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ENTREVISTA COM BILLY SMITH - 12 DE FEVEREIRO DE 2006

      
Legendas: Billy Smith; Billy Smith sentado ao colo do Coronel Parker, num intervalo das filmagens de Frankie and Johnny e Junior Smith com Elvis, em Nova Iorque, mais o seu par, em 1956 (Junior está sentado atrás de Elvis).
 

Billy Smith foi primo em primeiro grau de Elvis, filho do irmão mais velho de Gladys Presley. Billy era 8 anos mais novo que Elvis e cresceu com ele em Tupelo. A família de Billy também foi com os Presley quando se mudaram para Memphis. Quando Elvis comprou Graceland, a família de Billy também se mudou para lá e o seu pai, Travis, trabalhou para Elvis como Chefe da Segurança. Quando Billy ficou com idade suficiente para isso, começou a trabalhar com a equipa da Máfia de Memphis.

 

Uma vez casado, ele e a sua mulher, Jo, passaram a viver nas traseiras de Graceland, exceto durante alguns anos em que Billy trabalhou no caminho de ferro. Eram uma verdadeira família e ficaram na companhia de Elvis até ao último dia da sua vida. Sendo ele tanto um elemento da família como da Máfia de Memphis, Billy Smith foi provavelmente o amigo mais próximo que Elvis teve na vida. Billy vive no Mississippi e ainda trabalha como especialista de máquinas numa empresa do ramo metalúrgico.


Billy Smith, Marty Lacker e Lamar Fike estiveram recentemente envolvidos no relançamento do excelente livro Elvis & The Memphis Mafia. Com quase 800 páginas, o livro é justificadamente criticado como sendo um dos melhores livros alguma vez escritos sobre Elvis. A EIN recebe regularmente perguntas sobre Billy Smith e a sua vida com Elvis, por isso, agradecemos-lhe com sinceridade tirar um pouco da sua vida atribulada para responder a esta longa entrevista. Aqui Billy fala sobre a sua família, a Máfia de Memphis, os anos no cinema, como foi conhecer os Beatles e muito, muito mais.

 

A Família


Qual é a recordação mais antiga que tem de Elvis? Lembra-se de Elvis cantar para si ou para a família antes de ficar famoso?

Lembro-me muito bem de ele cantar imenso para a família e outras pessoas. Sempre teve uma paixão pela música, desde tenra idade. Lembro-me bem de, quando ainda era miúdo, Elvis me ter tirado de um caixote do lixo! Caí mesmo de cabeça lá para dentro. Eu era pequeno e estava a tentar retirar algumas bananas que o homem da frutaria tinha deitado fora. Elvis viu-me a cair enquanto passava e foi lá tirar-me!

 

Como a maior parte das pessoas sabem, o pai de Elvis, Vernon, foi para a cadeia por forjar um cheque. É verdade que o seu pai também foi para a penitenciária, mas que o avô de Elvis pagou a fiança para Travis sair e deixou lá o próprio filho? Isso parece muito estranho.

Bem, é verdade que o meu pai, Travis, foi para a penitenciária com Vernon, mas Vernon saiu da prisão uns meses antes do meu pai por bom comportamento. Quando isso aconteceu da primeira vez, o avô de Elvis tirou o meu pai da cadeia, mas deixou lá ficar Vernon. Ele disse que era para lhe ensinar uma lição.

 

Quando chegou pela primeira vez a Memphis, viveu na mesma casa que os Presley, em Washington Street. Do que se lembra desse tempo e quão diferente era de Tupelo? Lembra-se de como a mudança para a cidade afetou Elvis?

Bem, para começar, tínhamos canalização! Isso era muito diferente. E lembro-me que levou tempo até toda a gente arranjar emprego e que um dos primos do meu pai roubou todo o dinheiro que tínhamos e as meias novas do meu pai. Ficou mais chateado e zangado por causa das meias. O tio Vernon e o pai procuraram emprego e até gastaram as solas dos sapatos só nisso. Lembro-me de os ver a cortar cartão para pôr dentro nos sapatos para tapar os buracos. Tivemos de comer nabos durante um mês. Elvis jurou que nunca mais tocaria num nabo depois disso e acho que realmente nunca mais o fez.

 

Talvez que a casa mais famosa onde Elvis morou antes de ficar famoso seja o apartamento de Lauderdale Courts. Muitas vezes fala-se de Elvis ter ensaiado com Johnny Burnette e o seu irmão por volta desta altura. Lembra-se de alguma coisa sobre isto e teve a sorte de ir ver Elvis a tocar ao vivo com uma espécie de banda de rock’n’roll?

Não me lembro de nada sobre ele a ensaiar com Johnny Burnette ou o seu irmão. Quanto a mim, isso nunca aconteceu. E, sempre que podíamos, íamos sempre vê-lo, especialmente perto de casa. Elvis sempre foi o meu herói. E sempre fomos amigos próximos, mesmo apesar da diferença de idade de oito anos. Ele sempre cuidou de mim e eu sempre quis estar com ele.


Lembra-se do que aconteceu até Elvis gravar o seu primeiro disco, ou de ensaiar com Scotty Moore e Bill Black? Era falado entre a família, ou foi uma surpresa para vocês quando subitamente estava na rádio?
Ele ensaiava, mas era no estúdio. Falava no disco com os seus pais, e sabíamos que ele ia gravar um, mas quando saiu, ficámos entusiasmadíssimos. Lembro-me da minha família ter ido até à casa dele para ouvir o disco passar na rádio daquela primeira vez.

 

O que nos pode dizer sobre a sua tia Gladys? Do ponto de vista exterior, ela parece muitas vezes triste, pois tem sempre esse ar nas fotos que se tiraram a Elvis depois de ele ficar famoso.

A tia Gladys era uma boa pessoa. De facto, lembro-me dela como sendo uma pessoa extrovertida, divertida e amorosa… Andava sempre a rir-se e a brincar. Mas nessas fotos dos seus anos finais, ela parece mais triste porque já estava doente, bem como triste por saber que Elvis tinha de ir para o Exército. Ela era generosa como Elvis, mas também tinha um temperamento difícil. Elvis e Vernon sabiam muito bem quando tinham de se afastar depressa. Ela preocupava-se muito e não estava bem de saúde. Sempre foi muito chegada à família, mas Elvis era o seu coração. Adorava-o.


Elvis era um homem espetacularmente atraente.
Supostamente algumas das suas características deviam-se ao facto de ter tido uma índia Cherokee do vosso lado da família. Sabiam alguma coisa sobre isto quando eram pequenos ou alguém contava histórias sobre Morning White Dove, a vossa avó em quinto grau?

Sim, Elvis era um homem atraente. O nosso avô era um homem atraente. O meu pai (Travis), a minha tia Gladys, tia Clettes, tio Johnny e tia Lillian, todos têm aquele ar Cherokee… pele escura, olhos escuros e ossos faciais elevados. A tia Lavelle e o tio Tracy pareciam-se imenso com o pai deles… olhos azuis e pele clara. Ouvimos contar histórias sobre Morning Dove, mas não tanto assim. Mas sempre nos disseram que ela tinha sido uma linda mulher.


É óbvio que Elvis era temperamental. É verdade que a sua tia Gladys tinha o mesmo feitio?
Alguma vez viu o lado mau da sua personalidade?

Sim. Elvis e a tia Gladys tinham um temperamento difícil e vi o lado mau de ambos quando estavam zangados ou preocupados. Elvis tinha muita dificuldade em esconder se algo o perturbava.

 

E que dizer de Vernon? Será que ele era assim mesmo tão preguiçoso como tantas vezes o pintam? E pode fazer algum comentário sobre uma citação retirada do livro Elvis & The Memphis Mafia que “Vernon sempre queria mais de tudo, exceto responsabilidade”?!

Ele nunca gostou de trabalhar. E chegava muitas vezes atrasado ao trabalho. Só trabalhou nuns dois sítios antes de Elvis ficar famoso, ao contrário da tia Gladys, que trabalhou em variadíssimos locais antes de Elvis ficar famoso.


A mim sempre me pareceu que Elvis ter contratado Vernon como seu gestor financeiro foi um erro terrível. Se Elvis tivesse utilizado um supervisor financeiro formado que soubesse como investir, não teria de ter trabalhado tanto nos seus últimos anos de vida.

Numa coisa que o tio Vernon era bom era em números, especialmente se os cifrões estivessem à frente deles! E Elvis confiava nele. Ele olhava mesmo pelos melhores interesses de Elvis e dos seus.

 

Mal Elvis comprou Graceland, mudou-se para lá com a sua família?

O meu pai, Travis, foi o primeiro guarda de portões que Elvis teve. Por isso, quando nos mudámos para Graceland, Vernon pediu ao meu pai para ser o chefe de segurança dos portões, tal como já havia sido na casa de Elvis em Audubon Drive. Nós vivíamos numa grande casa branca que ficava na propriedade. Era a mesma casa que Elvis e eu deitámos abaixo com um bulldozer para arranjar mais espaço para podermos andar a cavalo.


Poucos fãs sabem a história do seu tio, Tracy Smith. Por favor, partilhe essa história connosco.

O tio Tracy teve uma febre quando era criança e isso fez com que ficasse com um desenvolvimento cerebral lento. Tinha o raciocínio de uma criança de 12 anos, mas era um homem bom. E tinha uma força inacreditável. Às vezes Tracy ficava nos portões com o pai e fingia que era um guarda dos portões. Ele vivia connosco naquela casa por trás de Graceland. A tia Gladys cuidou dele enquanto viveu e depois da sua morte, viveu connosco, depois com algumas das suas irmãs. Ele adorava Elvis e Elvis fez com que nunca lhe faltasse nada.

 

Pode contar-nos um pouco sobre Junior Smith, o seu outro primo? Como era o seu relacionamento com Elvis?

Junior Smith era o irmão mais velho de Gene e o seu nome verdadeiro era Carroll. Ele aparece muito naquelas fotos tiradas por Alfred Wertheimer, da viagem que Elvis fez a Nova Iorque. Ele era sisudo e perturbado devido ao que lhe aconteceu enquanto esteve no Exército, na Coreia. Lembro-me dele como sendo uma pessoa nada amigável, e andou sempre muito perto de Elvis até Elvis ter ido para o Exército. Junior era parecido com o ator Jack Elam. Tinha as suas expressões e até tinha um olho com problemas, como Elam. Elam sempre teve aquele ar de que estava prestes a fazer alguma coisa má às pessoas. E Junior também! Junior estava deitada na minha casa, na minha cama, quando morreu. Isso foi em 1960.

E o seu irmão Bobby, também não morreu ainda muito novo?

Sim, o meu irmão mais velho, Bobby, morreu em 1968. Na altura eu estava a morar no Circle G, quando não estávamos em Los Angeles. O Bobby e eu estávamos sempre apenas a uma milha ou duas de distância de Elvis… crescemos com ele e mudámo-nos para Graceland ainda adolescentes. Lembro-me que uma vez Elvis levou-nos a fazer compras e comprou-nos um guarda roupa completo pouco depois de irmos para Graceland. Consegue imaginar como nos sentimos por morar num sítio como aquele?

 

E que tem a dizer de Gene Smith? Ele parecia ir e vir conforme lhe apetecia. Ainda é vivo?

Gene era primo de Elvis em primeiro grau. Era irmão do Junior. Elvis e Gene tinham praticamente a mesma idade e eram chegados, especialmente nos primeiros anos. Elvis e Gene até trabalharam juntos na Precision Tool. Gene trabalhou para Elvis durante alguns anos e foi um dos elementos originais da Máfia de Memphis, bem como Red West e Junior. Gene morreu há poucos anos.

 

O primo Billy Mann. No livro Elvis & The Memphis Mafia sugere-se que foi ele que tirou a fotografia de Elvis dentro do caixão. Isto parece ser mais do que uma coincidência, uma vez que já em 1957 ele também esteve envolvido num incidente que envolveu notas de 1.000 dólares. Pode confirmar a história?

Sim, Billy Mann foi quem tirou a fotografia de Elvis dentro do caixão. (Nota da EIN – a história completa sobre Elvis testar a honestidade de toda a gente está contida neste livro. Escusado será dizer que Elvis soube que foi Billy Mann que falhou o teste em 1957).

Billy, você teve um relacionamento particularmente especial com Elvis e era mais próximo dele do que qualquer outro elemento da Máfia de Memphis. Por favor, fale-nos disso.

Sempre fui chegado a Elvis, mas eu era seu familiar. Muitos no nosso grupo foram chegados a Elvis, numa ou outra altura. Eu sempre estive próximo de Elvis, desde criança. Ele sempre pareceu querer-me ao pé dele e sempre me protegeu muito. Sempre gostei muito de Elvis e era capaz de fazer tudo para lhe agradar e estar com ele. Podíamos falar de tudo e falávamos! Ele sentia-se à vontade comigo e confiava em mim. Pelo menos, sempre me disse que sim. Quando ele ficava doente, normalmente eu ficava com ele. Normalmente ia para o hospital e ficava lá com ele. Tinha imenso respeito por ele. Ele fez imenso por mim e pela minha família nos primeiros anos e pela minha família nos anos finais. Sempre me disse que me amava. Talvez porque eu também tenha estado onde ele esteve antes de tudo ter acontecido e esse era o nosso elo de ligação… éramos família. Ele era o meu herói.

 

O seu relacionamento com Elvis está provavelmente mais bem simbolizado na “Promessa”. Como é que isso surgiu?

A promessa surgiu porque tivemos um acidente quando éramos miúdos e jurámos nunca falar disso a ninguém. Prometemos um ao outro. Mais tarde Elvis contou a alguém e isso magoou-me imenso e ele soube. Ele decidiu provar-me que isso não voltaria a acontecer e foi assim que a promessa surgiu. Era um facto sabido entre os rapazes que Elvis não era capaz de guardar um segredo, mas se fosse algo realmente importante, não contava a ninguém. Nunca mais me voltou a trair. Nem eu a ele. Não sei de onde é que aquilo surgiu ou se foi Elvis que a inventou. Mas sabia-a de cor e dissemo-la várias vezes para eu a poder decorar. Depois disso chorámos os dois como dois malucos e hei-de sempre lembrar-me disso. Os dois primeiros versos eram assim... “É apenas uma simples palavra, sabes, para entrar nem sequer precisas de chave. Para mim que sei, que sei bem e para ti que não, nunca poderás contar. Enquanto coloco a minha mão sobre o teu coração e tu colocas a tua sobre o meu. A partir de hoje, as nossas mentes, as nossas almas, os nossos corações interligar-se-ão.”


Penso que foi você que trouxe Jerry Schilling para o grupo. Ainda o vê ou mantém algum contacto?

Vi o Jerry no funeral do Richard Davis há dois anos atrás. Todos os rapazes do nosso grupo eram extremamente próximos. Éramos como irmãos. Alguns mais do que outros, mas ajudávamo-nos mutuamente, custasse o que custasse. Era um elo muito forte e Elvis era o centro de tudo. Todos nós o amávamos e tínhamos um trabalho a fazer. Alguns faziam-no melhor do que outros, mas cada um de nós tinha um propósito. Falei com Elvis sobre contratar Jerry. O Jerry sempre foi simpático para mim, para a minha família, mãe e pai, e irei sempre recordá-lo por isso.


Há histórias sobre Joe Esposito ser pago tanto por Elvis como pelo Coronel Parker e que o Coronel Parker o usava para espiar Elvis. Pode dizer-nos se isto é verdade?

Não sei se o Joe era pago pelo Coronel. Mas o Coronel tentava obter informações de nós todos. O Joe era capaz de tolerar o Coronel melhor do que alguns dos outros.


Qual é a sua opinião acerca de Larry Geller?

O Larry Geller é porreiro. Não concordo com algumas das histórias que conta, mas o Larry esteve presente por uns tempos. Ele parece lembrar-se da importância que teve melhor do que alguns dos outros rapazes se lembram. Mas para quê estragar o seu sonho? Tal como disse, todos tinham um trabalho a fazer. Larry era o seu cabeleireiro.

 

Em meados dos anos 60 Elvis parecia ter uma nova necessidade de exploração ou interesse. Ler parece ter sido uma das suas maiores preocupações. Qual era a sua opinião em relação à busca pessoal dele e às visitas que fazia ao Parque de Auto Realização?

Elvis adorava ler. Tinha uma sede por aprender coisas novas. Ficava deslumbrado com algumas das suas descobertas e certificava-se de que nós todos tínhamos conhecimento delas. Passámos dias dentro de casa a ler e a estudar. Elvis era muito inteligente. Elvis gostava do Parque de Auto Realização. Disse que lhe dava paz de espírito e, se dava, bem, isso era bom. Ele merecia ter paz de espírito. Elvis nunca mudou a sua crença em Deus ou Jesus Cristo. Falávamos imenso acerca de religião. Mas ele também nunca criticou as outras religiões. Elvis era uma pessoa com uma mente muito aberta.

É verdade que em 1977 Elvis lhe pediu para se tornar no seu braço direito e que considerou livrar-se do Coronel de uma vez por todas e até de Joe Esposito? Elvis estava a falar a sério sobre mudar as coisas?

Elvis chegou mesmo a pedir-me para ser o capataz e falou sobre livrar-se de uma data de gente. Sei que Elvis adorava o Coronel, mas também se ressentia de ele o impedir de fazer certas coisas que ele queria fazer. Uma delas era fazer uma digressão pela Europa. Ele falava nisso imensas vezes e todos nós ansiávamos por esse dia. Infelizmente, nunca viria a acontecer.


Os Anos no Cinema

 

Sempre viajou com Elvis para fazer os filmes?

Viajei com Elvis para quase todos os seus filmes. Falhei alguns por motivo de doença na família. Eu, tal como a maioria dos rapazes, participei em muitos dos seus filmes como extra. Elvis tentava certificar-se de que todos nós trabalhávamos nos seus filmes. Gostava de ter os seus rapazes por perto. Confiava em nós.

 

Que recordações tem sobre o tempo em que trabalhava nos filmes? Foi divertido ou foi aborrecido?

Com Elvis, os filmes eram todos divertidos. Ele transformava tudo em bons momentos. Toda a equipa o adorava e eles eram sempre muito simpáticos para os seus rapazes (nós). Tivemos tantos momentos memoráveis nos estúdios!!

 

Lembra-se de quando Elvis começou a queixar-se sobre a qualidade dos seus filmes estar a ser cada vez pior?

Sim, lembro-me quando ele se sentia desencorajado com a qualidade dos seus filmes. Dizia que eram basicamente todos iguais. Queria papéis mais exigentes. Mas os seus filmes faziam dinheiro e o Coronel não queria mudar o formato.

 

Depois de Elvis regressar da tropa e de você ter casado com a sua mulher, Jo, como é que equilibrou os seus meses em Hollywood com o seu relacionamento em casa? Elvis entendia isso?

Ser casado às vezes não era nada fácil. Houve muitos dias e noites solitários até a Jo começar a viajar connosco. Quando era bom, era bom, mas quando era mau, era péssimo. No início nenhumas esposas tinham permissão para ir, mas depois, quando a Priscilla começou a andar para trás e para a frente, as esposas começaram a fazer o mesmo. E continuaram nisso mesmo depois da Priscilla se ir embora. Também levávamos os nossos filhos connosco, o que facilitava tudo muito mais. E depois, em digressão, andávamos quase sempre todos juntos. Elvis era mais compreensivo e também queria alguém com ele.

 

Alguma vez visitou os estúdios para estar presente nas sessões de gravação de Elvis? Alguma vez Elvis comentou consigo como achava as canções dos filmes horríveis – ou viu algumas das suas más reações em primeira mão?
Sim, estive com ele em muitas das sessões de gravação. A Máfia de Memphis estava com Elvis quase 24 horas por dia, pelo menos um ou dois deles. E, no início, viviam com ele.

 

Sei que esteve em Nashville para as sessões de Guitar Man com Jerry Reed. Elvis fez algum comentário ou apercebeu-se que estava outra vez a fazer música excelente, ou será que a sua ideia não mudou até chegar às sessões no American Studios?
Elvis gostou das sessões de Guitar Man em Nashville com Jerry Reed. Sempre achámos que fazia música fabulosa, fizesse ele o que fizesse.


Toda a gente sabe da visita que os Beatles fizeram para ver Elvis em casa, mas vocês esteve mesmo lá! Como foi essa noite para vocês – e porque motivo não ligaram um gravador?!
Quando os Beatles vieram, estávamos todos muito entusiasmados por ir conhecê-los. Mas não podíamos dar isso muito a entender a Elvis. Elvis sempre gostou de ser o “Evento Principal.” Todas as nossas esposas estavam lá. Os Beatles vieram até à casa de Elvis no 525 da Perugia Way, em Bel Air, e sentámo-nos todos a conversar.
Eles foram extremamente simpáticos. Tão terra a terra. Nunca hei-de esquecer aquela noite e sei que Elvis gostou muito deles. Os Beatles estavam entusiasmados por o conhecer e quando lá chegaram estavam todos um bocado para o calados, assim como quem está a tentar perceber como ele era. Elvis falou e disse, “Se vocês não vão dizer nada, vou para a cama.” Fartaram-se de rir. Isso quebrou o gelo e depois disso falaram durante horas. Foi uma boa reunião.

 

Depois da queda que Elvis deu antes de Clambake e da concussão subsequente, o Coronel exigiu que ele queimasse todos os seus livros espirituais. Também tentou distanciar-vos a todos de Elvis, tentando fazer de Joe Esposito o capataz. Será que pode descrever sucintamente o que aconteceu e como se sentiu acerca disto, sendo família?

Nessa altura estávamos em Rocca Place. Estávamos na sala quando Elvis veio ter connosco e nos disse, “Caí e bati com a cabeça. Acho que preciso de ver um médico.” Tinha um grande galo na parte de trás da cabeça. Por isso, quando caiu e fez a concussão, fiquei com ele noite e dia. Na altura sabia que ele estava danado com o Coronel sobre algo, mas ele nunca disse o que era. O Coronel tentou livrar-se de alguns dos rapazes, mas isso não teve qualquer efeito sobre mim. Elvis é que fazia as regras e tomava as decisões no que tocava a mim e à maioria dos rapazes. Éramos todos escolhidos a dedo por Elvis e ele sempre nos protegeu muito.

 

Há uma data de porcarias a serem publicadas sobre Elvis ser racista, algumas derivadas de uma citação falsa que foi publicada num jornal nos anos 50. Pode esclarecer de uma vez por todas se alguma vez viu Elvis a ser obviamente racista?

Elvis era sulista e, como tal, por vezes brincava. Mas Elvis tinha todo o tipo de pessoas a trabalhar para ele – negras, brancas, judias, italianas, mexicanas. Gregas… Elvis olhava sempre para a pessoa e não para a raça que pudesse ter.

 

As Raparigas de Elvis

 

Você tem uma idade muito próxima da idade de Priscilla, por isso, como era o seu relacionamento com ela quando ela chegou pela primeira vez a Graceland?
Quando Priscilla veio para Graceland pela primeira vez, era um bocadinho tímida. Mas acho que sempre nos demos bem.

 

Como é que a sua mulher, Jo, se dava com Priscilla? Eram boas amigas? Quando foi a última vez que Jo viu Priscilla?

Jo e Priscilla eram amigas íntimas nos primeiros tempos. Costumavam ir a sítios juntas enquanto nós estávamos fora da cidade e quando vinham até Los Angeles. Jo e eu ficávamos na casa de Elvis, com Priscilla. Elas iam às compras juntas e eram muito amigas. Em Graceland faziam muitas coisas juntas, juntamente com Patsy Lacker, a mulher do Marty. Marty e Patsy também viviam em Graceland na altura. As três ficaram muito amigas e a Jo e a Patsy ainda são amigas. Ficaram amigas até hoje. No entanto, a última vez que a Jo viu Priscilla foi depois de Graceland ter sido aberta ao público.

 

Poucas pessoas devem ter ouvido falar do namorico de Priscilla com o cantor Mylon Lefevre em meados dos anos 60. Pode falar-nos sobre isto, e se foi algo mais que um namorico?
Pelo que sei, ela só o conheceu. Não sei o suficiente para comentar sobre isso, pois nessa altura estávamos em Los Angeles.

O que achou de Ann-Margret, chegou a ver os dois juntos? Durante quanto tempo durou o seu relacionamento? Ela era a companheira certa para Elvis? Acha que Elvis chegou a pensar em deixar Priscilla para ficar com ela?
A Ann-Margret era maravilhosa! Não era possível conhecer pessoa mais simpática. Era tão doce e linda e Elvis adorava-a. Tinha uma alcunha para ela. A maior parte das pessoas pensa que é Rusty, mas não. Ele tinha um nome especial pela qual a chamava. Todos adorávamos a Ann. Acho que lhe passou pela ideia ficar com ela.

 

Como é que você e Jo se entenderam com Linda Thompson? Ela foi boa para Elvis?
Adorávamos a Linda Thompson. A Jo e a Linda eram amigas, juntamente com a Patsy Lacker. As três entendiam-se às mil maravilhas. Mas também a Linda dava-se bem com toda a gente. Foi ótima para Elvis! Cuidou sempre dele enquanto esteve presente.

 

Alguma vez tem notícias de Linda Thompson e ainda costuma encontrar-se com ela?
Já há um bom tempo que não falo ou vejo a Linda. Ela vive em L.A. e eu vivo no Mississippi, mas a Linda era ótima. Acho que toda a gente gostava dela.

 

O que acha de Ginger Alden? Acha que se teriam casado?
A Ginger sempre pensou que sim. Mas Elvis tinha uma forma de colocar as coisas. Ele dizia sempre “quando for a altura certa.” E depois ria-se… a altura nunca era certa. Não acho que se tivessem casado.


Na Estrada

 

O Dr. Nick é a pessoa mais famosa a culpar pelo problema de drogas de Elvis, mas haviam muitos outros médicos. Que opinião tem do Dr. Nick, boa ou má?
O Dr. Nick tentou ajudar Elvis. Elvis era uma pessoa com uma personalidade muito forte e fazia exatamente aquilo que queria, na maior parte dos casos. Na minha opinião, o Dr. Nick era bom.


Quando ia em tournée com Elvis, qual era a sua principal função?
Basicamente apenas fazer-lhe companhia e estar com ele. Nos anos finais, muitas vezes éramos só eu e ele. Eu era família e a pessoa mais próxima dele. Houve noites em que passámos horas e horas no quarto dele, só a conversar. Só eu e a Jo, com Elvis e a Linda.

 

Elvis alguma vez lhe sugeriu a ideia de viajar além mar? Acha que foi uma oportunidade perdida?

Claro, Elvis queria muito fazer tournées fora dos Estados Unidos. Mas o Coronel punha isso sempre de lado!

 

Então acha que o seu relacionamento com o Coronel mudou ao longo dos anos?
Acho que sim. No início eu admirava muito o Coronel. Tinha um olhar muito forte e olhos azuis perscrutadores. Via-se logo que era uma pessoa sob controlo. Quando fiquei mais velho, vi que as coisas começaram a mudar entre Elvis e o Coronel. Ele começou a embirrar com os rapazes, incluindo eu, para obter informações da nossa parte. O Coronel sempre gostou de mim e da minha família, mas a minha lealdade era sempre para com Elvis. Claro que já conhecia o Coronel desde miúdo.

 

Acha que ele estafou Elvis a trabalhar?
Elvis queria trabalhar, pois quando não queria trabalhar, arranjava alguma desculpa para o não fazer.


Então, quais são os concertos dos quais guarda excelentes recordações?

De todos!

 

Os Anos Finais

 

Visitou Elvis durante o período em que não estava a trabalhar para ele e esteve a cuidar do seu pai doente? Elvis podia falar consigo como “família”?

Visitei sempre Elvis quando ele estava em Memphis enquanto o meu pai esteve doente. Também fui a Vegas vê-lo e sempre pudemos falar sobre tudo. Falámos enquanto família e sobre a família. Acho que era por isso que éramos tão amigos… Sempre tivemos a família e os primeiros anos em comum. Elvis era uma forma de vida para mim, para a Jo e os nossos dois filhos. Às vezes foi difícil, mas também tivemos imensas oportunidades que nunca teríamos tido se não tivesse sido por Elvis. Adorámos ter feito parte do seu mundo. Sentimo-nos abençoados por termos estado com ele. E ele permanecerá para sempre nos nossos corações.

 

Como era da família, alguma vez conseguiu falar com Elvis sobre a sua tomada de medicamentos? E o que dizia ele?
Elvis não queria falar sobre o seu consumo de medicamentos, porque para Elvis, ele não tinha um problema. E também nos fazia logo saber que era melhor metermo-nos nas nossas vidas. Ele dizia a todos, “Sei o que é melhor para mim.”
 

Sabe porque motivo Vernon não se impôs perante o consumo de drogas de Elvis? Não teria sido ele a pessoa a quem Elvis teria dado mais ouvidos?
Não sei porque motivo o tio Vernon não se esforçou mais para fazer Elvis ver. Todos nós tentámos à nossa maneira, mas Elvis não queria mudar nada nessa altura. E tinha de ser ele a ajudar-se a si mesmo… e não o fez!

Em 1975 Elvis fez uma cirurgia plástica aos olhos no hospital. Acha que isso mudou o seu aspeto e é verdade que tentou convencê-lo a não fazer a cirurgia?
Sim, Elvis fez a operação e a Linda, a Jo e eu ficámos com ele no hospital. Sim, tentei mesmo convencê-lo a não fazer a operação. Ele não precisava daquilo, tinha um aspeto óptimo. Como se pode melhorar a perfeição? Até foi o próprio médico que lhe disse isso. Mas ele queria fazê-la e fê-la! Não acho que o seu aspeto tivesse mudado assim tanto.

 

É óbvio que Elvis depositava em si uma grande confiança. Consegue contar-nos a história de ele se meter na cama consigo e Jo para partilhar os seus pensamentos?
Muitas vezes metia-se na cama connosco em Graceland quando passávamos a noite no quarto da Lisa, ou em tournée no hotel, e na rolote na propriedade de Graceland. Por isso, sim, calculo que ele depositasse uma grande confiança em mim, como eu também depositava nele. Afinal, éramos três que ali estávamos a falar durante horas sobre tudo neste mundo! Às vezes ele tinha um pesadelo e vinha procurar-me para falar comigo e depois acabava por adormecer na nossa cama connosco. Isso aconteceu muitas vezes e não nos importávamos nada com isso. Sabia bem que ele me dissesse que precisava de mim por perto.

 

Quando se escutam as gravações das sessões feitas na Selva, uma vezes Elvis parece feliz e outras vezes em baixo. Do que se recorda destas sessões de gravação feitas em Graceland?
Acho que as sessões da Selva foram boas. Por algum motivo Elvis decidiu tocar baixo em Blue Eyes Crying in the  Rain e lembro-me de Elvis se rir quando o J.D. atingiu uma nota bem baixa em Way Down. Elvis divertiu-se nessas sessões.


Como foram as últimas férias no Hawaii?
Isso foi em março de 1977. Divertimo-nos imenso. Elvis pareceu estar a gostar muito. Mas apanhou com areia num olho e ficou com uma infeção, por isso tivemos de regressar a casa mais cedo que o planeado.

 

Que opinião tem do livro de Red e Sonny, Elvis: What Happened? Elvis falou-lhe sobre isso e tentou impedir a sua publicação?
Sim, li o livro do Red e do Sonny e contei a Elvis o que lá estava. Ele sentiu-se aborrecido com isso. Falámos bastante sobre o livro e ele não queria que fosse publicado.

 

Na última noite da sua vida, você jogou raquetebol com ele e depois ele sentou-se e tocou piano. Blue Eyes Crying in the  Rain foi a última canção que ele cantou ao piano? E ele estava bem disposto?
Elvis parecia estar lento e não na melhor das formas. Tentava fazer as coisas e manter-se ativo, mas não estava a conseguir. Às vezes Elvis ficava mal disposto, mas estava ansioso pela tournée que aí vinha. Na sua última noite, Elvis, Ginger, Jo e eu fomos para o edifício do raquetebol e jogámos um ou dois jogos. Ele estava muito bem disposto, mas não chegou mesmo a jogar nenhum jogo mesmo a sério. Na maior parte das vezes tentou foi atingir-me com a bola! Sentámo-nos à volta do piano e sim, ele cantou Blue Eyes Crying in the  Rain. Brincava e ria-se. Depois voltámos para casa. Fui para o andar de cima com ele e ajudei-o a preparar-se para ir para a cama. Ele abraçou-me e disse, “Adoro-te e boa noite… Esta vai ser uma tournée excelente!”

 

A Vida Depois de Elvis

 

Larry Geller refere que existe um testamento diferente – possivelmente escrito à mão. Ninguém consegue entender porque motivo Elvis não lhe teria deixado alguma coisa a si depois de todo o tempo que passou a cuidar dele. O que sente em relação a isto?

Sim, eu vi um testamento diferente. Elvis atualizou o seu testamento antes de ir para o Hawaii em março de 1977. Entregou-mo para que eu lho lesse em voz alta. Depois de ele morrer, a minha prima Patsy ligou-me para me perguntar se eu sabia onde estava esse testamento. O tio Vernon andava à procura dele. E disse-lhe! Elvis tinha-me dito a mim e à Jo que enquanto vivêssemos com ele cuidaria sempre de nós. E foi o que fez. E que se alguma coisa lhe acontecesse, tomariam conta de nós da mesma forma.

 

Depois de Elvis morrer você trabalhou como Guia Turístico em Graceland durante uns tempos. O que aconteceu ali e o que sente em relação a Graceland agora?
Sim, ajudei a montar a sala dos troféus e fui supervisor dos guias turísticos por uns tempos em Graceland. Mas eu não via as coisas como as pessoas que estavam a cuidar daquilo viam e eu não podia participar em algo que não me sentisse bem. Fui despedido – tentei telefonar a Priscilla, mas ela nunca devolveu as minhas chamadas. Uma vez cheguei a apanhar a Lisa, mas na altura ela não detinha o poder sobre nada. Não tenho boas recordações de toda esta experiência. Mas eles fizeram o que entenderam ser melhor. Graceland foi a minha casa durante muitos anos e adorava-a enquanto Elvis ali esteve. Era uma casa com uma grande sensação de pertença e amor. Depois de Elvis ter morrido, deixou de ser uma casa, e essas sensações também desapareceram.

 

O que acha da forma como Priscilla lidou com a gestão do Património após a morte de Elvis?
Acho que Priscilla fez um excelente trabalho. Fez imenso dinheiro!

 

E sobre a venda da parte operacional/marketing tha EPE para Robert Sillerman. Qual é a sua opinião, acha que isto é bom ou mau?
Não sei nada dos negócios de Graceland e realmente, nem me interessa. Tivemos Graceland durante os bons tempos e as recordações que tenho dela ficarão comigo para sempre. Tenho tantas. Toda a família, os fãs, os rapazes – não trocaria nada disso por nada neste mundo. Lembro-me quando nos mudámos para lá pela primeira vez. Eu achava que tinha ido para o Céu. A tia Gladys, os meus pais e irmão, todos os meus primos, Elvis, todos os meus muito amigos – divertimo-nos tanto. O Natal era sempre incrível. Elvis adorava Graceland e calculo que qualquer pessoa que tenha ali passado algum tempo, também a adorou.

Muitos fãs sentiram-se aborrecidos por você não ter sido envolvido no projeto Elvis By The Presleys. Eu acho que deveria ter sido intitulado Elvis By The Beaulieus. Alguma vez lhe falaram do projeto e o que achou do produto final?
Bem, tal como o Marty Lacker e eu dissemos quando falámos sobre isso, calculo que toda a gente queira ser a pessoa mais importante, mas não se pode contar uma história verdadeira sobre Elvis e Graceland sem incluir toda a gente envolvida. Quer se goste das pessoas envolvidas ou não! Os factos são factos e o facto mais verdadeiro é que muitos de nós fomos deixados de fora. Acontece o mesmo quando algum dos rapazes diz alguma coisa. Acho que toda a gente que esteve lá e representou uma parte do mundo de Elvis deveria ser apresentado para tornar tudo mais preciso – ou então, fica sempre a faltar qualquer coisa. Tal como falámos, houve sempre muita inveja, mas não sei porquê, porque toda a gente que ali estava ocupava um lugar especial. Mas cada pessoa conta agora a história como gostaria que tivesse sido e não talvez como tivesse mesmo sido.

 

Há sugestões de que já não fala com Lisa Maria há vários anos, isto é verdade? Se assim é, deve entristecê-lo – o que provocou isto? Para um estranho parece irreal, visto que passou tanto tempo com o pai dela.

Não, já não falo com a Lisa há muitos anos. Não sei bem porquê. Mas depois de ter sido despedido de Graceland, perdi o contacto com a Lisa e a Priscilla. Deve parecer louco, visto que passei a maior parte da minha vida com Elvis, antes de ele ter morrido.


Quando você se junta com os rapazes para falar sobre os velhos tempos, tal como fizeram em All The King’s Men ou para o programa mais recente da BBC The Elvis Mob, como é estar sentado num bar da Beale Street com quatro de vocês a partilhar recordações? Sentem-se como se fosse há 28 anos atrás, ainda é como uma “família”?

Quando nos juntamos todos (os rapazes), é ótimo. Um de nós começa a dizer algo e o resto já sabe o que vai ser dito a seguir. Todos os rapazes eram como família. Passámos mais tempo juntos do que com as nossas famílias. Conheci-os a todos desde que era miúdo e ainda permaneço próximo da maioria. Vejo Marty com mais frequência. Sempre fomos amigos, a Jo e a Patsy e os nossos filhos cresceram juntos. O Lamar, o Sonny e o Red, conheci-os toda a vida. Vejo alguns dos outros uma vez por outra. Sinto saudades daqueles que já não estão connosco e sinto saudades dos tempos que vivemos. A maior parte de nós tinha mulheres e filhos e éramos como uma grande família. Viajámos, trabalhámos e vivemos juntos durante muitos anos. A maior parte de nós permanece amigos até hoje e tudo isto por causa do nosso amor e respeito por Elvis.

 

Finalmente…

 

Teria feito alguma coisa de forma diferente? Tem alguns arrependimentos?

Acho que teria feito algumas coisas de forma diferente. Mas, acima de tudo, fizemos o que tínhamos de fazer naquele tempo e, acima de tudo, somos melhores por isso mesmo. Tenho alguns arrependimentos. Mas não teria perdido nada do que vivi por nada deste mundo.


Qual é a sua recordação favorita de Elvis, a que sempre lhe traz um sorriso ao rosto?
Oh, não seria capaz de escolher uma recordação favorita. Tenho tantas. Ficaria aqui para sempre só para responder a isso! Adorava o tempo que passávamos em casa, quando nos juntávamos todos para nos divertir e fazer as coisas malucas que fazíamos. Tudo o que fizemos se destaca!

 

Sonha com Elvis? Ele ainda fala consigo?
Às vezes sonho com ele e ele fala comigo a toda a hora de muitas maneiras. Não há um dia que passe em que não pense nele e em algo que ele me disse. E isso provoca-me um sorriso ou uma lágrima. Seja qual for, sinto-me grato!

 

Muito obrigado por retirar tempo da sua vida ocupada para responder a todas estas perguntas, sabe que os fãs apreciam muito este seu gesto. É um verdadeiro sobrevivente e um autêntico cavalheiro.

Muito obrigado por me ter feito as perguntas!
 

Fonte: EIN.

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