« Regressar

ENTREVISTA COM ELVIS PRESLEY - 03 DE MARÇO DE 1960

   

Local – Fort Dix, Nova Jérsia

Entrevistador – Desconhecido

 

Elvis, posso fazer-lhe algumas perguntas: gostaria de passar mais tempo no Exército?

Se gostaria de passar mais tempo no Exército. Tal com disse, estava ansioso por regressar ao show business. Responderei a isso dizendo que me sinto feliz por ter servido o país durante dois anos e por ter corrido tão bem como correu, mas estou também muito feliz por estar de volta para fazer o que fazia antes.

 

Corre por aí um rumor, Elvis, que está a planear casar-se em breve. É verdade?

Não, senhor. Não espero continuar solteiro para sempre, senhor, só que… acho que isso varia de pessoa para pessoa, a altura em que se pode querer casar. Saberei quando tiver essa vontade.

 

Por outras palavras, é só um rumor. Não tem data marcada.

Não tenho data marcada, ainda estou para conhecer alguém com quem queira casar. Mas quando isso acontecer, não fará diferença alguma se tiver 25 anos, 45 anos ou 70.

 

Muito bem. O que acha que o Exército fez por si, Elvis?

Acho que agora tenho uma melhor compreensão da vida, fiz muitas amizades, como também já disse. Acho que foi uma grande ajuda sob muitas formas.

 

Tem alguns planos imediatos?

Quero ir para casa por um tempo e depois vou gravar alguns discos. E depois vou fazer um espetáculo televisivo com Frank Sinatra, para a ABC, de seguida o filme G.I. Blues para o Sr. (Hal) Wallis e depois disso, mais dois filmes para a Twentieth Century-Fox.

 

Agora que está prestes a ser desmobilizado do Exército, Elvis, acha que dois anos de vida militar fez mudar a sua opinião acerca do rock and roll?

Vida militar? Não, não fez. Não mudou em nada a minha opinião porque eu estive nos tanques durante muito tempo e eles até que estremecem e abanam (rock and roll) bastante.

 

Elvis, você tem uma data de fãs aos gritos lá fora. Ainda gosta de raparigas que gritam?

(Ri-se). Se não fosse por eles, teria de voltar a ir para o Exército, senhor, é só o que tenho para dizer.

 

Elvis, foi dito que gostou tanto do Exército que quer escrever um livro sobre isso. Consideraria voltar a entrar no Exército?

(Ri-se). Não, senhor, nunca pensei em (ri-se)... nunca pensei em voltar a entrar, mas talvez um dia escreva um livro sobre a minha experiência no Exército.

 

Elvis, sente-se feliz por voltar ao normal, ou acha que a sua vida jamais poderá ser normal?

Senhor, se a minha vida ficar normal, terei de voltar a conduzir um camião (ri-se).

 

Elvis, acha que já está um bocadinho velho para os adolescentes de agora?

Essa é a primeira vez que me fazem essa pergunta (ri-se). Não sei. Não me sinto muito velho. Ainda me consigo mexer bastante bem.

 

Sente-se apreensivo com o que pode ser considerado um regresso?

Sim, sinto. Quer dizer, tenho as minhas dúvidas. Não vou comprometer-me em dizer que quero fazer isto ou aquilo porque na realidade não sei. A única coisa que posso dizer é que vou tentar. Irei à luta.

 

Uma mulher disse numa entrevista que você é o homem mais sexy que ela já viu na vida. O que tem a dizer disto?

(Assobia). Estamos a ser filmados?

 

O que nos pode dizer sobre aquelas duas raparigas, uma em cada braço?

São ambas do sexo feminino, senhor. É só o que tenho para lhe dizer.

 

Enquanto esteve fora conheceu algumas raparigas da Rússia?

Não, senhor. Não, desculpe, acho que conheci uma, sim.

 

Que aspeto tinha ela?

Bastante bem feita (ri-se). Mas nada de revistas de cinema.

 

Você parece um pouco magro. Qual é o peso que tem agora?

Baixei para 77 kg e quero mais ou menos manter este peso. Pesava 83 kg quando entrei na tropa. Acho que foi a vida no Exército e não é uma vida má de todo.

 

Do que é que sentiu mais saudades, longe de Memphis?

De tudo! E estou a ser muito sincero. De tudo.

 

Qual é a primeira coisa que quer fazer?

Quero ir para casa e talvez ficar por lá uns dois dias. Depois quero sair e encontrar-me com alguns amigos do velho grupo. Já passaram quase dois anos desde que os vi a última vez. É muito tempo.

 

Está ansioso por sair da farda do Exército?

Não. Agora não era obrigado a estar a usá-la. Mas até gosto desta farda (olhando para o seu relógio de pulso). Já saí do Exército há 42 horas. Sim, 42 horas.

(Falando sobre um alfaiate alemão que por erro acrescentou quatro divisas – indicando um primeiro sargento – quando três divisas teriam sido mais indicadas para Presley, sargento na altura da desmobilização). Provavelmente vou parar à cadeia por causa disto. Foi um erro do alfaiate lá na Alemanha. Foi um trabalho de última hora, feito à pressa. Telefonei-lhe e disse-lhe para coser as divisas de sargento e ele acrescentou uma quarta divisa.

 

Tem planos para tirar a quarta divisa a mais?

Não pensei muito nisso. Acho que não me vão mandar para a prisão por causa disso.

 

Uma vez que nunca fez nenhuma apresentação pessoal enquanto esteve na tropa, continuou a exercitar a sua voz?

Claro que sim. Tive muito tempo para isso quando estava de folga. Passava discos e cantava. Acho que cantei muito mais do que teria cantado se estivesse a trabalhar nisso.

 

Que planos tem para os filmes?

Bem, a minha ambição é desenvolver-me como ator. De certa forma estou desejoso pelo programa com Frank Sinatra. Será a minha primeira apresentação na televisão em mais de dois anos. Claro que vou estar nervoso quando tiver de ser. Já passou muito tempo… muito tempo.

 

Tem-se dito que você afirmou que quer estilizar a sua carreira cinematográfica como Frank Sinatra. É verdade?

Tenho um grande respeito pelo Sr. Sinatra como ator. No entanto, nunca fiz essa afirmação, que quero estilizar a minha carreira como a dele. Quero fazê-lo à minha maneira, mas isso levará tempo e experiência.

 

Está a fazer planos para abanar as ancas quando voltar a cantar?

Vou cantar e vou deixar que os abanões surjam naturalmente. Se tivesse de ficar parado quando canto, sentir-me-ia perdido. Assim não consigo captar nenhum sentimento.

 

Tem alguns planos para a sua vida romântica quando chegar a casa?

Não sei com quem irei sair em Memphis. Estive fora muito tempo. Acho que vou deixar a natureza seguir o seu caminho. Dezoito meses fora de um país é muito tempo. Sob muitas formas foi uma boa experiência. Aprendi bastante. Mas estou contente por estar de volta. Não sei realmente o que me espera. Não estou propriamente preocupado, mas também não me sinto super seguro de mim mesmo.


 

FonteElvis Army Interviews (CD) e From Introduction to Demob (vídeo)

« Regressar