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ELVIS ENSINA-ME A ACEITAR UMA PRENDA... SENÃO!


Legendas: Montgomery, 16/02/1977. Elvis, divertido, observa Kathy a vestir e a tentar despir  as calças que eram para Lisa Marie.

"Em tempos existiu um homem, e chamaram-lhe louco; quanto mais dava, mais tinha.”
-
Bunyan.

Realmente levou anos a Elvis para me convencer a aprender que receber prendas era tão importante para todo o espírito como dá-las. A minha atitude para com isto afetou o meu relacionamento com ele desde o início. Ele foi um ‘dador’ desde o tempo em que mal tinha idade para andar. Vernon contou-me sobre o triciclo que ele e Gladys lhe compraram depois de pouparem dinheiro a comer cereais durante duas semanas, só para descobrir que Elvis estava sempre a dá-lo. “Andava sempre de um lado para o outro para o recuperar. Ele adorava-o, mas ainda adorava mais o olhar no rosto da pessoa quando lho dava. Acho que é melhor aprenderes a receber ‘algo’ dele, ou vais passar um mau bocado.”

Nesta altura da minha vida, era uma pessoa muito independente e isso... juntamente com aqueles que o rodeavam que constantemente se aproveitavam dele ao dar ‘dicas’ sobre o que gostavam de ter, tornou tudo ainda mais difícil para mim. Elvis andava sempre a ensinar-me como “Permitir ao Dador Dar a Prenda.”

“Bem,” disse-me ele um dia, “tenho um plano para te forçar a aprender esta lição. E agora não vais poder dizer, ‘Não, obrigada, estou avisar-te!” E tinha mesmo um plano.

Começou a dar-me... sobre o palco, à frente do público, para eu não poder dizer-lhe “não”, sem me envergonhar, a roupa interior que lhe era atirada por mulheres do público. Sentiu-se tão orgulhoso de si mesmo por se lembrar disto, que até hoje tenho uma gaveta cheia de cuecas, soutiens, etc. Se os deixava à beira do palco, ele mandava-os entregar ao meu camarim embalados e, se os deixasse ali, voltava a entregar-mos. Insistia para que os guardasse. “Vou fazer isto até aprenderes esta lição.”

Um dia tive a intenção de conceber um plano... um que fosse inteligente, para lhe devolver tudo. Mas nunca fui capaz. Como não tinha tempo durante as nossas temporadas de cinco semanas em Vegas, acabava por dizer, “Oh, não... mais um monte e ainda não arranjei maneira de lhe devolver o resto.” Então, acabei por guardar tudo no meu pequeno rancho, na Califórnia... atirei tudo para uma gaveta cheia de ‘cuecas’ que tinha numa área de arrumos.

Num concerto, alguém atirou um pequeno fatinho que era para Lisa, calças pequenas, com alças para as suportar, quase como se fossem suspensórios, mas feitos do mesmo tecido. Ele tomou logo uma decisão, “Kathy... tenho uma Prenda para ti,” com aquela voz gozadora que ele tinha e aquele sorriso que punha quando estava prestes a pregar-nos uma partida (tenho fotos disto e hei-de partilhá-las mais tarde).

Desta vez decidi jogar de acordo com o bluff dele e comecei a vesti-las. Consegui até metade, mas depois não era capaz de as tirar, pois eram muito pequenas e apertadas. Não era digno de se ver.

E assim, comecei a pensar melhor sobre talvez aprender esta lição, por mais que eu sentisse que tinha de ‘ganhar o meu’ e de pensar no que se passava com os outros à volta. E sim, comecei a aceitar uma prenda de quando em vez, quando ‘sentia’ que estava certo. A minha gaveta das cuecas estava e continua cheia e até hoje não tenho a certeza de isto ter terminado com as ofertas feitas em palco.

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