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ENTREVISTA COM HAL KANTER - 09 DE MAIO DE 2006

   
Legendas: Hal Kanter. 

Entrevista com Hal Kanter, argumentista e realizador para o filme de Elvis Presley, Loving You. Antes disso Hal tinha feito argumentos para espetáculos de variedade, evoluindo para peças de teatro e especializando-se em comédias. Fez argumentos para Bob Hope, bem como para a equipa cómica de Dean Martin e Jerry Lewis. Ao longo dos anos Hal Kanter recebeu seis nomeações para o prémio Emmy, ganhando os últimos dois pela sua forma de escrever na cerimónia da entrega dos prémios da Academia. Também escreveu o argumento para o filme bem sucedido de Elvis Presley de 1961, Blue Hawaii, que lhe granjeou uma nomeação como “Melhor Argumento de Musical Americano” por parte da Writers Guild of America.

 

Conte-nos como conheceu Elvis.

Um produtor chamado Hal Wallis pediu-me para vir ver um teste cinematográfico que tinha feito a um jovem chamado Elvis Presley. Já tinha ouvido falar dele, mas nunca o tinha visto trabalhar. Era um grande favorito por entre as crianças e os jovens. Na altura eu não era uma criança muito jovem, mas tinha três filhas. E elas andavam muito entusiasmadas com o facto de eu ir ver um teste cinematográfico, pois nem elas mesmas tinham alguma vez visto algo do género. Seja como for, fui à Paramount e vi um teste de um jovem. E estava com certas reservas em o ver porque não achava que a partir daquilo que eu sabia de Elvis ele fosse ter o que era necessário para o grande ecrã. Achava que ele era uma moda passageira para os jovens, especialmente para as raparigas. Mas fiquei agradavelmente surpreendido com o que vi no ecrã. De facto, agradavelmente surpreendido é como que… isso poderia ser um eufemismo. Na realidade, fiquei espantadíssimo. Nem queria acreditar no que vi no ecrã.

 

Então fui ter com Wallis depois de ter visto o teste e disse, “Acho que é fabuloso. Adoraria fazer um filme com ele.” E depois ele entregou-me um argumento que tinha sido adaptado a partir de uma história curta. E o argumento não era muito bom. E disse, “A tua primeira tarefa é transformar isto num argumento melhor, algo que possamos filmar. Não quererias filmar isto que me deram.” Depois disso fiz um rascunho do argumento que tanto ele como eu aprovámos e de seguida ele mandou-me para Memphis, no Tennessee para conhecer Elvis em pessoa e falar sobre o que íamos fazer juntos. Acho que era o segundo filme de Elvis. Só tinha feito um filme antes. E era um pequeno western para a 20th Century Fox. Elvis veio ter comigo ao aeroporto e levou-me a passear por Memphis, o que levou cerca de 15 minutos. Depois demos entrada num hotel. E veio ter comigo mais tarde para me levar até à sua casa para conhecer a sua família e lá jantar. Aquele era o meu primeiro contacto com Elvis e provavelmente foi uma das tardes mais refrescantes que passei em Memphis, no Tennessee.


Quanto tempo esteve em Memphis, de visita a Elvis?

Cerca de um dia e meio. Por isso é que foi tão agradável.

 

Fale-nos sobre como foi trabalhar com Elvis mal ele veio para Hollywood.

Antes de mais, enquanto estávamos a jantar na casa de Elvis, eis que um cavalheiro bastante espalhafatoso entra de rompante na sala de estar. Era o Coronel Tom Parker. Foi quando o vi pela primeira vez. Ia a caminho de Shreveport, até onde eu iria acompanhar Elvis para o seu concerto de despedida no Louisiana Hayride. Era suposto ser o seu concerto de despedida no Louisiana Hayride. E esse foi um dos motivos principais que me levou até Memphis, não só conhecer Elvis, como também vê-lo em ação e aprender o mais que pudesse sobre o seu método operacional para eventualmente incorporar o que tivesse aprendido no filme. Visto que não só eu tinha escrito o argumento para o filme, agora também ia ser o realizador. Ele não parava de me apresentar às pessoas como o meu realizador de Hollywood, esquecendo por completo que eu me orgulhava mais por ser argumentista do que realizador e, de facto, ainda penso assim. Mas lá consegui conhecer o Coronel e alguns dos seus associados. Depois conheci o grupo de pessoas que iam para Shreveport connosco no carro, em dois carros, para ser preciso. Elvis ia a conduzir um deles. E Bill Black ia a conduzir o outro com Scotty Moore e D.J. Fontana. Fomos de noite pelo Tennessee, atravessámos o Louisiana e chegámos muito, muito cedo de madrugada ao Shreveport Hotel, onde tentámos dormir um pouco.


Fui acordado por volta das 07h30 por montes de miúdos a gritar o nome de Elvis, tentando acordá-lo. Ele acabou por abrir a janela do seu quarto de hotel, inclinou-se para fora e disse, “
Por favor, deixem-me dormir um pouco, pessoal.
Depois vejo-vos a todos mais tarde.” E eles calaram-se. Fiquei espantado com isso. Nunca vi ninguém controlar uma multidão com tão pouco esforço como ele fazia. De manhã fui até à feira de diversões de Shreveport, onde ele ia atuar nessa noite. Foi o Bill Black que me levou até lá. Apontei algumas coisas que decidi incorporar depois no filme. Uma das coisas que realmente me impressionou foi o facto de termos chegado num Cadillac. Bill ia a conduzir. E milhares de miúdos acabaram por reconhecer o carro de Elvis. Amontoaram-se à nossa volta. Eu ia sentado no banco traseiro. Estavam todos a tentar ver quem eu era. E claro que não faziam ideia nenhuma. Todos reconheceram o Bill. Mas não me conheciam a mim. E sacudiam o carro de uma ponta à outra. Foi uma experiência assustadora. Finalmente ele lá acabou por conseguir sair e disse, “Calma, miúdos. É o realizador de Elvis, de Hollywood. Vamos fazer um filme. Todos sabíamos que íamos fazer um filme. Mas eles ficaram para ali parados a olhar para mim e não pude fazer nada. Porque eu nem sequer podia sair do carro se quisesse. Era uma imensidão de gente. Finalmente Bill conseguiu livrar-se deles e uma rapariguinha ficou para trás. Tirou um pedacinho de um lenço de papel do seu corpete, abriu-o, amparou  com a mão e limpou a poeira do carro para cima do lenço, voltou a embrulhá-lo e a metê-lo no corpete. E lá foi ela embora, a sorrir, feliz por ter conquistado um troféu. Nem pude acreditar naquilo, no tipo de adoração do herói que existia naquela multidão.


A noite do concerto foi outra experiência fascinante para mim. Nunca tinha visto tantos flashes de bulbo na minha vida. O local estava apinhado de gente. E o próprio público fazia tanto barulho que nem sequer podiam ouvir o que o homem estava a cantar, pensei eu. Foi absolutamente espetacular para mim. E, de facto, acho que incorporei bastante disso em Loving You. Mas há muitas pequenas coisas que têm a ver com essa viagem que fizemos que incorporei no filme, sobre as quais não vou falar agora. Mas se quiserem mesmo saber mais sobre isso, podem ler o meu livro intitulado So Far, So Funny. Há lá um capítulo sobre Elvis que explica algumas das coisas que agora não estou para lhe explicar.


Continuando. Eu estava a usar uma camisa de veludo preto que a minha mulher me tinha dado antes de ir para Memphis.
E Elvis admirou a camisa. Disse, “Onde é que comprou isso?” E eu disse, “Gostas?” E ele respondeu, “Oh, gosto muito.” Eu disse, “Vou dar-te esta.” E trocámos de camisas. Tirei a camisa e dei-lha. Nem podia acreditar que lhe tinha dado aquela camisa. Sentia tanto orgulho naquela camisa de veludo preto. Fui vestir outra camisa e lá continuámos a trabalhar. Quando ele apareceu em  Hollywood várias semanas depois para começar a ensaiar o espectáculo, trazia aquela camisa vestida. E disse-lhe, “Que camisa tão bonita que trazes vestida, Elvis. Onde é que a arranjaste?” Ele respondeu, “Bem, foi um fã que ma deu.” E eu disse, “Okay.” Mas da última vez que vi aquela camisa, era o seu primo Gene Smith que a levava vestida.

 

Você conheceu os pais de Elvis.

Sim. O pai e a mãe de Elvis, Vernon e Gladys.

 

E a mãe dele disse-lhe alguma coisa sobre o que sentia em você ser o realizador de um filme dele?

Ela não me disse nada exceto que se sentia obviamente muito satisfeita e muito orgulhosa. E ela e Vernon vieram até Hollywood para passar algum tempo com Elvis. E ele perguntou se eles podiam vir até ao estúdio. Eu disse, “Claro que podem.” E apareceram com outro casal, amigos deles de Memphis, que Vernon apresentou como sendo o seu decorador. Mas acabei por descobrir que este homem era pintor de casas. E lembro-me dele porque trazia um chapéu novinho em folha. Não tinha vinco nenhum, um chapéu acabado de tirar da caixa. E andava sempre com ele. E tinha uma camisa branca abotoada até ao colarinho, mas sem gravata. E vi muito poucas pessoas vestidas assim. E fascinava-me. Nunca ouvi o homem dizer uma única palavra. Mas Gladys e Vernon eram também pessoas bastante caladas.

 

E depois de um take… no estúdio, uma noite, estávamos a trabalhar. Tínhamos acabado a cena e estávamos a filmar de noite. E eu disse, “Gladys, enquanto aqui está, porque é que não se põe à frente da câmara e filmamos um bocadinho de si, de si com o seu filho e o seu marido. E amanhã vê as filmagens.” E ela disse, “Oh, não… não sei…” E Elvis disse, “Vá lá, mãe. Vá lá. Vá lá.” Lá acabaram por ir para a frente da câmara. E fizeram qualquer coisa entre eles. O que quer que foi, escapou-me. E quando eu disse, “Corta,” ela disse, “Oh.” Ela ficou tão grata. Sentiu-se muito envergonhada por estar à frente da câmara. Também queria que os seus amigos fossem filmados. Mas eu disse, “Já chega, mais, não.” No dia seguinte viram as filmagens e ela sentiu vergonha de se ver a si mesma. Achava que estava muito gorda e, de facto, estava. Mas Vernon pareceu sentir-se muito bem com as filmagens. Vernon ficou com a sensação que talvez ele também pudesse ser ator, sabe. Mas aquele bocadinho de filmagens é um filme muito valioso, sabe, para os aficionados e doidos por Elvis. Mas nunca ninguém conseguiu encontrá-lo. Acho que ele próprio conseguiu apoderar-se do filme a dado momento e mandou-o destruir. Porque nunca ninguém conseguiu encontrá-lo em lado nenhum.

 


Legendas:
Elvis, com os pais, durante intervalos das filmagens de
Loving You, e com Dolores Hart, sua partnaire.


Lembro-me da cena em que ela está a aplaudi-lo.

Sim. Sim, acabei por usá-los no próprio filme. E se estiverem atentos, podem ver que Gladys e Vernon têm duas pessoas sentadas ao seu lado. E esse é o pintor das casas e a sua esposa. Iam juntos para todo o lado. Pareciam ser uma espécie de apoio moral ou guarda costas ou… não sei. Nunca vi os Presleys sem estarem na companhia daquelas pessoas.


O que é que achou do Coronel Parker?

A impressão com que fiquei do Coronel Parker foi que era um homem muito mais interessante que o próprio Elvis. Achei-o absolutamente fascinante. Era um dos homens mais vivaços para enganar os outros que já conheci na vida. E era notável. Acho que sou capaz de falar acerca dele durante duas ou três horas e você ia gostar de me ouvir. Mas não vou fazê-lo. Porque na realidade acho que ele foi o principal contribuidor para a queda de Elvis, no meu ponto de vista. Seja como for, não deveríamos fazer isso. Destruir tudo isso. Não. Não… o Coronel Parker foi um homem que tinha os melhores interesses de Elvis sempre em mente. Mas ele tinha os melhores interesses de Tom Parker mais em mente do que os de Elvis, é a minha opinião.

 

No último dia das filmagens, decidi dar uma festa ao elenco. E tratei de tudo para ter um dos cenários de um filme que Cornell Wilde estava a fazer na altura. Ele tinha acabado de filmar naquele cenário, um cenário de clube noturno. E perguntei-lhes, “Por favor, deixem esse cenário ficar como está, para que possamos aí dar a nossa festa.” E paguei por tudo. A última cena a filmar foi com Elvis e Liz Scott. E aos poucos, conforme o trabalho ia terminando, o pessoal do elenco começou a ir para a festa. Quando o trabalho acabou de vez, Elvis, Liz e eu atravessámos o palco. E a festa estava animada. E estava lá um fulano com um cartaz enorme que dizia, “Elvis e o Coronel, obrigado a todos.” E lá estava ele, a dar fotografias autografadas de Elvis, sabe. Também estava a dar bilhetes de lotaria, porque ia fazer um sorteio de um álbum de Elvis e de um fonógrafo que tinha sido oferecido pela RCA, pelo que sei. E aquela festa de elenco que me custou vários milhares de dólares do meu próprio bolso, transformou-se na festa de Elvis de despedida ao elenco e equipa. Isso era típico do Coronel.

 

Cerca de sete anos depois, a minha mulher e eu fomos até Palm Springs. E tínhamos um encontro para ir jantar fora. E enquanto ela estava a preparar-se, eu disse, “Encontro-te lá em baixo no bar. Quero beber qualquer coisa antes de irmos ter com os nossos amigos.” E enquanto estava lá sentado, vi um homem que julguei ser Tom Parker e Tom Diskin, o seu consorte, não sei exatamente qual era a função dele. Mas digamos que era seu assistente. Seja como for, era Diskin e Tom e mais duas mulheres que não reconheci. Na altura Tom ia a caminhar com uma bengala, com a qual nunca o tinha visto antes. E tinha engordado bastante. Pararam perto do mestre das cerimónias e entraram para jantar. Então, chamei o mestre das cerimónias até ao bar e disse, “Aquele era Tom Parker?” Ele respondeu, “Sim.” E eu disse, “Poderia mandar-lhe uma garrafa de vinho, Lancer’s Rose, com os cumprimentos de Hal Kanter? Ponha na minha conta.” E dei-lhe o meu número de quarto. Ele disse, “Sim, senhor.” E foi-se embora. A minha mulher desceu e disse, “Bem, podemos ir embora. Já estamos atrasados.” E eu disse, “É só um momento.” E contei-lhe o que tinha feito. Disse, “Quero obter alguma reação, ver o que o Coronel vai dizer.” Finalmente o mestre das cerimónias ignorou-me por completo. Fui ter com ele e disse, “Desculpe. Chegou a mandar aquela garrafa de vinho ao Coronel?” Ele respondeu, “Sim. Mas não mandei o Lancer’s Rose. Ele não bebe esse vinho. Bebe tal e tal, já não me lembro do nome. Um vinho muito mais caro.” E continuou por dizer, “Mandei pôr na sua conta, senhor.” E eu disse, “Bem, e que disse ele? Não disse nada?” Ele respondeu, “Sim, disse, ‘Este homem é obviamente um impostor. Pois se fosse o verdadeiro Hal Kanter, mandar-me-ia uma caixa de garrafas de vinho.’” Tom Parker era assim. E agora, quer ouvir mais histórias sobre ele? Então teremos de falar noutra altura.


Tem algumas recordações de Blue Hawaii?

Tenho muito, muito poucas recordações de Blue Hawaii, porque não fui o realizador do filme. Apenas escrevi o argumento. E voltei a reescrever o argumento. Nunca ouvi Elvis falar sobre o filme. Acho que só o vi uma vez. Fui até ao estúdio. Acho que era o Michael Curtiz que estava a realizar o filme. Mike Curtiz ou Norman Taurog. Seja como for eu estava no estúdio um dia. E dissemos, “Olá, com vai?” “Como vão as coisas?” “Bem.” “Como está o Exército?” “Bem.” “Como foi?” “Foi bem.” “Foi bom voltar a vê-lo.” “Igualmente.” “Cuide de si.” “Assim o farei” e “Adeus.” Foi apenas isso. Naquela altura ele já era um rapaz diferente. Não era o mesmo rapaz do campo divertido, feliz, doce e jovem que eu tinha conhecido quando o vi pela primeira vez.


Acha que foi possivelmente porque tinha perdido a sua mãe e tinha estado na tropa?

Possivelmente. Poderia ter sido. Poderia, sim. Mas realmente não voltei a prestar muita atenção ao que lhe aconteceu, porque tinha outros interesses e, obviamente que ele também.

 

Qual foi a última vez em que viu Elvis?

Não tenho a certeza. Não me lembro da última vez que o vi. Cheguei a ver Tom Parker em várias ocasiões. E estava sempre a tentar convencer-me a conseguir-lhe algo de graça. Queria que eu escrevesse a sua autobiografia, ou a sua biografia. Eu disse, “Bem, se for eu a escrevê-la, já não é uma autobiografia. Bem, poderia ser, se fosse você a contar-me a história para a escrever.” E ele disse, “Se escreveres a minha biografia, vais ganhar muito dinheiro. Será um best-selller instantâneo.” Ele disse que sabia que ia ser um best-seller. E eu disse, “Como é que pode saber isso?” Ele respondeu, “Porque vou vender publicidade do livro.” Eu disse, “O quê?” Ele disse, “Sim, o livro vai… Já vendi a contracapa à RCA.” E acrescentou, “E venderei a capa à Paramount Pictures.” Continuou por dizer, “Por isso o livro já está pago. Desta forma, cada cêntimo que vier é lucro puro.” E acrescentou, “E também já tenho um título para o livro.” E eu perguntei, “E qual é?” Ele respondeu, “O título é ‘Quanto Custa se For de Graça?’” Eu disse, “É um bom título. Podíamos falar em fazer um filme sobre a sua vida.” E ele disse, “Muito bem, vamos fazer isso.” E eu disse, “Tenho o tipo ideal para representar o seu papel.” E ele perguntou, “Quem é?” Eu respondi, “W.C. Fields.” Ele disse, “Muito obrigado” e nunca mais me voltou a mencionar o assunto.

 

Ele não se esquecia de nada, pois não?

Pois não. Pois não. Mas era um personagem e tanto. Acho que um dia alguém vai fazer um estudo maravilhoso acerca dele e isso dará um excelente filme.

 

Há mais alguma coisa de que se lembre que o Coronel quisesse que fizesse?

Queria que eu escrevesse algo para Elvis. E agora já não me lembro o que era. Teve uma ideia de que Elvis poderia fazer algo espiritual. E eu disse, “Veio ter com o homem errado.” Disse, “Não consigo escrever sobre coisas espirituais.” Queria umas letras tipo espirituais. Disse, “Não escrevo letras. Quem faz isso é outra pessoa.” Ele disse, “Bem, não quero que sejam letras de canções. Quero apenas que seja lírico, mas não letras, algo que possamos dizer com importância.” E eu disse, “Vou pensar nisso.” Mais uma vez, não me voltou a falar no assunto. Mas também lhe disse logo no início, “Teremos de discutir números.” E acrescentei, “Detesto falar em assuntos de dinheiro, por isso terá de falar com o meu agente. Que tal?” Ele respondeu, “Preferia falar contigo.” E eu disse, “Eu sei que preferias, mas eu prefiro que fales com o meu agente.” Nem sei se ele alguma vez o chegou a fazer. Acho que ficou esquecido. Seja como for, era algo que nunca quis fazer desde o início.

 

O que é que acha que Elvis tem que faz com que os seus fãs continuem a gostar dele?

Acho que, antes de mais, era um talento único. Ao princípio tive uma opinião muito má acerca dele. Acho que a maior parte das pessoas da minha idade não o entenderam. Era um talento unicamente original porque ele combinou o que havia de melhor na música negra com o que havia de melhor na música country. E o resultado foi ser único. Era invulgar. Não somos capazes de nos esquecer dele. Mal sejamos expostos à sua música, é muito difícil de esquecer o homem por detrás dela. Eu achava a sua música única, única e original. Era um homem original, muito embora muita da sua originalidade fosse eclética porque tirou algo daqui e algo dali. Acho que ele não tinha consciência do facto de ter tirado algo a outras pessoas. Era algo de inato, algo tão genuinamente lírico em torno daquele homem que, ao ouvi-lo, prestávamos-lhe atenção e não éramos capazes de o esquecer. E sempre achei que também ali estava um bom ator. E acho que com tempo e com melhores argumentos, com mais retenção e menos confiança depositada apenas no dinheiro, nas letras das canções para cantar, poderia ter sido um ator soberbo. Poderia ter feito uma data de outras coisas que nunca pôde fazer enquanto esteve sob a tutela de Tom Parker.


Há alguma coisa que queira dizer aos fãs de Elvis?

Apenas o que posso dizer aos fãs de Elvis é Deus abençoe os vossos corações e quaisquer outros órgãos que tenham que continuam a apresentar-se ao serviço.

 

Fonte: Internet.

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