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ELVIS CONTINUA A TESTAR A MINHA CORAGEM

Com a “primeira” experiência com armas ainda fresca em mente, vou avançar mais um pouco... antes que me esqueça. Enquanto numa noite visitava Graceland com a promessa de que iria descansar, ouvi Elvis chamar-me da salinha onde estava a entreter alguns homens que faziam karaté com ele ou se interessavam pelo assunto. “Kath eh!” Sim, era assim que soava com o seu sotaque sulista. Pensei para comigo, “Estou aqui para descansar, mas não me parece que seja isso.” Podia sentir pelo tom da sua voz que “alguma” coisa se passava. Fui até à salinha, onde me apresentou aos seus colegas. “Bom, pensei. Ainda bem que foi só isto.” Depois inclinou-se e abriu o seu kit de karaté. Aquele cheio de armas que ele usava nas aulas. Primeiro pensei que estivesse a mostrar a toda a gente as suas adoradas armas, etc., mas depois... disse, “Kathy, vai para ali e fica o mais quieta possível, querida. Quero mostrar uma coisa a estes rapazes.” Sorriu um sorriso sardónico e riu-se, mas tinha aquele brilho diabólico no olhar que me disse que provavelmente eu ia passar por algo que não ia gostar. “Vamos lá a ver agora como são os teus NERVOS!”, desafiou ele. Já lhes tinha contado sobre o incidente com a arma em Vegas, assim como outras histórias que o divertiam. Depois moveu-me fisicamente e pôs-me no centro da sala (não era eu que me movia). Fiquei o mais quieta possível, embora já a ficar nervosa, quando ele tirou umas facas. Sim... FACAS! Agora não me recordo bem de como se chamam, mas são Facas Compridas! Tinha uma em cada mão e lembro-me de o fulminar com os olhos a perguntar, “O Que. Vais. Fazer?!!”, enquanto rangia os dentes. Acho que ele não “ouviu” os meus olhos, ou ignorou-os, pois os seus olhos mudaram para uma disposição de intensa concentração, preparando-se talvez para matar alguém? Ficou ali parado durante tanto tempo! A concentrar-se! (Provavelmente foi só um segundo ou dois, mas a mim pareceu-me um mês). Sabia que a sua demonstração era passar as facas o mais próximo possível de um alvo sem o tocar. Mas... desta vez, eu era o alvo! Do que me consigo lembrar a seguir é do barulho das facas a passarem-me pela cara, braços, pernas, corpo... O Meu Único Corpo... Enquanto ele se movia intensamente com poses de karaté gloriosas e graciosas, mas aterrorizadoras e a fazer aqueles sons familiares do karaté que só se destinam a encher-nos de medo. Só os sons funcionaram muito bem comigo. Teria desmaiado pela primeira vez na minha vida, mas sabia que se o fizesse... uma das facas far-me-ia em picado. Passaram-me muitos pensamentos pela massa cinzenta naqueles segundos, como... “Para onde irão enviar o corpo? Quando pedaços terão sobrado? Não assinei para isto!” e “Alguém tire-me daqui!” Também me recriminava... “Kathy,sua tonta! Já devias saber que não ias descansar!” O último pensamento foi, “Quem vai ligar à CBS e à NBC para lhes dizer que não vou fazer aqueles programas televisivos na próxima semana porque fui feita em picado por um Chefe chamado “Elvis”? Isto fez-me despertar. Também não fazia sentido nenhum para mim.

O Mestre Tigre tinha ganho mais uma vez. E a Madame Jaguar estava de pé. Quando terminou e eu tentava uma ténue recuperação e um sorriso fraco (muito fraco), ele riu-se imenso enquanto gritava, “Esta miúdinha corajosa ali paradinha daquela maneira!”... e mais que agora não me consigo lembrar. Estava ocupada a pensar quando era pequena e desejava ter um irmão mais velho que olhasse por mim como muitas das minhas amigas tinham. Fui abençoada com um irmão mais novo muito doce chamado Brent. Embora às vezes Elvis me parecesse um irmão enquanto a nossa relação evoluía em mudanças constantes e foi ficando mais forte, naquele momento ele era o irmão chato que me estava a perturbar. Mas hoje... Claro. Lembro-me daquela noite não com um sorriso forçado, mas com um carinho caloroso por este homem maravilhoso e espetacular.

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