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ELVIS E KATHY E DUCHES NASAIS COM ÁGUA SALGADA


Legenda: Las Vegas, 26/01/1974, noite de estreia.

Acho que isto se passou em janeiro de 1974, quando estava de saída num dia de estreia em Vegas com as Sweets para irmos buscar as nossas roupas que tínhamos acabado de comprar ou mandar alterar em Vegas para a nossa abertura nessa noite. De súbito, senti-me como se tivesse uma Rocha do Deserto em cima do peito e dificuldades em respirar. As Sweets notaram que não tinha bom aspeto, sugeriram que me sentasse e quando regressamos ao Hilton, deitei-me “por uns minutos.” NÃO ACORDEI NESSE DIA... perdi o concerto de estreia e os quatro dias seguintes. Tinha apanhado a “GRIPE DE LONDRES”.  O esquisito foi que estive tão delirante durante este tempo que pensava que só tinha passado um dia, mas tinham passado QUATRO! Lembro-me vagamente no meu estado febril delirante de ver as Sweets no meu quarto (tinham insistido que as empregadas podiam entrar) e de me rebolarem de um lado para o outro em cima da cama, enquanto mudavam os lençóis. Deus as abençoe. Não tiveram medo de a apanhar! Disseram-me depois que os lençóis estavam ‘encharcados’ de cada vez que lá iam. Nem podia acreditar que tinham passado 4 dias. Mas... o que descobri foi que Elvis também a tinha apanhado. Também tinha falhado concertos! Também tivemos um ‘pouco de pneumonia’, mas na altura não sabíamos.

Depois de cada um de nós ter forças suficientes para regressar ao palco, ambos quase não tínhamos voz - pulmões congestionados. Não é uma coisa boa. Elvis decidiu que ele e eu devíamos fazer um regime para limpar as nossas vozes/NARIZES/pulmões, constipação, etc. durante alguns dias. Isto pode parecer-vos um bocadinho estranho, mas o meu pai costumava fazer isto, assim como muitos outros cantores muito antes da minha carreira professional de 15 anos como cantora. Nunca o tinha feito.

Elvis ‘fez-me’ ir até ao seu quarto e pediu ao Dr. Nick para preparar a temperatura certa para a água quente. Depois acrescentou a quantidade adequada de sal.

“Anda cá, Nariz Entupido,” disse ele, enquanto me levava para a sua casa de banho. Ambos tínhamos um ‘som’ horrível, como se tivessemos os narizes cheios de algodão. Quando penso nisto, aposto que vos é difícil de imaginar Elvis a falar com um nariz entupido. “Sinto-me mesmo mal,” disse ele. “Mas tenho aqui uma coisa que nos vai pôr aos dois bons,” resmungou. “Observa-me com atenção. Deitas uma pitada de sal num copo de água quente, assim. Está aqui o meu e tens aqui o teu. Depois pões um bocadinho na palma da tua mão” (girava o copo como se fosse um ‘mágico’ a explicar o seu truque a um público. Copiei os seus gestos, pois estava desesperada para ‘falar’... já para não mencionar cantar! Depois ele continuou com as suas instruções.

“Agora prepara-te. Inala isto pelo nariz acima... assim... e depois põe a cabeça para baixo... DEBRUÇA-TE PARA A FRENTE DEPRESSA.” Ambos fizemos isto. Tive a grande ideia de que devíamos ficar de cabeça para baixo, o que fizemos. Bonita imagem, hein? Ambos a fazer o pino (mas com os joelhos dobrados)... naquele espaço pequenino? “Fica assim, querida! Arde como o diabo, mas aguenta! Depois temos de deitar tudo pelo nariz para o lavatório!” (Sim, ardeu como o diabo, mas divertimo-nos a ver as nossas caras viradas ao contrário. Sabem como fazemos quando somos crianças? Com os sorrisos ao contrário, etc?)

“Agora, segue-me,” disse ele. “Temos de fazer muito exercício e rapidamente... Monta-te nesta bicicleta (de exercício) que já te digo.” Pôs toalhas à volta do pescoço dele e do meu. Já imaginam para que eram as toalhas. “Esta porcaria vai soltar-se e os narizes vão desentupir, se tudo correr bem, vamos tossir toda a porcaria que nos está a obstruir os pulmões e os brônquios.” Bem, é melhor eu não descrever o que ocorreu na hora seguinte... a tossir e a assoar os narizes... mas funcionou. Ele insistiu para eu fazer isto com ele mais uns dias até conseguirmos pelo menos ‘falar’. Ficamos sem voz para cantar durante semanas e só depois é que descobrimos que tínhamos tido pneumonia. Este evento por certo que não foi agradável, mas ainda me faz rir até chorar quando hoje penso nele.

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