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VISITA NA SEGUNDA NOITE - Não Sei que Título Dar a Esta Parte - PRÍNCIPE ENCANTADO?
Parte 2

               Quando se recompôs, muito embora ainda comovido e abalado, mal murmurou, enquanto se voltou a virar para mim.

              “As pessoas têm-me feito isto a vida inteira! Mas nunca ninguém mo tinha explicado antes. Agora vejo... Agora entendo!... Finalmente!” Abanando a cabeça e colocando ambas mãos no meu rosto, enquanto um par de lágrimas que sustivera demasiado tempo nos olhos lhe escorriam pelas faces, afirmou com simplicidade, “Deus sabia o que estava a fazer quando te enviou para mim, Kathy! Ele sabia. Tu acalmas-me... dás-me uma sensação de paz. Contigo, sinto-me em casa.”

              Relembrei-me rapidamente que precisava de discutir sobre uma “amizade” com ele, mas agora era uma situação ainda mais delicada. Via um homem sensível à minha frente, que tinha acabado de ser magoado, e que nunca chegara ao estado de zangado. As emoções dele estavam sempre à superfície do seu ser. Não sentia vergonha de chorar! “Este é um dos maiores motivos de ele ter alcançado tanto na sua vida!”, pensei.

               “Estou tão espantada como lidaste com a situação! Não a atacaste! Foste um cavalheiro! Não conheço ninguém que pudesse ou tivesse lidado com a situação como acabaste de o fazer.” Pensamentos sobre algumas pessoas que eu conhecia passaram-me pela ideia... pessoas que se podiam... e teriam... certificado de ela nunca mais tivesse permissão para entrar onde quer que fosse na cidade de Vegas para o resto da sua vida.

               “És tão gracioso, simpático, tão bom para tantas pessoas todas as noites. Elvis, não conheço mais nenhuma celebridade que se encontre com pessoas todas as noites! Quem é que convida os seus fãs para se encontrar consigo? Ninguém, que eu conheça.” Eu abanava a cabeça, sem acreditar, não só com o que a rapariga tinha acabado de lhe fazer, mas com o facto de ver como ele era singularmente diferente como homem, como ser humano, como artista. (Enquanto recordo isto, chamo a vossa atenção para as referências históricas feitas a Elvis como um “recluso”. Ah! Sim, um homem que durante os sete anos que o conheci convidou fãs e amigos para o visitarem noite após noite, dia após dia... não importava onde estava... em trabalho, em qualquer cidade dos Estados Unidos, ou na sua casa. Sim... ele é infamemente conhecido por ter sido um recluso. Isto é para rir... oh, é que nem sequer sei como comparar esta inverdade seja com o que for, mas se Elvis representou o significado para a palavra “recluso”, então Merriam Webster e outros terão de redefinir uma grande e longa lista de palavras).

               “Gosto das pessoas, Kathy,” disse ele, numa voz baixa e suave, como alguém que aceitou isto dentro de si e que não deixaria de ver pessoas, muito embora pudesse haver alguma maluca no grupo que apreciava uma noite como esta... uma noite que iriam recordar para sempre.

Ele tinha um coração demasiado bom, era demasiado simpático e amável para completos estranhos e amava demasiado as pessoas. Enquanto ele voltava a olhar para o vácuo mais uma vez, senti necessidade de não o deixar levar aquilo tanto a peito. Comecei a brincar um bocadinho, obviamente a brincar com a situação.

“És tããããooo atraente, talentoso... tens tantas pessoas que te amam da mesma forma!” Ele quase deu um risinho, por isso, continuei, “Tantas... que uma rapariga como aquelas possa sentir-se tão desesperada... só para que pudesses reparar nela no meio da multidão. E ela teve muita sorte em ter sido convidada para ir conhecer o seu ídolo!”

O sorriso fraco, mas crescente dele, indicou-me que estava a controlar a situação, pelo menos, nesta noite.

“Pensa só nos rostos felizes que viste esta noite. Pensa em todos os que conheceste esta noite que nunca se vão esquecer desta noite contigo! Não sobra espaço nenhum para pensar nela, porque a sala estava cheia de pessoas que te fizeram feliz!”

“Não fui mal educado com o Charlie, pois não?”

“De todo! Tentaste ser ouvido e não estavas a gritar alto ou de uma forma rude! Oh, por amor de Deus, a única forma que poderias ter passado o recado aquela distância sem fazer barulho e sem trepar por cima de 40 ou 50 corpos que estavam espalhados pelo chão, teria sido a enviar um bilhete por um pombo!”

Ele riu-se um pouco, olhou para lá de mim como se pensasse a sério. Voltou a olhar para mim, ainda com uma interrogação no olhar e, naquele ponto, fomos interrompidos pela voz de Charlie que vinha do corredor. “Elvis?....... vem até a um dos concertos esta noite!” (Não consegui perceber quem era).

“Que bom! Ele e a esposa dele têm algumas canções favoritas. Vamos fazer uma lista para as ter prontas para eles.”

“Está bem, vou fazer isso.”

Tenho de meter aqui mais um “à parte”. Mesmo num momento em que Elvis deveria estar a digerir as suas emoções e sentimentos, foi interrompido pela necessidade de planear os próximos concertos. Esta também era uma ocorrência diária, constante, uma parte da vida pelos próximos sete anos. Havia muito poucos momentos em que ele ou qualquer um de nós tivesse de pensar... ou, mais importante ainda, de sentir o que se passava dentro de nós.

Assim que Charlie se foi embora, comecei o que tinha tentado terminar quando acordei naquela manhã.

“Preciso de falar contigo, Elvis. A sério. Tenho-te em grande consideração... gosto mesmo bastante de ti, mas... não vejo como podemos sequer gerir uma amizade, considerando tudo... Não me sinto à vontade, nem bem com toda esta situação... e...”

“Shh, shhh, shhh. Eu sei.... Eu sei. Mas eu quero… e, de algum modo, preciso de ti na minha vida, Kathy. Por favor, não tomes uma decisão já, está bem? Pensa só nisso? Também vou pensar, e hei-de encontrar uma forma de podermos ser pelo menos amigos. Olá?... Kathleen!... Iuu-uuu?” (Regressei ao “agora”). “Já somos amigos, caso não tenhas reparado,” sorriu ele.

“Oh, e a propósito,” acrescentou ele, “aqui está aquele livro de que te falei. Mandei vir um exemplar para ti, mas quero que vejas como é tão semelhante ao de Goldsmith. É dentro do mesmo género.” Ele pegou num pequeno livro preto, com capa de cabedal, intitulado, A Vida Impessoal, de Joseph Benner. Encontrou lá um verso e leu, “EU SOU. Para ti, que me lês, eu falo. Para ti que, ao longo de muitos anos e de muito correr para trás e para a frente, que tem andado à procura desesperadamente em livros...” ele parou. “O teu exemplar deve chegar aqui amanhã.”

“Fica quieto... e Sabe… EU SOU...” é a minha escritura favorita,” murmurei.

“Bem, amanhã já vamos poder estudar os nossos exemplares juntos!” Não respondi, mas lembro-me da reação dele a qualquer que tenha sido a expressão no meu rosto.

“Amanhã falamos! Agora vou acompanhar-te até ao teu quarto. Só um bocadinho... preciso do meu casaco.”

 Enquanto ele ia buscá-lo, voltei a cair em pensamento profundo, interrogando-me como podia eu sair daquela situação. Saímos sem dizer nada a ninguém, seguimos o mesmo caminho misterioso e não me lembro de nada específico, de todo, enquanto caminhávamos e caminhávamos. Nada... até ele voltar a ter a chave do meu quarto na mão, tentando abrir a minha porta teimosa. Enquanto ele lutava com a porta, olhei para cima, para ele ali parado e reparei pela primeira vez que o fato que ele estava a usar fazia-o parecer-se com o Príncipe Encantado, da Cinderela, da Disney!

O fato foi simplesmente o mais belo em que o vi em todos os sete anos que convivi com ele! De veludo azul claro... de colarinho alto (acho que ele tinha uma camisa branca sob o casaco, mas não tenho a certeza. A cor do seu cabelo e penteado só intensificavam essa imagem).

O meu coração acelerou, enquanto pensava naquele sonho estúpido.

 

 

Ele lá conseguiu abrir a porta, enquanto eu pensava na sua aparência. “Ele é mais bonito que a maior parte das mulheres!... E parece saído de uma história da Disney ou de um filme”

Quando ele se virou orgulhosamente a sorrir com a sua conquista mecânica... conseguindo abrir a minha porta, os olhos dele atravessaram-me. Eram tanto elétricos como de um azul suave e combinavam na perfeição com o seu lindo fato. Esta imagem deslumbrante dele é uma que jamais poderá ser apagada. Desejo poder lembrar-me do motivo de nunca ter reparado em tudo isto até ele ter chegado à minha porta.

Pensava, “Ele é realmente lindo! A pessoa mais bonita que já vi!” Estranhamente, não pensava que ele era atraente ou bem parecido.

“Pareces ter saído de um conto de fadas, ou de um filme da Disney! Tal como o Príncipe Encantado!” proferi abruptamente. “A sério! Ficas tão lindo nesse fato… faz realçar a cor dos teus olhos! És mesmo simplesmente deslumbrante! No teu caso, isso é um oxímoron.” (palavra com sentido contrário)

Ele riu-se, “Ou será que é... ah… um oxi moron (palerma) paradoxal?”

“Não sei... não me lembro dessa aula de inglês. Provavelmente é um desses significados pouco utilizados que se tornaram aceitáveis? Nem sequer entendo o significado da palavra ‘significado’, a sério. E, acredita em mim, tenho-me interrogado e pretendo pesquisar sobre o assunto!”

Houve uma pequena pausa, depois ele disse, “Oh, Deus! Outra coisa que ambos fazemos! Ufa! Pensamos mesmo da mesma forma, Kathy! Ah, ah! Oh, caramba! Tanta coisa que tenho de acrescentar à lista sobre o que tenho para falar contigo!” acrescentou. “Ufa! Bem, querida, é melhor que durmas um pouco... tem sonhos doces… vejo-te daqui a umas horas.”

Deu-me um beijo de boas noites, virou-se e caminhou pelo corredor abaixo. Entrei no meu quarto sem ficar a vê-lo ir-se embora desta vez.

Sonhos doces... Ele disse ‘sonhos doces’?! Se ele soubesse o que sonhei a noite passada.” Estava outra vez a falar comigo mesma até sentir um “Oh, Deus!” sair. Por favor, não me deixes sonhar esta noite!... E não me deixes ficar a olhar para o Sr. Príncipe Encantado enquanto ele descansa.”

Deixei-me cair na cama depois de um banho rápido e, sim... enquanto ruminava sobre esta noite e tudo o que tinha observado.

Comecei a repetir aquele verso, “Fica quieta, fica quieta... e sabe...” e deixei-me cair numas trevas inconscientes e bem vindas... num sono bastante profundo, finalmente.            

 

(Continua)                                                                                             
                                                                                                                                                                                                                    

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