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SOBRE OS "PÉS FLUTUANTES" E COMO ELVIS SE SENTIA ÀS VEZES


Legenda: Lake Tahoe, 21/08/1974.

Senti que tinha de vos contar o motivo que levou Elvis a divertir-se tanto com os “pés flutuantes” (não sabia que mais lhes chamar, por isso inventei isto enquanto escrevia esta nota).          

Passados poucos anos do seu regresso ao público, tornou-se óbvio em muitas ocasiões que algumas pessoas pensavam nele como um deus ou um rei e isto perturbava-o muito. Umas poucas de noites antes de lhe oferecer os “pés”, ele estava muito, muito perturbado com isso, a dizer-me, “Eu NÃO sou Deus, eu NÃO caminho sobre as águas.” De facto, até tinha lágrimas nos olhos. “Será que eles não se apercebem de que somos apenas humanos?” e repetiu aquilo que já andava a dizer há uns dois anos, “Quando me cortam... sangro!” Não me recordo neste momento que incidente ocorreu nesta noite para despoletar isto, mas fiz uma fraca tentativa de mudar a sua disposição, dizendo, “O que queres dizer com isso do ‘somos’, Kemosabe?... Este é o teu...” Ele interrompeu-me. “Estou a falar a sério, Kathy. Não sei que fazer com respeito a isto. Oh, porquê eu, Senhor?” (Nota: Poucos dias depois, quando lhe dei os “pés”, ele esperou até ser a canção Why Me Lord / Porquê Eu Senhor, para os calçar e aparecer sobre o palco).

Seguiu-se uma conversa longa e séria e nenhum de nós tinha qualquer resposta, nem nenhuma ideia do motivo de isto ocorrer e de estar a ficar cada vez pior, mas eu sabia que ele acabaria por descobrir o que fazer/dizer. Sentamo-nos a ponderar sobre como tornar claro a este público que ele era apenas um ser humano.

Na noite seguinte, antes do concerto, saí do meu camarim para me dirigir ao palco e corri direitinha a ele. Ele tinha vindo a correr pelo corredor abaixo para me dizer, “Eles veem-se a eles mesmos em mim... é só isso.” Tinha um sorriso enorme no rosto, abanava a mão à minha frente; podia ver que ele se sentia feliz por ao menos ter pensado num motivo. “É um bom começo para entender tudo isto,” disse eu e depois disseram-nos para nos apressarmos (por qualquer motivo, estavamos um pouco atrasados e andavamos à pressa. O aviso de ‘cinco minutos’ já tinha sido dito bem alto pelos monitores dos camarins).

Foi alguns dias depois que senti falta de alguma coisa e desci para ir às compras. Estes “pés flutuantes” surgiram-me numa vitrine das melhores lojas do Hilton que normalmente exibem sapatos e/ou jóias maravilhosas. Pensei, “Que perfeitos e mesmo na altura certa.” Mandei embrulhá-los e consegui metê-los no camarim dele com um bilhete que dizia, “Tem uma boa caminhada sobre as águas,” Minnie Mouse. Se ouvirem a gravação deste concerto, ele atrapalha-se um bocadinho quando está a descrever o bilhete. Ele não podia explicar porque motivo aquilo o divertia e não queria que mais ninguém voltasse a interpretá-lo mal.

Pensei que a história de fundo tinha de ser acrescentada para vocês talvez terem uma melhor compreensão sobre como Elvis se sentia às vezes.

Nota: O artigo original, sobre os “pés flutuantes”, foi publicado aqui antes.

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