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Peça de Teatro "Sem Uma Canção" - Como Foi
 

No passado dia 18 de março foi a estrear a peça de teatro “Sem Uma Canção – Elvis, Uma História Rock”, pelo Grupo de Teatro Disfarces, no Teatro Passagem de Nível (Centro Comercial Colina do Sol, na Amadora). A peça teve outras exibições, no dia 19, 24, 25 e 26 de março. Tendo o Grupo Disfarces contactado o Elvis 100% para os ajudar a promover este projeto, claro que só podíamos ter dito que sim. E assim o fizemos, o que resultou nalguma cobertura em jornais nacionais, Internet e até na rádio (ver Imprensa). Pensamos que algo que também ajudou a promover o projeto foi o facto de ter sido publicitado como a celebração do 71º Aniversário do Nascimento de Elvis.

Falando da peça em si, cujo texto e encenação ficaram a cargo de José Serradas e a produção, de Carlos Fontoura: trata-se, sem dúvida, de uma obra que mostra ter um fã de Elvis na sua origem. Pois isso é óbvio durante toda a exibição. A forma como apresentaram a peça, com poucos adereços e miniaturas (como o telefone do Coronel Parker, o Cadillac cor de rosa e Graceland) e apenas um ecrã onde eram projetadas algumas imagens e frases, serviu para ilustrar os momentos mais importantes na vida do homem por detrás do mito. E esse homem, Elvis, surge-nos como uma pessoa que adorava a mãe, que tudo fez para lhe dar tudo. Um bom filho, o marido possível, o homem amado e desejado por milhares de mulheres, odiado por alguns críticos que depois se renderam ao seu charme e um homem que acabou a sua vida sozinho, caído no chão da casa de banho.

 

 


Legendas: Carlos Fontoura, no papel de Elvis. "Elvis", recebendo da sua mãe, "Gladys", a sua primeira guitarra como prenda de aniversário.
 

A peça começa com Carlos Fontoura, no papel de Elvis, a apanhar do chão alguns objetos que lhe costumavam atirar durante os concertos. “E ele diria: ‘Alguns artistas fazem sapateado, outros fazem estalar os dedos, alguns ainda fazem gingar as ancas, mexem-se para a frente e para trás. Eu acho que faço isso tudo ao mesmo tempo. É a minha maneira de ser ou de estar no palco.’ E afinal, o que é o talento? Uma armadilha? Um isco para a inveja alheia? E a fama? O sucesso? E ele diria: ‘Quando era criança, senhoras e senhores, era um sonhador. Lia livros de aventuras e imaginava-me o herói do livro. Via filmes e imaginava-me o herói do filme. Então, sempre que tinha um sonho, esse sonho tornava-se realidade uma centena de vezes. Sem uma canção, o dia nunca acaba; sem uma canção, um homem não tem amigos; sem uma canção, a estrada nunca dá a volta. Por isso, continuei a cantar. Boa noite. Obrigado.’ Não sei se os heróis morrem ou se a sua imortalidade é diminuta no grande oceano do tempo. Até aos 25 anos… com um palminho de cara, um gosto por roupas exóticas, pretas e rosadas e uma poupa no cabelo, ninguém o detinha. Ninguém me detém. Eu vou ser ele. Mais vale ser Rei uma hora do que um desconhecido toda a vida.” Carlos Fontoura foi Rei durante cerca de uma hora e meia e outros personagens que o acompanharam, deram vida à sua vida:

 

Susana Neves foi Gladys Presley. Reencarnou o papel da mãe preocupada, cujo amor da sua vida foi o seu filho. A mãe sempre presente, mesmo após a sua morte, presente de uma forma espiritual. A mãe que sempre disse, ao longo da peça “Vieste de pessoas pobres do campo, mas és tão bom como qualquer outro.” E sabemos que Gladys foi o incentivo de Elvis para que este alcançasse o sonho de que falava atrás. Sem uma canção, o dia nunca acabava (citação retirada do discurso que Elvis fez ao aceitar o seu prémio de Um dos Dez Jovens Mais Destacados da América, em 16 de janeiro de 1971 e que serviu de inspiração para o título desta peça).

 

José Serradas foi o Coronel Tom Parker, o empresário de Elvis. Apesar da pose “militar”, surge também como uma figura quase paternal, preocupado em conseguir os melhores negócios para Elvis, por quem este parece nutrir um carinho especial. De facto, Elvis, sentia admiração pelo Coronel e tinha gratidão para com ele, por tudo o que fez na sua carreira. Para o final, tudo se complicou e isso também é mostrado na peça. Como ajudar um homem que não se quer ajudar a ele próprio…?

 

Tiago Costa foi Memphis, o chefe da matilha. Encarna e representa todos os guarda costas e elementos da Máfia de Memphis que rodearam Elvis durante a sua vida. Foi a primeira vez que Tiago representou uma peça de teatro, mas esteve muito bem, no papel do empregado que tem de fazer de tudo um pouco para agradar ao chefe.


Legendas: "Coronel Tom Parker" com "Hedda Hopper"; "Hedda Hopper", "Coronel Tom Parker", "Gladys Presley", The Memphis, "Priscilla" e Miss Queca.

 

Luísa Hipólito foi Hedda Hopper. Esta senhora é uma personagem real, uma crítica dos anos 50 que no início detestava Elvis, que o criticou e difamou bastante, e depois se rendeu a ele, dizendo estar enganada a seu respeito, quando finalmente o conheceu em pessoa. Esta atriz desempenhou o papel na perfeição e há uma cena hilariante, para representar o momento em que ela se deixa conquistar por Elvis, em que dança com ele e acabam os dois a dançar o rock!

 

Nádia Rosário foi Priscilla Beaulieu e fez o papel esperado, da esposa que se cansou de esperar pelo amor da sua vida, que se desiludiu com o casamento e que abandonou o seu marido. Uma alegre mulher divorciada.

 

Susana Cerdeira foi Miss Queca, mais uma personagem fictícia (como Memphis), que representou todas as mulheres que tiveram alguma – ou nenhuma – importância para Elvis ao longo da sua vida: as fãs desconhecidas, as atrizes glamorosas, as namoradas mais especiais.

 

E por último, António de Sousa foi o Vagabundo. Personagem engraçada, esta, pois no fundo era a única personagem, em toda a peça, que era real. Ele mesmo disse isso algumas vezes. Ele era a realidade e surgia sempre nos momentos mais inesperados, para nos “assustar”, esclarecer, para nos fazer pensar… Há um episódio durante a peça entre Elvis e o Vagabundo que foi inspirado numa história verídica.

 

Foi uma hora e meia em que a imaginação do espetador foi posta à prova, visto que seria impossível considerar e apresentar todas as personagens envolvidas na história de Elvis bem como todos os factos, tendo alguns sido propositadamente alterados por isso mesmo. Não se tratou de uma imitação, nem de uma personificação de Elvis, mas sim de uma homenagem. Durante toda a peça, o ator Carlos Fontoura disse, “E ele diria”, seguido de algumas palavras que, de facto, Elvis disse, para ilustrar as várias e diferentes fases da sua vida. Tudo começou aos 11 anos de idade, com a oferta de uma guitarra. E tudo terminou aos 42 anos, quando o Rei deixou de cantar a canção…

 

Mas será que a canção deixou de ser ouvida? Nem por isso. A peça termina com todos os atores a dizer algo que prova o facto de Elvis estar ainda vivo e bem presente nas nossas vidas. Essas mensagens indicam também a sua/nossa gratidão. Antes de serem projetadas imagens de Elvis no ecrã sobre o palco, as últimas palavras couberam a Carlos Fontoura: “E ele diria: ‘Bolas, eu era um beto comparado com o que eles fazem hoje. Brincamos ou não? Eu não fazia nada a não ser gingar.’ E eu penso: Porque é que somos tão fracos e precisamos de nos projetar em heróis e mitos? Porque não aceitamos a vida tal como ela é, muito feia e muito dura? Porque nos comovemos com o Belo? Com o Surpreendente? Com o Diferente? Porque não podemos viver sem isso, ainda que no fundo saibamos intimamente não passar de mais uma mentira? Porque insistimos em pôr óculos cor de rosa. Porque preferimos a fuga. Seja o que for. E ele diria: ‘Eu sou algo. Eu tenho algo a dizer.’ E é tudo.”

 

O Grupo de Teatro Disfarces está de parabéns pelo seu projeto. Agradecemos a oferta da sua mascote e do guião da peça (de onde retirámos algumas citações para este artigo), bem como a confiança depositada no Elvis 100%. Agradecemos ainda aos sócios que apareceram para ver a peça. Só temos muita pena que não tenham sido mais…

 

“Não sou nenhum santo, mas tentei sempre não fazer nada que magoasse a minha família ou ofendesse a Deus… Acho que tudo aquilo que qualquer miúdo precisa é de uma esperança e da sensação de que pertence a algo ou alguém. Se eu puder fazer ou dizer alguma coisa que transmita a esse miúdo essa sensação, acredito que já dei um contributo válido ao mundo.” – Carlos Fontoura, na voz de Elvis Presley, que disse mesmo estas palavras a um jornalista que o entrevistou em 1956. Elvis tinha razão. Ele conseguiu fazer isto. Mas conseguiu fazer muito mais!