kanawa ao anfitrião de programas do Reino Unido, Michael Parkinson (que provavelmente estava à espera que ela dissesse Luciano Pavarotti ou Maria Callas), quando lhe perguntou qual era a voz mais incrível que ela já tinha ouvido (conforme publicado no site blabbermouth.net, em 3 de janeiro de 2007).

“As pessoas vão frequentemente dizer que os cantores de ópera têm um som muito rígido e operático quando cantam música contemporânea. Isto deve-se ao facto das vogais, num modo operático, terem tendência a ser cantadas de forma mais aberta, ao passo que no estilo das estrelas de rock as vogais tendem a ser mais fechadas. Não há nada de errado e tudo está certo, ao abrir as vogais nos registos mais agudos para que as notas mais altas consigam ser sustidas. Elvis Presley era muito aberto no seu estilo a cantar, muito embora ele fosse ‘o’ rock and roller.”

- Brian Gilbertson, famoso professor no mundo sobre voz.

“Com o resto dos Deep Purple, uma vez tive a oportunidade de conhecer Elvis. Para um jovem cantor como eu, ele era uma absoluta inspiração. Absorvia o que ele fazia como uma esponja. É o mesmo que estar na escola – aprendemos ao copiar o maestro. A sua personalidade era também extremamente atraente, as suas entrevistas eram muito auto apagadas (e) ele sobressaía como amável e era generoso nos elogios que fazia aos outros. Ele tinha uma capacidade natural e técnica, mas havia algo na humanidade da sua voz e na forma como cantava. Aqueles primeiros discos pela Sun Records ainda são incríveis e o motivo é simples: ele foi o maior cantor que alguma vez viveu.”

- Vocalista e representante dos Deep Purple, Ian Gillan, entrevistado pela revista Classic Rock, explicando porque motivo Presley pertence à lista dos ícones do rock (conforme publicado no site blabbermouth.net, em 3 de janeiro de 2007).

“Mas era nas canções de gospel, tal como na espantosa How Great Thou Art (1977), que Presley exibia o espantoso poder da sua voz. O facto de ele ser uma das melhores vozes da música popular tem sido obscurecido pela mística que sempre o rodeou.”
- Steve Millburgh, escrevendo para o Omaha World Herald, sobre um dos últimos concertos de Presley, em 19 de junho de 1977.

“Ele foi o cantor de rock and roll mais bem sucedido do ponto de vista comercial, mas ele também teve sucesso com baladas, country, gospel, blues, pop, folk e até mesmo músicas semi operáticas e de jazz. A sua voz, que se desenvolveu em muitas vozes enquanto a sua carreira progredia, teve sempre uma tonalidade única e um extraordinariamente invulgar centro de gravidade, levando à sua capacidade de conseguir cantar um vasto leque de canções e melodias que seria praticamente impossível de alcançar para a maior parte dos outros cantores populares.”

- A breve mais concisa forma da Wikipedia descrever a voz de Presley e os seus antecedentes musicais.

“Não houve modelo para o sucesso de Elvis Presley; o que o proprietário da Sun Records, Sam Phillips, sentiu foi algo no vento, um crescimento inevitável que ultrapassava todos os discos de country e blues que estava a gravar no seu estúdio da Union Avenue; Presley entra lá em 1954, trazendo-lhe um vocabulário musical rico em country, country blues, gospel, música inspiracional, bluegrass, country tradicional e música popular – assim como uma montanha de necessidades emocionais que encontravam a sua expressão mais eloquente numa canção; o seu timing era impecável, não só como vocalista, mas no que dizia respeito ao zeitgeist cultural: emergindo no primeiro desabrochar da ebuliência do pós guerra da América, Presley captou o espírito de um país a fletir o seu músculo industrial, de uma geração sem os fardos da preocupação da guerra, mais jovens, mais móveis, mais afluentes e mais bem educados do que alguma vez haviam sido antes; (como tal), as gravações da Sun foram os primeiros salvos de uma guerra não declarada sobre as estações de rádio segregadas do país inteiro.”

- Revista Rolling Stone, focando-se sobre a importância das gravações de Elvis sob a etiqueta da Sun Records.

“Em 1956, até mesmo o mais jovem dos seus fãs sabia que o Elvis Presley de 21 anos tinha de forma inquestionável o pacote completo; e, obviamente, a sua fantástica terceira oitava de tenor, com um registo mais grave semelhante ao de um baixo, parecia vibrar na escala interior de cada adolescente na América; adoravam o tenor de voz aguda, mas quando ele ‘descia’ com aquele registo mais grave, os fãs explodiam; Elvis traduziu isto tudo nos movimentos que fazia sobre o palco, por isso tudo aquilo era um assalto aos sentidos.”

- Estudo da Sugarpi Productions sobre Elvis Presley, conforme publicado em clay’s.daily.double.com.

 

“Estou em dívida para com Scott W. Johnson, meu colega do Claremont Institute, por muitas coisas que fez por mim ao longo dos anos, mas nenhuma delas se classifica tão alta como ter-me ‘apresentado’ a Elvis Presley. Cheguei aquela idade (isto é, cheguei ao 9º ano), mesmo a tempo de assistir à ‘Invasão Britânica’ e, apesar das minhas recordações de infância, em breve comecei a pensar nele como o impasse supremo; então, fiquei muito espantado quando o John me disse, há um ou dois anos, que na sua opinião Elvis Presley era o melhor vocalista do século vinte; nunca tinha pensado nele dessa forma, para ser sincero, mas essa conversa fez-me aperceber que nunca tinha realmente ‘escutado’ com atenção; a partir de então comecei a fazê-lo – com a ajuda da enciclopédia da coleção musical de Scott – por isso, se alguma vez não deixaram de pensar em Elvis como uma figura de banda desenhada, façam um favor a vocês mesmos e ‘escutem’.”

- John H. Hinderaker, do Claremont Institute, um licenciado da Harvard Law School e perito em temas de política pública, incluindo rendimentos e raças, conforme publicado em power.line, em 9 de janeiro de 2007.

“Com Elvis, tinha-se tudo; está tudo ali, naquela voz e naquele corpo elásticos. Enquanto ele mudou de figura, também o mundo mudou. As suas últimas atuações apresentam uma voz ainda maior do que a sua barriga, em que choramos lágrimas verdadeiras enquanto o messias da música canta com o seu coração cansado, transformando um casino num templo. Acho que o período de Vegas é subestimado. Acho que é o período mais emocional. Naquele ponto é claro que Elvis não estava a controlar a sua própria vida, e existe este pathos incrível. Aquela voz grande e operática dos últimos anos – essa é aquela que realmente me consegue magoar.”

- Cantor principal dos U2, Bono, para a revista Rolling Stone, conforme publicado na sua edição de 15 de abril de 2004.

“O talento de Elvis Presley como artista musical foi completamente avassalado; a sua voz, por outro lado, era extraordinária pela sua qualidade, amplitude e poder, assim como era um artista único sobre o palco com capacidades instintivas naturais em ambas áreas; era o mestre de uma vasta e diversa gama de estilos vocais e efeitos ventriloquos, desde o tenor claro dos seus heróis de Country & Western, até ao vibrato dos cantores de música Gospel que adorava, a sua voz possuía invariavelmente uma sinceridade dorida e uma qualidade indefinível de desejo praticamente impossível de descrever.”

- Retirado do jornal do Departamento Americano do Interior, sobre critérios de grandeza como vocalista que, juntamente com todos os aspetos da sua vida e legado, levaram à inclusão do seu lar, Graceland, no Registo Nacional de Locais Históricos, em 2006.

“Blues, country, pop, rock and roll, gospel e muito mais, este homem podia cantar qualquer coisa. Desde as sessões de rockabilly nos estúdios da Sun, passando por Wooden Heart, até à mais recente Burning Love, Elvis provou que tinha as capacidades como vocalista que poucos têm ou alguma vez virão a ter.”

- Rob Jones, musicologista canadiano, conforme escreveu em Helium: Where Knowledge Rules.
 

 

“Elvis amava a música gospel, cresceu a ouvi-la e ele sabia mesmo do que falava. Fazíamos uma jam com ele durante uma hora e ele tinha um feeling por aquilo e sentia-se super feliz por ter quatro ‘irmãs da igreja’ a apoiá-los vocalmente; ele andava sempre a cantar gospel, de facto, quase tudo o que ele fazia tinha aquele sabor. Não nos podemos afastar daquilo que são as nossas raízes.” 

- Cantora de gospel, Cissy Houston, mãe de Whitney Houston, e um dos elementos fundadores das Sweet Inspirations, um dos grupos de gospel que apoiaram Elvis nos seus concertos ao vivo, desde 1969 até à sua morte, conforme contado a Jerry Helligar, numa entrevista publicada em True Believer, em classicwhitney.com, em 10 de agosto de 1998.

 “A melhor voz de todos os tempos.”

- O julgamento do painel de avaliadores da Revista Q sobre Elvis Presley, retirado de uma sondagem publicada na sua edição de 4 de março de 2007.
“Ensinei-lhe algumas letras em espanhol e ele aprendeu-as. Escrevia-as conforme eram cantadas para ele as ler (foneticamente). Ele era muito talentoso. Era uma música mexicana muito difícil.”

Manny Lopez, artista da RCA, conhecido como o Rei do Cha Cha Cha, explicando como, sob a sua tutelagem, Elvis cantou a canção tradicional mexicana, Guadalajara (1963) em espanhol, como um autêntico Mariachi, conforme publicado no The Desert Sun de Las Vegas, em 16 de março de 2007.
 “O que na realidade ele fez foi pegar na música ‘negra’ e ‘branca’ e transformá-las nesta terceira coisa; (em última análise), ninguém cantava tantos tipos diferentes de música – rock, gospel, country, popular – tão bem como Presley fazia, a um nível tão elevado de qualidade e durante tanto tempo.”

Greg Drew, famoso instrutor de voz, cujos clientes incluem Lenny Kravitz, Avril Lavigne e Corey Glover, conforme citado em The Great Innovators: Birth of a Rock Star, de Mike Brewster, publicado na Business Week na sua edição de 24 de setembro de 2004.
“Mesmo que Presley nunca tivesse cantado uma nota, talvez tivesse causado reboliço do mesmo modo, mas ele cantava. Êxitos como All Shook Up (1957) ou, por exemplo, Are You Lonesome Tonight (1960), ficaram a ser para sempre de Presley assim que ele lá colocou o seu cunho. As suas notas agudas tão alegres e o seu salto para aquele barítono sulista naquelas gravações são quase como espíritos a sair de um caldeirão. Elvis cantava baladas de forma romântica, depois gritava sem parar, sempre a despejar o coração numa letra de canção e numa melodia. Depois de Elvis, mais nenhum vocalista poderia limitar-se a cantar uma canção, especialmente no novo mundo do rock’n’roll. O ‘sentimento’ de uma interpretação ultrapassava de longe a perfeição do take.”

James Campion, no seu livro The 25 Most Influential Americans of the 20th Century, publicado em 1996.

“Na memória coletiva dos seus fãs, ele reina como o génio musical refinado que absorveu a multiplicidade de influências da música vernácula americana – gospel, country swing, rhythm’n’blues – e tornou-a sua; Bob Dylan, um dos poetas favoritos da pop, foi quem se exprimiu melhor: Elvis, disse ele, foi ‘o solitário incendiário atómico musical que conquistou o mundo ocidental.’”

Gwen Gibson, no seu artigo The Top 10 Pop Stars, Ever, publicado em na edição de maio de 2003 da AARP.

“A voz é tão melodiosa e, - claro, por casualidade, a sua voz gloriosa e sensibilidade musical foi combinada com este homem lindo e sexual com aqueles muito inconscientes movimentos sobre o palco. O registo de Presley, o tipo do seu tom, quando escutamos alguns dos seus discos, quase que iríamos imaginar que estamos a ouvir um cantor de ópera. Mas... é um cantor de ópera com uma ligação profunda aos blues.”

Jerry Wexler, co fundador da Atlantic Records.
“Quando estava saudável e a trabalhar a sério, ele era sem dúvida o melhor cantor do mundo. Na sua voz ele possuía o mais bonito instrumento musical e o génio para saber tocar aquele instrumento na perfeição; ele podia saltar de uma oitava para incontáveis outras oitavas com tal agilidade sem nunca lhe falhar a voz, era capaz de cantar um dueto consigo mesmo, em tons diferentes e chegar a uma explosão atómica sem esforço nenhum, assim como soltar os tons mais delicados do pathos. No entanto, aqueles que não estiveram abertos (ou não tiveram a oportunidade) de explorar algum do trabalho mais brilhante de Presley – as baladas quase esotéricas e as gravações semi clássicas – só se andaram a enganar e deixaram passar um dos mais bonitos talentos que alguma vez caiu do céu numa vida. Felizmente, este magnífico instrumento musical atingiu a sua perfeição por volta de 1960, na mesma altura em que a indústria discográfica tinha finalmente atingido a reprodução do som que rivaliza com a da atualidade. Por isso, nunca é demasiado tarde para explorar e acarinhar um milagre bem preservado, como fazer uma visita até à loja de discos, pois com certeza resultará em arrepios e excitação sem paralelo para o resto da sua vida; e depois vai finalmente entender o motivo que explica porque este homem nunca desaparece.”

Mike Handley, porta voz e narrador de televisão e rádio, no The Jim Bohannon Show, que foi para o ar na estação de rádio 600+ na rede Westwood One.
“Ele trata a canção como uma meditação privada, cheia de sofrimento e cheia da vontade de acreditar. Muito embora a letra fale de esperança, Elvis transforma-a num choro, como se estivesse a tentar alcançar o último resquício de luz na escuridão. ‘Estou sozinho’, parece ele dizer. Mas talvez, talvez sejamos capazes de encontrar alguém a quem nos agarrar. No seu caso, é Deus. Mas cada um de nós, quando o ouvimos, estamos a tentar alcançar a nossa própria salvação; se a grande arte necessita de nudez (então), aqueles poucos minutos de Elvis sozinho ao piano são a atuação mais nua que alguma vez já testemunhei.”

Nick Cohn, comentando a rendição de Elvis Presley, sozinho ao piano, a cantar You’ll Never Walk Alone, no Nassau Coliseum, em Uniondale, Nova Iorque (1975), e publicado na edição de domingo do Guardian, em 21 de janeiro de 2007, num artigo intitulado, The 25 Best Gigs of All Time.
“Sentimo-nos espantados com a incrível Blue Moon, com o seu truque de mudar, num instante, de um barítono de bar até a um homem que chora com voz aguda e pela forma quase havaiana como evita as consoantes (‘Ya-hoo A-know Ah can be fou’ / Sittin’ home all alo’) em Don’t Be Cruel, uma canção que chega muito perto à redefinição da arte de cantar música pop; E então, em que ficamos? Um crooner espetacular que se aproximava, em termos de tonalidade, virtuosidade vocal e o cuidado que tinha pela disposição de uma canção, a Bing Crosby, do que a qualquer outro cantor de topo da era do rock. Mais para o final, ele ainda tinha aquele talento de cantar um gospel tipo balada, como no poder de coro a solo no hino He Touched Me – a sua voz a quebrar de forma comovente no final do hino, como se ele tivesse acabado de ver Jesus – ainda é capaz de arrepiar e de assombrar. Assim como o seu desejo de agradar a um público de crianças e avós, em vez de confortavelmente ocupar um nicho, como quase todas as estrelas pop fizeram desde então.”

Richard Corliss, editor musical da revista Time, a criticar a caixa Platinum, conforme pubicado na edição dessa revista em 8 de janeiro de 2003.
“Ele tinha uma voz com uma textura musicalmente rítmica que tinha inteligência emocional; concentrem-se na sua voz: doce, arrependida, desafiadora, sugestiva.”

Eileen Battersby, correspondente literária, citando os motivos de ter ficado fã de Elvis depois de o ‘descobrir’ inadvertidamente enquanto mudava de estação de rádio à procura da sua música favorita, conforme publicado no Irish Times de agosto de 2002.
“Durante a ida até ao Charlotte Coliseum, houve notas dispersas aqui e ali que nos faziam interrogar se, finalmente, ele iria fazê-lo, mas ele confiava sempre nos seus sorrisos curtos, no carisma e na lenda. Até que, finalmente, um pouco antes das 22h45, ele cantou o clássico do gospel, How Great Thou Art. E pronto. Quando ele chegou à parte em que grita o título, ele parecia Mario Lanza com alma, a soltar uma série de notas agudas que arrepiariam a espinha até do cético mais ferrenho; mas o crescendo veio com uma canção intitulada Hurt; é uma velha canção que Elvis não gravou até há uns dois anos, e o ingrediente chave é a sua amplitude, uma coleção espantosa de notas que seria capaz de deixar um conjunto normal de cordas vocais num frangalho; ele terminou no que pareceu ser o seu estilo mais potente, mas não estava satisfeito e murmurou para a banda, ‘Vamos fazer essa parte final outra vez.’; e fê-lo, e caso havia alguém naquela casa cheia de gente que pensava que Elvis era um falso, sem dúvida que saíram dali convertidos.”

Frye Gaillard, a rever o seu concerto de 20 de fevereiro de 1977 no Coliseu para o The Charlotte Observer.
“O que podemos dizer de Elvis Presley é que, depois de oito anos desperdiçados no ecrã, regressou ao palco onde sempre pertencera e para a loucura que é de andar na estrada, o que já matou tantos artistas na América; ele até pode não ter empurrado os limites da música para mais além, mas quando abria a boca para soltar aquele barítono – a única voz branca que alguma vez se conseguiu equiparar aos blues – só o que podíamos sentir era o desejo dele. E os nossos próprios arrepios.”

Adrian Hamilton, a escrever para o The Independent, em 14 de agosto de 2002.
“Ele tinha um instrumento incrível e atraente que trabalhava em muitos registos; era capaz de cantar em falsete como o Little Richard, tinha um equipamento espantoso, um ouvido perfeito, e o seu sentido de timing estava acima do de qualquer outra pessoa; (resumindo), ele sabia cantar...”

Jerry Leiber que, com Mike Stoller, co compôs alguns dos melhores êxitos de R&R e Pop dos anos 50 e início dos anos 60.
“A voz de Presley era notável, no sentido que, através dela, ele tocava as pessoas de uma forma que só os grandes artistas conseguem fazer. (De facto), as pessoas que ele tocou são tão diversas como a própria humanidade e tudo porque a sua popularidade transcendeu as raças, as classes, as fronteiras nacionais e a cultura. Não há nenhuma resposta simples que explique porque motivo é assim, só o que posso dizer é que ele tinha essa magia. Quando Elvis Presley ficou popular, as pessoas diziam que ele não tinha uma boa voz. Quase toda a gente hoje sabe que ele tinha, mas muitas mais pessoas hoje deviam vê-lo não simplesmente como um cantor, mas como um artista com uma grande alma.”

John Bakke, professor emérito da Universidade de Memphis, numa entrevista para o Departamento Estadual dos Estados Unidos, transcrita pela UNUSINFO em 18 de julho de 2006, sobre o legado de Elvis Presley.
“Chega-se a um ponto em que a voz começa a derramar-se sobre nós. Entramos dentro dela, começamos realmente a ouvir o que ele está a fazer e apercebemo-nos que o seu canto era extraordinário, com uma qualidade quase sem esforço. Por vezes é como se estivessemos a ouvir uma corrente de mel. É uma viagem muito agradável, a voz de Elvis Presley. Acho que nem nos conseguimos concentrar nas palavras quando ele está a cantar. Acho que ele faz o que os cantores de belcanto fazem – não escutamos as palavras, ‘apenas’ a beleza da sua voz. Quando digo ‘apenas’, quase que faz parecer que ele nos esteja a negar algo mais mas, na realidade, isso é bastante suficiente.”

Barb Jungr, a rever o álbum Love, para o The Scottsman, conforme publicado na sua edição de 25 de junho de 2005.

“Até nos seus momentos mais preguiçosos, Presley era um mestre da tonalidade e da expressão, exibindo o seu rico barítono com uma naturalidade desarmante. E quando ele se entusiasmava com aquela incrível Banda TCB, Presley era capaz de cantar melhor do que qualquer outra pessoa do pop americano. Podemos ouvir isso em versões inspiradas de Muddy Waters, Got My Mojo Working, Always On My Mind, de Wayne Carson, Promised Land, de Chuck Berry, Lady Madonna de McCartney, Stranger in My Home Town, de Percy Mayfield, Burning Love, de Dennis Linde e Walk a Mile in My Shoes, de Joe South…”

Geoffrey Himes, a rever a caixa The Essential 70’s Masters para a amazon.com.

  “Mesmo quando era jovem, era assim que Elvis soava, como um homem. Não foi uma cultura ou uma região que achou Presley atraente, e nunca vi um filme de Presley até ao fim mas, há uns anos atrás, quando num tributo que lhe foi feito por vários cantores modernos cantaram alguns dos seus originais, seguiram ou se inspiraram nas suas versões, fiquei espantado por descobrir como as versões dele eram muito mais cheias, profundas e ricas.”

Al Spike, a explicar aos norte africanos porque motivo a voz máscula de barítono de Elvis parece tão verdadeira, para o Chicago Boyz na internet.
“Peguem numa canção como One Sided Love Affair e examinem com atenção as cambiantes da sua voz, cada carícia, cada gozação e cada rosnido que ele solta durante a duração da canção, e então compreenderão porque motivo a voz de Presley tem sido tantas vezes imitada. É porque é tão única e, mais ainda, tão excelente; nenhuma introdução falsa de piano, nem mesmo uma letra pueril seria alguma vez capaz de o impedir de transformar esta canção num autêntico clássico; imaginem, então, como é maravilhoso quando Elvis canta material à sua altura – como aquela canção pela etiqueta da Sun, Tryin’ to Get to You – provavelmente a canção mais blues deste disco, em que Presley exibe uma sensação de determinação, não apenas uma combinação de nobreza e sexo, mas também uma expressão de vontade; muito simplesmente, este é um tipo que sabe o que quer, e sabe que vai conseguir ter o que quer. E a sua confiança – nunca arrogância – é tão contagiante que, no final da canção, também acreditamos nela.”

Daniel Reifferscheid, a rever o primeiro álbum de Elvis para a Toxic Universe.
“Depois, a meio de 1968 ele gravou um especial televisivo com um fato de cabedal negro vestido, perante um público ao vivo selecionado, abrindo com Guitar Man e fechando com uma canção suave de consciência social, If I Can Dream. Mas foi só a partir do momento em que Greil Marcus me trouxe a gravação dessa atuação para eu ver, quase três anos depois, que me apercebi do quão significativa tinha sido. Marcus já passou tanto tempo a ouvir como qualquer outra pessoal que é objetiva e ele acredita que Elvis pode muito bem ter feito a melhor música da sua vida naquela noite crucial de regresso. É tão fácil esquecer quem Elvis foi, ou quem é, um grande cantor. Qualquer comentário feito ao seu impacto que omita esse facto fundamental deve até ser desconsiderado.”

Robert Christgau, crítico do rock americano, no seu livro de 1973, Any Old Way You Choose.
“Da forma que foi comercializado, ele nem sequer precisava de saber cantar como podia. Mas Elvis tinha talento, puro e simples. O homem tinha uma amplitude vocal e uma variedade nos seus estilos vocais, assim como uma abordagem, que podia fazer mais tons vocais, só com a sua voz, do que um guitarrista com 50 pedais e outros artifícios. Mesmo que nunca o tivessemos visto, somos capazes de sentir, não apenas ouvir, a emoção e a paixão na sua voz e, imediatamente somos absorvidos a 100%. Só com o mérito da sua voz, ele tinha mais talento a cantar numa churrasqueira do que os cantores que vendem milhões de discos hoje em dia.”

– O cantor country, Roger Wallace, em Soapbox, na internet.
“A amplitude vocal de Elvis abrangia um quarto de oitavas, consoante a medição musical, mas a sua voz tinha um leque emocional que variava de sussurros ternos e murmúrios até gritos, rosnidos, resmungos e pura brincadeira que podiam afetar o ouvinte desde calma e rendição até ao medo. A sua voz não pode ser medida em oitavas, mas em decibéis; até isso falha com o problema de como medir um murmúrio delicado que praticamente nem se consegue ouvir.”

Lindsey Waters, editor executivo de Humanidades na Harvard University Press, no seu estudo Come Softly, Darling, Hear What I Say.
  “Durante a sua rendição de Hurt, (1976), ele ainda estava com uma voz melhor, a cantar num registo que causava mais impacto à forma como cantava uma letra, e até mesmo quando atingia notas tão altas que poderiam provocar uma hérnia suave. E, depois de com tudo isso conseguir uma boa reação do público, ele deu-lhes uma repetição do final que chegou quase a ser masoquista.”

Mike Kalina, revendo o concerto de Elvis de 1976, na passagem de ano, para o Pittsburgh Post Gazette, em 1 de janeiro de 1977.
“Podemos até arriscar uma pequena análise que explique porque motivo a sua voz era tão atraente. ‘Aquele barítono curioso,’ disse um crítico. Na realidade, isso é inexato. A voz tinha propensões mistas, que pairava entre o tenor e o contrabaixo e tudo o que havia pelo meio. Até um falsete bastante convincente existia neste leque. Uma coisa que ele nunca jamais foi, foi um ‘Steve-‘n-Edie’, o tipo de artista polido e profissional que se provou em Vegas e que pronunciou numa entrevista (como o Sr. Lawrence a anunciar o sentimento que tinha, assim como o da sua parceira/esposa, Ms. Gorme), ‘Nós não achamos que Elvis fosse realmente um cantor. Mas era uma estrela.’ Só quando, anos mais tarde, ultrapassamos a indignação de ouvir semelhante aparente ignorância, é que o sentido da observação se torna claro. Um cantor é alguém como Steve Lawrence a cantar sem esforço (e sem sentido) uma canção popular padrão como What Now My Love. Mais ou menos como a percorrer a escala musical.  Uma estrela é a personalidade na qual investimos os nossos mais profundos desejos, um ser que está constantemente a tentar – e intermitentemente a conseguir – as coisas impossíveis que todas as almas desejam tentar, mas não têm nem os meios, nem a vontade para. Não é uma questão de virtuosidade.”

Jackson Baker, na edição de julho de 2002 da Memphis Magazine.
“Não acho realmente que a voz de Elvis fosse significativamente mais grave que aquela de outros barítonos. A cor da voz e o sentimento de calor e riqueza do tom grave é que dava a sensação da voz ser muito mais profunda. Elvis, de facto, não forçava para chegar ao seu registo mais grave, pois sentia-se muito confortável a cantar assim o que, por sua vez, dava a impressão de ele ter uma voz muito mais grave que outros barítonos.”

Brian Gilbertson, famoso professor de voz no mundo, explicando a profundidade do registo mais grave da voz de Elvis.
“Elvis era um cantor de (Gospel) por excelência. Em Milky White Way, (1960), ele tem a força de um baixo e a doçura de um tenor. A herança que temos na música gospel de Elvis é uma dádiva para o mundo.”

Paul Poulton, como publicado em Cross Rhythms Magazine.
“Em Hawaiian Wedding Song, (1960), Elvis tira partido particular da sua voz forte e grave e também nos registos de notas agudas, o que torna tudo particularmente difícil por ser necessário cantar com notas em cascata. Elvis vai de encontro ao desafio sem falhar, a sua atuação absolutamente meticulosa, sem nenhum vislumbre de esforço vocal.”

– Crítica da BMG ao seu álbum, Blue Hawaii.

Fonte: http://www.elvislightedcandle.org/withoutasong.htm

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