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ENTREVISTA COM CHARLIE HODGE - 09 DE ABRIL DE 2005

      
Legendas: Várias fotos de Elvis com Charlie Hodge, durante a tropa.

Antes de mais, dê-nos uma pequena descrição do seu passado antes de ter ido para o exército e conhecido Elvis.

Bem, eu era como Elvis numa data de maneiras. Sempre quis fazer parte de um quarteto de gospel. E fui para a Stamp School of Music quando acabei a escola e conheci lá um jovem pelo nome de Bill Gather. E formámos um quarteto de gospel, cantámos juntos para aí durante um ano até nos separarmos. E depois trabalhei para outro grupo por um curto período de tempo. E depois fomos trabalhar com um grupo chamado Foggy River Boys na rede televisiva da ABC, no Ozark Jubilee. E precisavam de um cantor principal. Então, contrataram-me a mim. E aos 20 anos, lá fui eu para a televisão. Foi assim que conheci Elvis. Atuámos juntos em Memphis com Red Foley. Ele veio até aos bastidores para conhecer o Sr. Foley e o meu quarteto. E não o voltei a ver até sermos ambos destacados pelo Exército. 

Os Foggy River Boys eram sempre os primeiros sobre o palco para iniciar o espetáculo. Comecei a levar uma caixa de Coca Cola vazia comigo para o palco, para me pôr em cima dela. Eu só tinha 1,60m. Os outros rapazes ficavam muito mais altos do que eu ao meu lado se não me pusesse em cima de qualquer coisa. A caixa de Coca Cola deu um motivo ao público para se rir. Tive-os do meu lado logo desde o início. E foi assim que Elvis e o seu primo, Billy, me viram a cantar no espetáculo do Ozark Jubilee, no auditório em Memphis, mesmo antes de sermos chamados pelo Exército. Elvis viu-me em cima daquela caixa velha, a cantar. A recordação dessa imagem sempre o fazia rir. E Elvis gostava de ter pessoas à sua volta que o fizessem saber que podiam dar mais gargalhadas a este mundo. 

“Toda as pessoas importantes na história têm uma espécie de bobo da corte, ou um cómico, à sua volta,” disse-me Elvis uma vez. E ele sempre teve alguém ao seu lado para o fazer rir. “O cómico pode safar-se a dizer-lhe seja o que for – e ele pode também dizer o que quiser ao seu bobo, pois o fulano não se vai chatear com ele. E essa seria uma parte do meu trabalho para Elvis. 

Fale-nos sobre esse encontro no exército.
Quando o voltei a encontrar, eu estava em Fort Hood. Nunca fiquei posicionado com Elvis. Eu estava na 15ª Cavalaria. E quando soube onde ele estava, fui ter com ele para renovar o nosso encontro. Disse, “Sou o Charlie Hodge. Era o vocalista principal dos Foggy River Boys.” E ele disse, “Ei, homem, costumava ver-te todas as noites de sábado na televisão, sabes?” E acho que a nossa amizade foi algo de natural, pois quando nos encontrámos lá em Fort Hood e depois fomos juntos no navio para a Europa, conhecíamos as mesmas pessoas no campo da música gospel. E da música country. Conhecíamos as mesmas canções gospel. Fomos os dois a cantar juntos até à Alemanha. 

Fale-nos sobre o tempo que você e Elvis passaram nos treinos básicos.
Bem, nos treinos básicos, não o via muito. Tal como disse, via-o por breves momentos nas manhãs de sábado e ele depois regressava, porque vivia fora da base com os pais. Sendo assim, via-o pouco. Mas o George Klein e alguns dos rapazes costumavam ir visitá-lo a casa. E iam até Fort Hood, de comboio, só para se sentar e falar um pouco com Elvis. E foi assim que a nossa amizade começou, a falar de pessoas que ambos conhecíamos na mesma área. Sabe? Como Wanda Jackson, que participava no nosso programa. E ela era a Miss Rockabilly. E Elvis sempre quis namorar com ela, sabe? Então tínhamos sempre muito sobre que falar.

Então, quando Elvis foi para a Alemanha, também estava lá com ele.
Sim, mas mais uma vez, não voltei a ficar posicionado com ele. E uma vez Elvis chamou-me de parte e disse, “Charlie, limita-te a ver o jornal e saberás sempre onde estou.” Bem, na primeira semana consegui sair do posto… eles mantêm-nos em quarentena durante uns tempos quando lá chegamos pela primeira vez e não podemos abandonar o posto. E então lá fui eu até ao Park Hotel. Foi o primeiro hotel onde ele se hospedou por lá. Liguei-lhe da receção e foi o Lamar Fike que atendeu o telefone. E eu disse, “Olá, o Elvis está? Daqui fala o Charlie Hodge.” E o Lamar disse, “Charlie Hodge?” E ouvi Elvis gritar no fundo, “Sim, Charlie, sobe.” E foi assim que nos juntámos depois de irmos para a Alemanha. E depois, todos os fins de semana, durante quase todo o tempo que estive na Alemanha, visitei-o na sua casa. No início foi no Park Hotel. E depois ele alugou o último andar do Grunewald Hotel, um pequeno hotel familiar. Fizemos algumas festas, mas uma vez quase pegámos fogo ao hotel. Uma vez, estávamos a brincar a um jogo, e Elvis fechou-se à chave dentro do seu quarto. Juntámos um monte de papel na porta e pegámos-lhe fogo. Íamos fazê-lo sair por causa do fumo. Foi assim que ele teve de sair desse hotel. E alugou uma casa. E foi aí que ele mais ou menos conseguiu obter um tipo de vida familiar, porque era um lar.

Então, você tocava piano e Elvis…
Passado pouco tempo de ele se instalar, arranjámos um piano. No início só tínhamos uma guitarra. Mas depois ele arranjou um piano. E cantávamos aos fins de semana. Aos domingos ele queria jogar futebol. E então vinha um grupo de rapazes, o Joe e outros, que o acompanhavam. Eu nunca participei, porque era muito pequeno. Magoou-me com facilidade.

Estava presente quando o Joe apareceu pela primeira vez?
Sim, o Joe e eu começámos a ver-nos lá aos sábados, quando ele lá estava. E depois fomos os dois colegas de camarote quando saímos do exército. E depois, claro, ele começou a trabalhar para Elvis. E eu vim da minha casa em Decatur, no Alabama, depois de visitar os meus pais, para ver Elvis, porque ele queria que eu gravasse uma canção com ele para o seu primeiro álbum. Foi a primeira vez que cantámos juntos numa gravação, que saiu no álbum Elvis Is Back. Fizemos um dueto chamado I Will Be Home Again, que era um espiritual de álbum antigo dos Golden Gate. Já tínhamos começado a cantar isso na Alemanha. 


Legendas:
Elvis com Charlie, em 1969, com Priscilla e a pequena Lisa Marie, em 1968.

Então estava também presente na noite em que Priscilla apareceu?
Sim, estava. E quando ela se foi embora nessa noite, quando lá foi pela primeira vez, ele olhou para mim e disse, “Charlie, viste a estrutura do rosto dela?” Disse, “É quase como tudo o que procurei numa mulher.” E o pai dela, naquela altura, era capitão. E eventualmente vários de nós revezávamo-nos para a ir levar a casa à base, quando começou a visitar Elvis. Mas naquela primeira visita, foi uma excitação. Tal como disse, ele ficou completamente encantado, sabe? Só de olhar para ela. E tal como disse, ele comentou logo, pouco depois de ela sair, sobre a estrutura óssea dela.

Então ele limitou-se a ir ter com ela e a apresentar-se?
Sim, Elvis fazia sempre isso. Sim, ia ter com as pessoas. Foi ter com ela e disse, “Olá, sou o Elvis Presley.” Juro que era sempre isso que ele fazia sempre que uma pessoa nova aparecia. Sabe? Ele era sempre muito simpático. Mas também conseguia manter-se afastado sem se misturar se precisasse de o fazer.

E Priscilla ia visitar Elvis com muita frequência?
O pai dela deixava-a fazer as visitas desde que fosse recolhida a uma determinada hora e fosse levada a casa a outra hora determinada. E Elvis, claro, como tinha de se levantar por volta das 05h30 da manhã para a formatura e tudo mais, tinha de pedir ao Lamar ou a outro de nós, ou ao seu pai, para a levar de volta até à base, onde vivia com o pai.

Parecia que você estava lá para realmente o reconfortar e falar com ele.
Não até estarmos no comboio. Sabe? De facto, reconfortei-o durante toda a viagem no navio. Não o voltei a ver desde que a mãe dele tinha ficado doente até ele regressar. Não nos voltámos a ver até estarmos no comboio a caminho de New Jersey. E depois só falámos sobre pessoas que conhecíamos. Mas já no navio, puseram-no na área dos sargentos para que os outros soldados não o perturbassem a pedir autógrafos a todo o instante. E então, foi ele que pediu para que me pusessem ao pé dele. E eu disse, “Bem, não posso limitar-me a aparecer por lá.” Disse, “Tens de pedir ao comandante.” E ele disse que o comandante lhe disse, “Bem, depois de toda a gente estar instalada, sim, ele pode vir até cá.” Então, lá fui para a área dos sargentos com Elvis e por lá fiquei durante toda a travessia do oceano. Organizámos um espetáculo. Normalmente eles fazem três espetáculos por viagem, mas nós fizemos cinco. E Elvis não cantou, mas tocou piano nalgumas das canções que até costumava cantar. E, claro, os olhos de toda a gente estavam postos nele enquanto tocava. Mas eu ouvia-o cantar sempre à noite…

E ouvia Elvis a sonhar.
A caminho da Alemanha, no navio, podia ouvir Elvis a começar a sonhar por vezes, à noite. E eu saía do meu beliche e sentava-me e começava a falar com ele, a brincar um bocadinho, para o pôr mais bem disposto. E depois lá acabava por adormecer. Ele disse, anos depois, “Charlie, se não tivesses sido tu, foste tu que me mantiveste são durante toda a travessia do oceano.” E acrescentou, “Depois fizeste o mesmo pelo meu pai quando lá chegámos,” por causa das piadas que eu contava e tudo o mais. Porque Elvis gostava de me ouvir a contar histórias e a dizer piadas.

Teve uma experiência com Elvis em Paris.
Sim. Fomos até lá. O Lamar Fike telefonou-me e disse que Elvis ia ter uma licença de 15 dias. Disse, “Consegues arranjar uma licença de 15 dias, Charles?” Eu respondi, “Sim, acho que consigo. Vou ver.” Então fui pedir ao meu sargento. E ele disse, “Sim, podes ter licença.” E eu disse-lhe que Elvis queria que eu fosse com ele a Paris. Então, lá fomos. Fomos até a outra cidade durante dois dias. E depois apanhámos um comboio e fomos até Paris. Quando lá chegámos, fomos ter com um tipo que tratava da música de Elvis, o publicista Freddy Bienstock. E um dos proprietários de tudo… Agora não me lembro do nome dele. Seja como for, antes de sequer de irmos para a cama, fomos lá ter cedinho de manhã e eles levaram-nos ao cimo de um monte para ver Paris. Queriam que víssemos isso. E estávamos tão cansados. E estava frio. Ficámos no Prince De Galles Hotel. Fomos visitar um clube diferente enquanto lá estávamos, o Lido de Paris, o Moulin Rouge.

Havia lá um sítiozinho, por detrás do Lido de Paris chamado o Bantou, numa rua traseira. Tem de se passar por todo o edifício para conseguir chegar a essa rua. E era onde todos os artistas da cidade iam ter depois dos espetáculos. Fomos até lá para ver as coisas. Estava lá a Dorothy Kilgallan, a querer uma entrevista com Elvis. Entrámos e lembro-me de ouvir um tipo dizer, “Está ali uma jornalista, a Dorothy Kilgallan.” Elvis disse, “Charlie, tu, o Lamar e o Rex vão lá dentro só para ver o que se passa.” Entrámos e sentámo-nos e nem olhámos para o sítio em questão. Os rapazitos de lá davam um ótimo serviço. Ela disse, “Sei que o Elvis Presley vai entrar.” E eles disseram, “A sério? Quando foi isso?” Sabe? Fizeram aquilo para o proteger. E então, depois de ela ir embora, nós entrámos, Elvis a seguir e instalámo-nos por lá.

E houve outra vez em que estava lá um dos soldados a falar com uma rapariga, ou o que ele pensava ser uma rapariga. Porque uma das pessoas que fazia parte do espetáculo veio ter connosco e disse, “Elvis, aquele soldado, não é uma rapariga que está com ele. É um homem vestido de travesti.” Então Elvis aproximou-se e disse, “Ei, escuta, Ace.” Naquele tempo ele tratava toda a gente por Ace. Disse, “Escuta bem, Ace, não te exaltes muito. Mas é melhor levantares-te e ires-te embora.” Continuou, “Não é uma rapariga que está aí contigo, é… essa com quem estás a tomar uma bebida… é um homem.” E o soldado disse, “A sério, Elvis?” E ele disse, “Sim. Não nos causes nenhum… Limita-te a levantar-te e a ir embora.” Elvis voltou para o seu lugar. E o tipo levantou-se e foi-se embora.

Houve outra coisa. Voltámos lá noutra noite. Fomos ver alguns espetáculos. E houve um tipo que parou de caminhar e disse, “Caramba, tenho de te dizer isto.” Porque Elvis andava sempre fardado quando saía. E o homem disse, “Gostava de te dizer que é muito agradável ver os jovens que estão no exército e que servem o seu país.” Acrescentou, “Acho isso maravilhoso.” E Elvis disse, “Sim, muito obrigado.” E disse a Elvis como se chamava. Disse, “Chamo-me tal e tal.” E Elvis disse, “Bem, eu sou o Elvis Presley.” E o fulano pegou-lhe numa mão, puxou-o para a luz e disse, “Santo Deus, e não e que és mesmo!” Divertimo-nos com isso.

Tivemos uma vez uma situação em que estávamos a sair com algumas das raparigas do espetáculo do Lido de Paris. E numa tarde estávamos numa suite. Elvis acordou. Parecia um banquete para o pequeno almoço. Porque todas aquelas raparigas de espetáculo iam lá ter. Elas chegavam e nós mandávamos vir o pequeno almoço. Quer dizer, mandávamos vir tipo dez dúzias de ovos. Era mesmo como um banquete. E toda a gente vinha e comia. Até recebermos uma chamada dos fulanos no Lido a dizer, “Escutem. Importam-se de mandar as raparigas para cá? Temos de começar o espetáculo dentro de minutos.”

Há mais momentos em Paris que tenham ficado na memória?
Bem, houve uma vez em que o Rex Mansfield, que era um bom amigo de Elvis, veio ter connosco. Ele acabou por casar com a secretária de Elvis. Ele, Elvis e eu costumávamos cantar canções de gospel juntos. Rex era o tenor. Elvis cantava e eu era o barítono. Ou então era Elvis o tenor e eu o cantor principal. Porque ele gostava de cantar em harmonia. Íamos todos na traseira do carro. E estávamos a cantar Beyond The Reef, uma canção desse género. Íamos da Torre Eiffel ao Arco do Triunfo e depois voltámos para baixo e para cima. Sempre a cantar, basicamente as mesmas canções, vezes sem conta. E lá íamos nós outra vez. E até tínhamos reservas no Lido e tudo naquela noite. Mas Elvis parou o carro e disse, “Lamar, vai até lá cancelar as nossas reservas. Vamos cantar por um bocado.” E lá passámos a noite toda a cantar, para cima e para baixo. Ele gostava de fazer coisas deste tipo.

E então como foi estar com Elvis nos Campos Elísios? Não foi aí que ele descobriu que Mario Lanza tinha morrido?
Não me lembro. Não. Mas ficámos num hotelzinho mesmo à saída dos Campos Elísios. Chamava-se Prince De Galle. Era mesmo ao virar da esquina. E era interessante. Disseram a Elvis, “Escute, Elvis, pode passear à vontade aqui em Paris. Porque não é da natureza dos franceses perturbar as celebridades quando cá ficam hospedadas.” Então, pensámos, ótimo. E fomos dar um passeio. Nem chegámos a virar aquela esquina para os Campos Elísios, pois parecia que o próprio Charles De Gaulle tinha chegado. As pessoas avolumaram-se à volta de Elvis. E tivemos mesmo de empurrar até chegar ao teatro, comprar bilhetes e metermo-nos lá dentro. Chamámos o motorista. Ele veio ter connosco às traseiras e atravessámos o teatro até às traseiras do hotel. Isso terminou o nosso passeio em Paris.

Quando foi que Elvis lhe pediu para ir trabalhar para ele?
Isso foi depois de termos saído do exército. E eu fui até Memphis para gravar o álbum com ele, Elvis Is Back. O Joe Esposito já estava a trabalhar para ele nessa altura e era o capataz do grupo, porque o Joe fez algo… Na viagem a Paris à qual eu não fui, o Joe foi com ele. E Joe fez algo por Elvis que nunca ninguém tinha feito. E foi quando alguém pagou a conta ou algo assim, que o Joe começou a recolher todos os recibos. E Elvis disse, “Porque é que estás a fazer isso?” E o Joe respondeu-lhe, “Bem, podes deduzir isto do teu IRS.” Bem, nunca ninguém tinha feito isso por Elvis. Quer dizer, todos os seus amigos e penduras limitavam-se a gastar o dinheiro e a divertir-se, sabe. E assim ele viu nele um homem de valor. E pediu ao Joe para trabalhar para ele.

Quando lá fui ter com ele, eu não estava a trabalhar. Limitei-me a ficar lá em casa. E fomos até Nashville, onde fizemos a sessão de gravação. Depois regressámos e eles foram até à Florida para fazer o espetáculo televisivo com Frank Sinatra. E eu regressei ao Alabama porque queria passar algum tempo com os meus pais. Depois regressei. E fomos gravar uma segunda metade do álbum. E depois Elvis teve de ir para Hollywood para fazer o filme que fez logo depois de ter saído, G.I. Blues. Eu fui até à estação do comboio. Até deixei as minhas roupas na casa dele e tudo. Fui até lá. Elvis olhou para baixo e disse, “Queres ir até Hollywood?” Eu respondi, “Porque não? Mas quero aqui as minhas roupas. Estão em tua casa.” E ele disse, “Compramos-te mais roupas quando lá chegarmos. Mete-te no comboio.” E foi assim que começou.

Pode falar do estúdio da RCA em Nashville, e como era gravar lá?
Bem, eu já tinha gravado no Studio B com Homer e Jethro quando estava com os Foggy River Boys. Tinha estado no Ozark Jubilee e tinha conhecido brevemente Chet Atkins por ter sido convidado durante os meses de verão no programa televisivo de Eddy Arnold. Mas quando lá fomos pela primeira vez, acho que os Jordanaires e outros músicos que lá estavam se deviam interrogar de quem seria aquele tipo novo com Elvis. “O que faz ele?” Sabe? E depois começo logo a cantar com ele. Nunca ninguém cantou um dueto completo com Elvis como fizemos nesse álbum com I Will Be Home Again. E acho que no início estavam todos assim um bocado desconfiados. De facto, acho que o Coronel, até me conhecer melhor, achava que eu ia tentar usar Elvis para avançar com a minha carreira. Porque o Coronel era um homem desconfiado, conhecendo os meus antecedentes por participar no Ozark Jubilee. Mas não tentei usar Elvis.

Como eram as sessões de gravação com Elvis?
Nunca vi uma situação mais descontraída que aquela. Elvis chegava e podia chegar até ao piano e começar a cantar. E talvez os Jordanaires também por ali estivessem, fazíamos qualquer coisa até ele se sentir à vontade, sabe. E então ficava pronto para gravar. Mas nunca mais voltei a ver nada como aquilo em lado nenhum. Normalmente quando nós íamos fazer as nossas sessões para a Decca com Homer e Jethro, era só negócios. Sabe? Entrávamos, gravámos as canções e saíamos. Mas com Elvis era diferente. Chegávamos por volta das 7 ou 8 horas da noite e não começávamos a gravar até serem quase 10 horas da noite. E depois, durava a noite inteira, até cerca das 4 ou 5 horas da manhã, ou algo parecido. E era divertido. Era descontraído. E Elvis tinha à sua volta pessoas que eram muito criativas. Alguém tinha uma ideia, e experimentavam logo para ver se funcionava, sabe? Elvis era completamente aberto a sugestões. Quer dizer, aproximavam-se o mais que podiam do disco de demonstração. Mas também tinham algumas ideias incríveis que eram utilizadas.

Fale-nos da viagem de comboio que Elvis fez até Hollywood. Ele falava de alguns dos filmes que queria fazer? E como é que foi quando chegou?
Bem, sei que até mesmo na Alemanha ele falava que gostava de fazer filmes mais sérios. E eu acho que ele tinha talento para o fazer. Mas quando íamos de comboio para a Califórnia, foi espantoso para mim. Em todas as paragenzinhas, havia sempre montes de pessoas, por todos os Estados Unidos da América. Em todas as paragens. E estavam a acenar quando o comboio passava porque sabiam que Elvis estava algures lá dentro. Isto aconteceu em todas as paragenzinhas até lá chegarmos. E quando lá chegámos, a Los Angeles, puseram-nos em cinco ou seis carros diferentes. E cada carro saiu numa direção diferente. As pessoas não sabiam em qual dos carros Elvis ia, por isso não sabiam qual deles seguir. E depois, claro, fomos para o hotel em Beverly Hills.

Que hotel foi?
O Beverly Wilshire. Bem, é um sítio famoso em Hollywood. Podíamos ir até à cafetaria e ver lá quase todas as estrelas, sentadas a tomar o seu café. Nunca me hei-de esquecer… e claro, já tinha estado além mar e não o tinha visto ali, mas estava lá o Soupy Sales um dia, sentado. E ele disse, “Sou o Soupy Sales.” Mas eu não me lembrava quem era. Disse, “Bem, muito prazer em conhecê-lo. O que é que faz na vida?” E ele era uma grande estrela televisiva. Que foi o que me disse. Eu disse, “Desculpe. Acabei de chegar da Europa, estive dois anos no exército e não sei o que se passa na televisão por cá.” E pedi desculpas. Ele disse, “Não faz mal.”

Elvis nunca ficava muito tempo num hotel até alugar uma casa, pois não?
Bem, ficámos lá por pouco tempo. Havia residentes que viviam naquele hotel. E nós costumávamos fazer batalhas com água. Começávamos com pistolas de água. Mas depois isso só já não chegava. Depois passávamos para copos de água para nos encharcarmos. Depois começávamos a atirar com espuma de barbear, todas as ideias malucas. E acho que uma vez começou a pingar água do teto, sabe. E alguém começou a correr pelo corredor fora. Alguém tinha dado uma guitarra velha e barata a Elvis. E ele atirou com ela para o corredor, e uma senhora tinha espreitado pela porta e voltou a meter-se para dentro, pois passou mesmo ao lado da cabeça dela para se estatelar na parede e partir-se em vários bocados. Bem, não muito depois disso, começámos a procurar uma casa. Acho que não queriam que lá ficássemos durante muito mais tempo.

Qual foi a primeira casa em Los Angeles?
Foi a casa em Perugia Way. Era uma casa redonda, mais ou menos. E podia-se caminhar à volta de todo o jardim dentro da própria casa. Era única. E, sabe, também ficava perto de um campo de golfe. Foi aí que Elvis conheceu os Beatles quando eles vieram até cá.

Que filmes é que acha que Elvis teria realmente gostado de fazer quando regressou do exército?
Bem, lembro-me que uma vez, em Charro, que é um dos filmes em que ele não cantou, tínhamos acabado de regressar ao estúdio depois de filmagens no exterior. Tinham lá a casa, estavam a montar toda uma cena. E Elvis estava parado na ponta do alpendre. Eu aproximei-me. E ele olhou para baixo e disse, “Charlie, estou a começar a sentir este personagem.” Por isso, eu acho que Elvis tinha profundidade para fazer representações mais sérias. Mas o que lhe davam eram sempre musicais de segunda categoria.

Mas Elvis chegou a dizer-lhe que tipo de filmes gostaria mesmo de fazer?
Bem, não posso dizer isso, que tipo de filme ele teria querido fazer, pois tal como toda a gente teria de ver primeiro o argumento para ver se era bom. Podia haver alguém que lhe trouxesse alguma coisa. Mas tudo tinha de passar pelo Coronel, ele é que lhe passava as coisas. E o Coronel… De facto, vou contar-lhe uma coisa. Eu fiz o filme de Dick Clark com Kurt Russell. E a Shelley Winters fez o papel da mãe de Elvis nesse filme. E ela disse que viu o teste que Elvis fez, e que ouviu Hal Wallis a falar com o Coronel Parker. E que ele dissera, “Coronel, achamos que Elvis pode fazer filmes com representações mais sérias.” E era Hal Wallis, o produtor, que dizia. “A não ser que queira continuar a fazer musicais de segunda categoria.” E supostamente o Coronel terá dito, “Bem, são estes musicais que estão a fazer-nos ganhar dinheiro. Por isso, vamos continuar a fazê-los.” E Elvis nunca foi consultado sobre o assunto. E isto foi o que a Shelley Winters me contou nos estúdios quando estávamos a fazer esse filme.

Gostaria de falar sobre alguns sítios onde foram feitas filmagens. Blue Hawaii. Como foi quando vocês foram até lá?
Eu não fui. Nessa altura estava em Vegas a trabalhar em Nevada. Mas ajudei-os com a banda sonora. E depois tive de voltar a Nevada para trabalhar. Foram todos os outros rapazes que foram para o Hawaii. E depois quando regressaram, o Red e eu vivíamos juntos numa casa alugada. E sei que ele convidou toda a gente a aparecer por lá e fizemos uma espécie de luau na nossa casa, lá em Hollywood.

Teve algum filme favorito no qual tivesse trabalhado com Elvis?
Bem, divertimo-nos sempre muito em muitos filmes. Quer dizer, entre as cenas, Elvis e nós, mais uma vez, tínhamos batalhas de água. E fazíamos tudo só para conseguir disparar foguetes, coisas assim. Lembro-me que uma vez Elvis estava a fazer um filme e começámos com uma batalha de água. E eu estava parado mesmo ao virar da rolote. Elvis tinha um camarim que eles levavam sempre paras diferentes zonas de filmagens. E eu estava ali parado à espera que alguém saísse. Bem, o Red West tinha pegado em dois baldes de água e tinha subido para o teto daquele estúdio. E eu ali parado, à espera. E de repente, um balde de água cai-me em cheio em cima da cabeça. Quando olho para cima, o outro cai-me direitinho na cara. Tive de ir ao vestiário buscar uma camisa seca. Pendurei a outra a secar. Cerca de meia hora mais tarde voltei lá, mas ainda estar a pingar. Fizemos intervalo para o almoço. E depois de termos regressado do almoço, a camisa ainda estava a encharcada. Fui-me outra vez embora. Cerca de uma hora depois, voltei lá e estava a pingar. Bem, da última vez que lá voltei, parei e olhei para onde a minha camisa estava pendurada. Elvis tinha uma espécie de bomba, sabe, daqueles que se utilizam para manter as relvas bonitas nos cenários. Mantêm-na molhada para parecer verdadeira. De cada vez que eu me afastava, ele ia lá molhar-me a camisa com essa bomba. Então, foi sempre ele que a manteve molhada o tempo todo. Esse era o tipo de coisa que fazíamos só para nos divertirmos.

Quando é que foi a batalha das tartes?
Sim. Uma vez fizemos isso num filme. Tínhamos um realizador por quem Elvis não sentia um carinho por aí além. Porque Elvis sempre gostou de se sentar e dizer as suas piadas com os amigos. Mas depois ele era capaz de vir ter connosco e dizer que estávamos a tentar fazer um filme. E acho que foi quando Elvis disse, “Escute, o único motivo porque faço estes filmes, por mais idiotas que sejam, é para me divertir um pouco. No dia em que deixar de me divertir, você fica sem trabalho.” Porque Elvis, nos anos 60, juro por Deus, era quem mantinha Hollywood viva. Toda a gente estava a fazer os seus próprios filmes no estrangeiro, em sítios diferentes. E Hollywood estava a sofrer com isso. Tinham filmes. E Elvis era o único que não tinha saído da cidade. Estava a fazer filmes ali mesmo, em Hollywood.

Quais eram as partnaires favoritas de Elvis, tais como Ann-Margret e Shelley Fabares?
Acho que provavelmente a Shelley Fabares foi a sua partnaire favorita. Quer dizer, podia vê-los a começar uma cena, com Elvis a cantar. E havia um P na canção (Puppet on a String). E quando ele dizia o P da canção, o cabelo dela subia… E começavam os dois a rir. E Norman Taurog que, a propósito, era o realizador favorito de Elvis, limitou-se a mandá-los para casa. Disse, “Vamos fazendo outras filmagens. Vão para casa.” E no outro dia regressavam e lá conseguiam filmar. Mas ele adorava fazer coisas com a Shelley. Adorava divertir-se, como fez no filme com a filha do Frank Sinatra, a Nancy, Elvis era muito divertido. Pois. Era muito divertido. Divertimo-nos com Bill Bixby, a fazer filmes no campo com ele. Era tão divertido, sabe, porque Bixby disse que tinha feito My Favourite Martian, e eles costumavam agarrar nas suas bicicletas e sair do estúdio para se afastarem de tudo. E o que nós fazíamos era um intervalo para descansar enquanto esperávamos que eles regressassem. Porque às vezes demorava uns 45 minutos ou uma hora até regressarem para recomeçarmos as filmagens. E essas, por vezes, só duravam três minutos.

E que tem a dizer de Stay Away, Joe?
Nós ganhávamos cerca de 29 dólares por dia como extras no filme. Mas se uma das estrelas nos tocasse, já ganhávamos 100 dólares por dia. Não só isso, como me empurraram para isso, e um deles até me despejou uma cerveja em cima. Por isso, consegui mais um cheque. Mas quero contar-lhe isto. Porque todo os rapazes se tinham tornado extras, menos eu. E Elvis disse que eu tinha de arranjar um cartão de extra. E isto foi quando eu regressei a trabalhar a tempo inteiro depois de ter deixado de trabalhar com Wakely. Por isso vim para baixo, juntei-me ao sindicato, arranjei o meu cartão de extra, fiz tudo direitinho.

Eu estava numa cena. E estava a tocar piano. E Elvis estava a cantar (We’ll Be Together) em espanhol. Que, a propósito, ele me pediu para aprender a cantar foneticamente. E então, quando de manhã ele estava na sala de maquilhagem, eu cantava-lhe tudo foneticamente para ele aprender para o filme. E então lá estava eu de costas para a câmara, a fazer palhaçadas. Estava a tocar… e Elvis a cantar, Juntos estaremos siempre por siempre. E eu estava a cantar como o Louis Armstrong, Juntos estaremos… se repararem bem nessa cena, desmontaram-na toda. Porque Elvis fazia sempre qualquer coisa e rebentavam todos a rir. Depois tinham de editar e montar tudo noutros ângulos. Voltava a acontecer o mesmo, mas ele nunca lhes disse… Limitava-se a voltar a rebentar a rir. Nunca disse ao realizador o que o fazia rir tanto. Mas era eu que estava ali sentado a divertir-me, sabe. E no final dessa cena, ele levantou-se e começou a rir-se, só que no filme não se ouve. E tudo porque eu me levantei e disse, “Caramba, Sr. Presley, isso foi mesmo muito bonito.”

E isso foi na Paramount.
Sim, bem, gostávamos de nos divertir nos estúdios. E tal como eu disse, já tinha estado à frente de um televisor antes e se tentar fazer filmes era assim tão fácil, ao menos ia tentar divertir-me.

Lembra-se de celebridades, tais como Pat Boone e Johnny Mathis, virem visitar Elvis?
Sim. Bem, de facto, eu conheço o Pat Boone há mais tempo do que Elvis. Porque ele casou-se com a filha de Red Foley. E eu costumava namorar a filha mais nova de Red Foley. Por isso, eu e o Pat Boone poderíamos ter sido cunhados. Já conheço o Pat há muito tempo. Sim, ele gostava de Pat e gostava da forma dele cantar. É um estilo diferente. Mas Pat levava uma vida direitinha e era um homem simpático.

Gostava de saber um pouco sobre Pat e Elvis.
Bem, fui à Warner umas poucas de vezes, até à casa de Pat. E convidaram-me para almoçar com eles. Então conheci as meninas quando ainda eram bebés. Mas já os tinha conhecido a eles antes. Sei que sim… Estivemos em Berea, no Kentucky, a terra natal de Red Foley. E Pat também lá esteve para cantar solo. Por isso, já há um tempo que eu e Pat trabalhávamos com ele.

Qual era a opinião de Elvis acerca de Hollywood?
Bem, acho que ele pensava que lá haviam muitas pessoas falsas e esse era um dos motivos de ele querer ter os seus amigos à sua volta. Quando começávamos a filmar, ele queria sempre que todos os rapazes fossem extras.

Elvis e o resto de vocês, rapazes, costumavam sair nesse tempo?
Lembro-me de uma vez o Red West nos ter falado de um clube… que mais tarde veio a ser famoso. Já o filmaram em muitos filmes, o Palomino Club. Da primeira vez de todas que lá fomos, dois ou três homens saíram lá de dentro ao rebolão, sabe? Dissemos, “Oh-oh, é uma luta.” Metemos a primeira mudança e fomos logo embora. Depois, mais tarde, havia um sítio onde costumávamos ir, chamado Red Velvet. E conhecíamos os donos. Elvis não ia lá, mas o resto dos rapazes iam lá com frequência. Era um sítio para eles se descontraírem, e onde também se podiam sentir seguros. Na área do Palomino as coisas podiam ficar um bocado duras. Posteriormente, aquela área viria a ser mais moderna e tudo o mais. E muitas grandes estrelas começaram a frequentá-lo. De facto, foi lá que conheci o James Burton. Costumava lá ir, sentava-me, começava a cantar ou a contar uma piada. O James também vinha e sentava-se, porque na altura estava a trabalhar com o Ricky Nelson. O Glen D. Hardin também lá estava, que era o pianista da casa. E então saiu tudo muito bem porque quando Elvis teve de ir para Vegas, lembro-me de ver o Lamar Fike muito sério. Ele disse, “Quem diabo é que Elvis vai arranjar para guitarrista, porque o Scotty já nem sequer toca?” E eu respondi, “O James Burton.” E ele virou-se e disse, “Tens razão.” E foi assim que aconteceu. Foi assim que isso começou. Porque eu já tinha ido a Reno, a Las Vegas e a Lake Tahoe, a trabalhar para o Harrah’s Club. E eu sabia como montar um espetáculo. Na altura não me apercebia bem disso. Quando chegou a altura de Elvis voltar a atuar em Las Vegas, eu tinha a experiência necessária sobre como organizar os nossos espetáculos. E falávamos sempre sobre o que podíamos fazer em cada número e tudo isso. E a experiência que tive em tournée com Jimmy Wakely deu-me o que precisava para fazer o que fiz por Elvis mais tarde. Já disse isto antes às pessoas. Disse que Deus me pôs… Deixou-me fazer o que eu queria fazer quando comecei, que foi pertencer a um grupo de gospel. E depois ele pôs-me onde me queria ter. Porque lá estava eu na tropa e depois lá fui eu a caminho de Hollywood. E depois lá fui com Wakeley aprender o circuito de Nevada, os ritmos e tudo o que viria a ser necessário para o espetáculo de Elvis.

“Como é que vamos acabar um espetáculo como estes?” disse uma vez Elvis durante um dia, num ensaio. “Seria maravilhoso – e diferente – se acabasses com uma balada tipo Can’t Help Falling In Love,” disse eu. “E depois terminasses com uma música qualquer tipo rock para sair. Dessa forma eles nunca iriam perceber que terminastes o concerto, visto tratar-se de uma balada.” “Lá isso diferente, é, sim senhor,” disse Elvis. Can’t Help Falling In Love tornou-se na sua canção de assinatura, aquela com que ele terminava os espetáculos e que nunca mudou. Lembrava-me de por vezes ter visto Jimmy Wakely a terminar o seu espetáculo com uma balada desse género. Era lindo e agora isso também fazia parte de Elvis.

Priscilla e Lisa

Pode falar-nos sobre quando Priscilla apareceu pela primeira vez?
Bem, ela ainda era muito jovem. E então o combinado foi que ela teria de ficar com os pais de Elvis. E ele trataria de a inscrever numa escola, o que foi feito. Ela recebeu uma boa educação. E não creio que ele lhe tenha tocado até ao dia em que casaram. Acredito nisso com todo o meu coração.

E ainda sobre Priscilla, pode contar-nos sobre quando eles casaram?
Bem, soube que se iam casar porque estava a levar o Coronel de carro para Palm Springs. E muitos dos rapazes pensavam que eu ia para Palm Springs, mas na realidade íamos para Vegas. O Coronel marcou tudo no Aladdin Hotel. E disse-me para não contar nada a ninguém, bem como ao Joe. Ele disse, “Vocês não podem dizer nada.” E assim, ninguém sabia. Quando lá chegámos e estava tudo montado, eu soube que não ia poder ir ao casamento. Porque eles tinham instalado tudo num quarto. E só havia espaço para a família imediata e Joe e Marty com padrinhos de casamento. E isso não me aborreceu, mas o resto dos rapazes ficaram realmente chateados porque achavam que iam todos poder assistir ao casamento. Mas estiveram todos presentes no pequeno almoço do casamento, o que achei simpático. Eu sabia que não ia caber ali toda a gente. Era o Coronel a tentar fazer o que sempre tentou fazer com Elvis, que era evitar que um casamento se transformasse num circo. Ele queria que Elvis tivesse isso. E depois durante o pequeno almoço do casamento, o Coronel pôde controlar a imprensa. Foi tudo muito bem feito. O Coronel sabia o que estava a fazer.

Pode falar-nos da lua de mel em Palm Springs?
Bem, estávamos numa casa moderna, tipo egípcia que na altura Elvis tinha alugado. E lembro-me disto. Estávamos todos a voltar para lá depois do casamento e estávamos por ali. Não me lembro muito do que se passou. Porque na realidade, andava um pouco ocupado com o Coronel e tudo o mais, e alguns dos rapazes também. Senti-me feliz quando tudo acabou.

Depois tiveram outra receção em Memphis.
Sim. Ele fez isso para todos os seus familiares e amigos em Memphis que não tinham podido assistir ao pequeno almoço do casamento. Ele e Priscilla vestiram-se outra vez com a roupa do casamento. E veio toda a gente. E numa coisa desse género, limitei-me a ficar afastado.

Pode falar-nos do Rancho Circle G e como é que Elvis o obteve?
Elvis tinha começado a gostar muito de cavalos, bem como Priscilla. E ele só tinha 13 acres em Graceland para cavalgar. E andavam por ali. Por isso, começou a procurar um sítio. Encontraram este rancho mesmo na linha da fronteira que tinha 165 acres. E o dono estava disposto a vendê-lo. E Elvis comprou-o, para que pudesse lá pôr os seus cavalos. Tinha 165 acres para cavalgar. O rancho também trazia algum gado. E o fulano acabou por pôr uma cerca entre o sítio onde estava o atrelado de Elvis e o resto da quinta. Mas Elvis acabou por vender o gado todo. Foi ali que ele se divertiu mais. Ele adorava sair. Punha um blusão grande e velho, um casaco e um chapéu à cowboy, sabe? Antes de sairmos de Graceland, achei-lhe imensa piada. Ele andava a pôr os nomes de toda a gente nas baias, para saber onde ficavam os seus respectivos cavalos. E ele escreveu, “Papá”. Não escreveu Vernon. Escreveu “Papá, “Priscilla”, “Meu”. Não escreveu lá o nome dele… escreveu “Meu”.

E quando para lá fomos, pela primeira vez, sabe, eles tinham um sítio onde manter os cavalos. E Elvis disse, “Bem, temos de construir um estábulo novo.” E eu disse, “Não, Elvis, aquele estábulo está bom.” Disse, “Só precisa é de ser pintado. Se o pintares de branco, fica porreiro.” E foi o que ele fez. Isso evitou que tivesse de gastar dinheiro a mais, que era sempre o que eu e o Joe andávamos a evitar que ele fizesse. Porque nós víamos logo quando as pessoas estavam a tentar fazê-lo gastar mais dinheiro nas coisas. Uma vez um fulano soube que Elvis comprava Cadillacs a toda a gente. E então, lá foi ele para escolher um Cadillac. Ele veio de lá e Elvis chamou-me ao quarto. Disse, “Ia comprar um carro ao Steve como presente de casamento. Ele quer um Cadillac. O que é que achas?” Eu respondi, “Como salário que ele ganha, ele nem sequer vai poder pagar o seguro, Elvis.” E ele disse, “É o que eu penso. Queria dar-lhe um Pontiac ou algo assim.” Eu disse, “Seria muito melhor.” E então ele acabou por lhe oferecer um Pontiac.

Vocês, rapazes, tomavam conta de Elvis.
Bem, tínhamos de o fazer porque conseguíamos ver as pessoas que… Sim, como daquela vez em que um fulano se divorciou da mulher dele. E ela andava sempre atrás dele a pedir-lhe uma pensão de alimentos. E ele não queria dar-lhe mais do que já dava. Mas, no entanto, andava sempre a dar dicas a Elvis sobre uma casa que queria comprar, calculando que Elvis a comprava para lha oferecer. Nestes casos, dávamos a saber a Elvis o que se passava.

Elvis não chegou a viver num atrelado lá no rancho por uns tempos?
Oh, no racho, a toda a hora. Bem, quando íamos para o rancho, eles tinham lá uma casa centenária que tinha sido restaurada e era linda. Mas Elvis tinha comprado rolotes a todos os rapazes e tinha posto bases de cimento ao longo da cerca. Ele comprou uma rolote para ele e outra para a sua avó. E Alan Fortas, que foi mais ou menos nomeado o capataz do rancho, Elvis deixou que ele e a sua mulher vivessem naquela casa centenária que tinha sido restaurada. E ele vivia na rolote. Foi ali naquela rolote que a Lisa Marie foi concebida.

Lembra-se da reação de Elvis quando ele soube que ia ser pai?
Bem, não me lembro exatamente da altura em que ele mo disse. Lembro-me quando ele disse que ela estava grávida. Porque nessa altura estávamos na casa de Trousdale Estate. Era tudo uma família. Sabíamos que era assim, e a prima de Elvis, a Patsy… conheço o marido dela, o G.G., estava lá a viver connosco porque o G.G. tomava conta das roupas de Elvis e de tudo o mais. E a Patsy era uma companhia para a Priscilla. A propósito, Patsy era prima dupla de Elvis, sabe? Pois dois irmãos casaram-se com duas irmãs. Era mesmo uma família que ali tínhamos, quando nos sentávamos todos à mesa. Os meus tempos favoritos foram passados naquela casa. O Joe e a Joanie costumavam aparecer e sentar-se connosco. Era uma mesa redonda. E o Coronel e o Sr. Diskin apareciam e sentavam-se também. E o Coronel contava algumas das suas histórias de circo e punha-nos todos a rir. Era um tempo familiar mesmo divertido. Era mesmo mais como uma família e não como um clube de rapazes. Foi o meu tempo favorito.

Por isso, acho que provavelmente o Joe e eu soubemos da gravidez antes de qualquer outro dos rapazes. Porque descobríamos estas coisas. Nunca hei-de esquecer quando íamos a caminho do hospital na manhã em que ela sentiu que tinha de ir ter o bebé. E o Jerry Schilling… eu disse, “Jerry, para onde vamos?” “Para o Methodist Hospital,” respondeu ele. E eu disse, “Não, Jerry, é para o Baptist.” E ele, “Charlie, juro que pensava…” E eu interrompi, “Jerry, deixa-me estar errado. E vai lá para o Baptist Hospital.” E no carro, enquanto íamos para o hospital, recebemos uma chamada telefónica. Eu disse, “Liga ao Joe.” Ele estava em Los Angeles. O Joe foi ao telefone e disse-lhe, “Vamos a caminho do hospital.” E ele disse, “Diz-lhe para ela não ter o bebé até eu lá chegar.” E ela não teve. Ele chegou mesmo a tempo, quando o bebé nasceu. Sim.

Tenho a certeza que, quando o bebé nasceu, Elvis se sentiu nas nuvens.
Oh, sim. Oh, sim. Bem, só que… Sabe? Não há nenhuma experiência como aquela. Ela era como uma espécie de minha sobrinha, sabe, porque éramos tão chegados como família. E eu sentia que aquilo era uma espécie de milagre. Sei que uma vez a Lisa Marie me perguntou, quando eu ia buscá-la à casa da Priscilla para a trazer até à casa de Hominy Hills para passar o fim de semana, “Charlie, és meu tio ou quê?” E eu respondi, “Provavelmente sou ou quê.”

Elvis tinha alcunhas para Lisa?
Bem, ele chamava-a Injun e nomes diferentes desse género. O meu para ela era Punkin. De facto, escrevi um livro. E diz na frente, “Para a Punkin.” E a Lisa perguntou-me uma vez, “O que é uma Punkin?” E eu disse, “É uma forma sulista de pronunciar Pumpkin” (abóbora ou, da forma que aqui se emprega, no sentido de Querida). E completei, “E às crianças pequenas tratamo-las por Punkin.” E ela só disse, “Oh,” e não fez mais comentários.

O que é que Lisa mais gostava de fazer em Graceland quando era pequena?
Ela tinha algumas crianças da idade dela com quem brincar. E Elvis dormia o dia inteiro. E ela andava por ali mais ou menos à vontade dela. Quer dizer, fazia o que queria. Lembro-me que as crianças costumavam pegar em Pepsi Colas e metiam açúcar lá dentro, sabe, sacudiam-nas e bebiam-nas, coisas assim. Lembro-me que uma vez a sua Tia Delta, que tomava conta da casa de Elvis, disse, “Charlie, consegues convencer a Lisa a tomar banho?” Completou, “Porque por mim ela não o toma.” E acho que só eu e o Joe éramos capazes de lidar com ela desta forma. Fui ter com ela e disse, “Lisa, vem daí.”
E ela, “O quê?” Eu continuei, “Vem até lá acima. Vou lá acima e vou dar-te um banho. Não o tomas pela tia Delta. Por isso, vou lá dar-te um banho. E quando o teu pai acordar, vou dizer-lhe quem te deu o banho.” E ela disse, “Não precisas de fazer isso, Charlie. Eu tomo banho.”

O Regresso

Elvis estava nervoso por voltar a atuar em Vegas?
Sim, ele já tinha tido uma má experiência no Dorsey Brothers Show. E foi quando Elvis ouviu as mulheres gritarem, que parou por um instante. Bem, na altura, as orquestras e tudo o mais funcionavam ao milímetro. Isso assustou-o. Por isso, quando recomeçámos, tínhamos alguns rapazes que eu conhecia, como o Billy Strange que era… eu tinha trabalhado com ele quando fui convidado no Tennessee Ernie Ford Show e com os seus empresários, no espetáculo televisivo da altura. Eu conhecia o Billy e sabia que ele e Elvis haviam de se dar bem. E quando fizemos o ’68 Comeback pela primeira vez, tínhamos uma orquestra completa e um coro na mesma sala.
E Elvis disse, “Charlie, não sei ler música. Não sei quando devo começar.” Eu disse, “Não te preocupes. Digo ao Billy para se virar para ti quando for a altura de começares.” E disse, “Depois de fazeres isso algumas vezes, vais saber quando é a altura certa para começar.” E ele disse, “Está bem.” Confiou na minha palavra. E eu disse ao Billy. E quando chegou a altura de ele começar a cantar pela primeira vez, o Billy virou-se para ele como combinámos. E depois disso, Elvis ficou à vontade. Voltou a sentir-se à vontade a trabalhar com uma orquestra porque tinha um maestro a trabalhar com ele.

Como foi Elvis a trabalhar com Steve Binder no Especial de 68?
O Coronel queria que isso fosse um espetáculo de Natal. E Steve Binder, durante um período de tempo, a falar com Elvis, disse-lhe o que achava que devia ser e acabou por ser o que se viu. Mas Elvis estava muito sob controlo. Quer dizer, ele sabia o que se passava. E ele conhecia as pessoas e sabia o que estavam a tentar fazer. Como algumas das canções que ele gravou, sentia-se que eram como os filmes que andava a fazer, sabe? Em que o coreografavam e tinha uma cena de luta, coisas assim.

Na primeira parte do ringue, quando fizeram isso pela primeira vez, puseram-nos lá completamente sozinhos. E os fãs estavam a cerca de 30 jardas de distância ou algo assim. E Elvis, falando muito suavemente, disse, “Caramba, não gosto nada de estar assim tão longe do público.” Eu disse, “Bem, é o teu espetáculo. Pergunta-lhes se querem vir até aqui.” E Elvis levantou-se e disse, “Querem vir todos sentar-se aqui mais perto?” E o realizador disse, “Não.” Mas já era demasiado tarde. Já estavam lá todos à volta dele. E isso, bem como o segmento de gospel do Especial de Regresso de 68 foram as partes mais populares.

Já que falamos no especial de 1968, o Coronel acabou por apoiar Steve Binder?
Sim, acabou. Bem, o Coronel lá acabou por cair em si… viu que Elvis estava a concordar com Steve Binder. E o Coronel não parecia querer discordar de Elvis. De qualquer forma, nunca discordavam à frente de ninguém. E então lá se foi lentamente mentalizando. Mas continuou a insistir dizendo-lhes do que tinham de se lembrar. E também os sabia manter à distância. Lembro-me que uma vez o produtor foi ter com o Coronel Parker e disse, “Coronel, acha que pode dizer ao Elvis para usar uma tinta para o cabelo mais clara? É demasiado preto.” O Coronel respondeu, “Acho que não vou fazer isso.” E continuou, “Vamos daí. Vamos regressar aos estúdios.” E saiu. Bem, o tipo foi ter com Elvis e disse-lhe, “Elvis, achas que podias pintar o teu cabelo um bocadinho mais claro? É demasiado escuro.” Ao que Elvis respondeu, “O que queres dizer com ser demasiado escuro? Também não digo nada sobre a porcaria do capachinho que usas nem como te fica tão mal.” E isso fez calar o fulano.

Quando o especial foi terminado, Elvis ficou satisfeito com os resultados?
Sim, ficou. Tal como disse, ele gostou da parte em que estava sentado e do segmento de gospel. Porque essas eram coisas confortáveis de fazer. As outras coisas eram mais como fazer um filme. Porque foram muito mal coreografadas. Mas provavelmente continua a ser o especial televisivo que mais foi visto no ano em que saiu.

O que nos leva a 1969. Você ajudou muito na preparação do regresso de Elvis.
Todos nós ajudámos. Tínhamos um grupo de pessoas, especialmente o Joe e espero que eu incluído, sabiam pensar. Ele não precisava de nos dizer nada. Nós éramos capazes de trabalhar. Então, eu trabalhava com a música e tudo o mais. E o Joe sentava-se a cronometrar as canções, a saber qual era a duração de cada canção. Porque é aí que temos de ritmar os solos, conforme o tempo que temos, e ver quanto soma no final. Então, fazíamos isso, o Joe tratava de tudo sem ninguém ter de lhe dizer nada. E eu fazia o que tinha de fazer, fosse o que fosse. E costumávamos sentar-nos e percorrer as canções para um filme ou uma gravação. E sentávamo-nos a ouvir as canções. Como eu o Red West fazíamos tanta vez. E às vezes o Joe também estava presente e ouvíamos os discos. Porque Elvis não queria ouvi-los todos. Quer dizer, recebe-se cem canções para fazer um álbum com 12. E às vezes recebíamos 200 canções. Nós é que ouvíamos tudo e tentávamos colocar de parte aquelas que achávamos que era boas, razoáveis, terríveis e por aí fora. E Elvis ouvia apenas aquelas que considerávamos boas. E depois escolhia as que achava adequadas para gravar.

E nós tínhamos muitas cenas nos filmes e algumas canções eram boas para os filmes, mas não eram boas para serem passadas na rádio. Tal como a canção intitulada The Walls Have Ears (As Paredes Têm Ouvidos). Tinha de se ver o filme para ver as paredes a tremer e tudo a cair para entender a canção. Isso não se pode ver num disco. E essa era a única coisa má em querer ter de gravar algumas canções para as sessões de gravações dos filmes. E Stay Away Joe foi tão divertido para mim. Estávamos a programar a sessão. E Elvis tinha lá uma longa canção em que tinha de cantar para um touro. Moo, moo, moo, you little foot too. Bem, quando passaram a demonstração, Scotty Moore olhou para Elvis e disse, “Elvis, chegámos a isto?” Pois e Elvis limitou-se a rebentar a rir à gargalhada. Era a canção Dominic.

Em Vegas, no International Hotel, como foi a noite de estreia?
Bem, da primeira vez que Elvis tocou em Vegas, não se saiu lá muito bem. Porque naquele tempo haviam lá muitas pessoas adultas. E os seus fãs eram todos menores e não podiam entrar nos casinos. E ele fracassou. E a Mary Griffin acabou por ser a estrela principal do espetáculo, habituada a cantar com uma orquestra. E assim, Elvis estava preocupado com isso. Mas volto a dizer, quando estávamos a gravar para o especial de 68, ele sentiu-se à vontade com a orquestra. E uma outra coisa que acho que ajudou Elvis em querer regressar aos palcos ao vivo, e às tournées, foi que ele e o Tom Jones ficaram muito bons amigos. E quero mesmo dizer, bons amigos. E ele ia ver o Tom ao vivo lá em Vegas. E pensou, “Bem, posso fazer o meu próprio espetáculo.” Bem, tenho a certeza que ele deve ter pensado isto, muito embora nunca o tenha dito assim. Mas deve ter sido algo que o inspirou e a pensar, “Caramba, acho que posso voltar a tentar.” E o especial de 68 ajudou a abrir caminho.

E também, quando começámos em Vegas, a primeira coisa que fizemos foi ter todos aqueles músicos, como o James Burton. Quando fomos ter com a RCA, a RCA tinha uma lista dos guitarristas mais populares da cidade. E no topo dessa lista estava James Burton. Mas digo-lhes quem é que estava antes dele, era Glen Campbell. E ele tocou nalgumas sessões de Elvis e tornou-se uma estrela nos filmes. Mas o James Burton era o James Burton. E depois era o James que sugeria alguém porque sabia quem era bom nas gravações, quem era bom a tocar baixo. Foi assim que arranjámos o Jerry Scheff. E acho que foi o Jerry que sugeriu o Ronnie Tutt. E tornaram-se todos o núcleo da banda. E a banda era mesmo isto. Ronnie Tutt na bateria, Jerry Scheff no baixo, Glen D. Hardin no piano. No início tivemos outro pianista, o Larry Mahoberac, mas só atuou da primeira vez. E o Glen D. veio depois. Este era o núcleo da banda.

Eu quis ter o outro fulano, o John Wilkinson, que tocava guitarra ritmo na banda… queria equilibrar o aspeto da banda sobre o palco. Porque sem o John lá, ficava tudo muito pesado deste lado e o James ficava para ali sozinho. Não que realmente fosse necessário que eu lá estivesse, ou o John lá estivesse. Mas Elvis queria-nos lá e queria-me lá. E eu queria equilibrar tudo. Porque na minha mente eu visualizava o que as pessoas iam ver. E funcionou. Chegámos a um ponto, durante as tournées finais, em que nem sabíamos que já tínhamos feito tantas canções, mas tivemos mais de 500 orquestrações para canções que tocámos ao vivo. Variou tanto como isto. Com o Coronel, uma vez isto foi interessante.

Elvis tinha alcunhas para vocês todos. Lembra-se dessas alcunhas?
Bem, sei que o Joe era o Charmin Cármen. E todos costumavam dizer isso, exceto Burton, esse tratava-me por Slewfoot. Mas acho que foi uma única vez em 17 anos. Sem ser esta alcunha, foi sempre a outra. Na realidade, Elvis nunca dizia Charlie. Se escutarem com atenção a minha apresentação feita por ele ao vivo, vão ver que ele diz, “E o tipo que toca guitarra e canta mais alto do que eu, é o Cholly Hodge.” Era C-H-O-L-L-Y que ele dizia, Cholly Hodge.

Fonte: Internet.

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