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ENTREVISTA COM LISA MARIE PRESLEY - 17 DE AGOSTO DE 2007


Legendas:
Lisa Marie e publicidade ao dueto de Lisa com Elvis, In the Ghetto.
 

Ela é filha do maior ícone musical, compositora por mérito próprio, mãe de duas crianças e proprietária de uma das maiores atrações turísticas do mundo. Lisa Marie Presley também é muito direta. Na semana do 30º aniversário da morte de Elvis – que ela comemorou filmando um dueto de In the Ghetto – partilhou com a Spinner as suas sinceras opiniões sobre a comercialização da música do seu pai, de como não gosta da jovem Hollywood e porque motivo não precisa que os fãs lhe façam lembrar como o seu pai era maravilhoso. 

Fale-nos sobre o trabalho envolvido no vídeo de In The Ghetto.
Quis servir-me deste aniversário para fazer algo bom. Por isso, primeiro escolhi a canção. Foi o David Foster que a produziu. Telefonei-lhe à última da hora e ele teve cerca de quatro horas para gravar uma faixa minha sobre a versão original – e que até ficou bastante bem. E quando foi feito em vídeo, quis o Tony Kaye (do American History X) para realizador. Ele é controverso; é porreiro. Ele estava em New Orleans a filmar e só tinha umas poucas de horas.
Por isso, fui até New Orleans.

E este video não foi apenas para marcar o 30º aniversário, também foi feito por uma boa causa.
Tudo isto – a canção, o vídeo – é para beneficência. O dinheiro proveniente dos downloads feitos na internet são para ajudar a construir outro Presley Place em New Orleans, que é um programa habitacional transitório que iniciámos em Memphis. As famílias vão para lá viver, adquirem ferramentas importantes de sobrevivência e orientam-se. Arranjam trabalhos... e depois, cerca de um ano mais tarde, saem quando conseguem suster-se por si mesmos. Este programa tem-se dado incrivelmente bem nos últimos anos, por isso quis expandi-lo. É algo pelo que ele (Elvis) se sentia muito interessado, pois foi mais ou menos assim que ele mesmo começou. E o Presley Place é perto de onde ele cresceu. Quis fazer isto (o vídeo) para utilizar em algo que fosse bom. Todos os dedos apontavam para New Orleans. Fui até lá para fazer o vídeo e olhei à minha volta quando saí do avião e a sensação que tive foi que o Katrina tinha acontecido apenas há 6 meses. Foi quando tudo encaixou. E todos os lucros – não é apenas uma porção – vão ser aplicados na construção de um edifício de habitação provisória em New Orleans. 

Achou as filmagens deste vídeo uma experiência emocional, sendo que estava cantar com o seu pai num ambiente que ainda estava a sofrer com os efeitos do Katrina?
Na manhã seguinte, ouvi a primeira versão gravada e não me consegui conter. E nunca chorei quando fiz fosse o que fosse – nunca.
Por isso, sei que está bem feito. É bastante orgânico. Não há sinos ou assobios – limitaram-se a acrescentar-me à gravação original. 


Legendas:
Lisa Marie com os seus pais, em 1968 e com a mãe, Priscilla, em 1970.

Que características a nível da personalidade acha que herdou do seu pai em oposição às que herdou da sua mãe (Priscilla)?
Ambos são pessoas com personalidades muito fortes. O humor herdei dele, sem qualquer sombra de dúvida. O senso comum e a força vêm dela. Não quero com isto dizer que ele não tinha nenhum senso comum ou nenhuma força – estou apenas a dizer que é ela que costuma pensar em tudo e resolver as coisas.

O que foi que o seu pai lhe ensinou sobre ser pai/mãe?
Ele andava sempre em tournée, por isso, não sei! Mas eu tinha um amor incondicional.


Descreva um dia típico em Graceland quando ia lá de visita em criança.

Tinha de me encaixar nos horários dele. Ele era uma pessoa notívaga, por isso eu dormia durante o dia para estar acordada durante toda a noite. E às vezes acordava antes dele e era uma selva, eu com os meus amigos. Ninguém tomava conta de nós – ficávamos malucos, a andar de carrinho de golf – fazíamos coisas loucas de miúdos.

Qual é a canção do seu pai que costuma ouvir quando sente necessidade de chorar?
Não há nenhuma específica. Se for uma daquelas noites em que estou com um grupo de pessoas e estamos só sentados a beber uns copos e ponho música dele, há uma forte possibilidade de eu me emocionar. Não consigo apontar nenhuma canção particular para que isso aconteça e certamente que não acontece com muita frequência. Tenho tendência a ouvir mais o material dos anos 70, pois foi durante esse tempo que eu cresci.

Li que uma sondagem da CNN feita há poucos anos reportou que 45% dos americanos da atualidade se consideram fãs de Elvis. E milhares de pessoas vão em romaria até Graceland todos os agostos para prestar homenagem – até mesmo 30 anos depois. Alguma vez se sente espantada com a popularidade do seu pai?
Não me sinto espantada. Sinto-me preocupada porque as nossas prioridades hoje em dia estão tão confusas e, na realidade, não alimentamos a cultura ou a tradição no nosso país. Não quero que as pessoas se esqueçam do facto que foi ele que iniciou tudo isto e que dantes não era nada assim. É importante que as pessoas tenham noção disso. Sei que os pais são fãs – mas o que pensa a nossa juventude? Não sei se eles têm noção alguma e se pensam que foi a Madonna ou o Jay-Z que deu início à música. De onde veio tudo? Quem foi que começou tudo isto? Onde foi que começou? É isso que me preocupa.

O mundo das celebridades de então em oposição ao mundo das celebridades de hoje em dia é claramente muito diferente. E você tem-se expressado bastante sobre como não gosta deste novo mundo televisivo de “espetáculos de realidade”, muito alimentados por Hollywood. O que é que a perturba mais acerca da cultura das celebridades de hoje em dia?
A moral. As nossas jovens ambicionam coisas que, na realidade, são coisas más que nunca deveriam ambicionar. E o pior é que glorificamos o mau comportamento na imprensa. Quando eu estava a crescer, fazíamos tudo para esconder esse tipo de coisa. O que quer que fosse que estivéssemos a atravessar, só queríamos era evitar parar na imprensa. Não queríamos que eles vissem os nossos erros. Não fazíamos publicidade aos erros para ter todos os paparazzi e os maiores servidores de internet do mundo a olhar para nós. Sempre evitei isso a todo o custo, e ainda o faço hoje. Mas agora parece que é uma liberdade para toda a gente. Sinto-me preocupada com a nossa juventude porque glorificamos os erros e damos-lhes demasiada atenção. As nossas jovens vão conduzir sob a influência de álcool ou drogas e vão ter problemas com drogas, bulimia, anorexia e vão mostrar partes dos seus corpos só para ficar famosas. 


Legenda:
Danielle Riley Keough.

Agora que a sua própria filha (Riley Keough, de 18 anos) começou a sua carreira de modelo e está ela mesma a tornar-se numa celebridade, que está você a fazer para a manter controlada e fora de problemas?
Não tenho de fazer muito. Ela vê as coisas como são. Tenho muita sorte por ela ter uma cabeça assim tão equilibrada.
É profunda. E ela também abomina todas essas coisas. Ela é uma ótima detetora de problemas. Nunca foi aquele tipo de miúda parvinha. Não tenho preocupações com ela. 

Como se sente quando vê algumas das canções do seu pai a serem comercializadas – como o atual anúncio “Viva Viagra”?
Acho revoltante. Não temos controlo sobre algumas canções. Sei que não autorizámos esse anúncio.


Sendo que o seu ex marido Michael Jackson detém os direitos sobre muitas das canções de Elvis Presley, alguma vez sentiu a inclinação de lhe telefonar para lhe pedir para ele parar com a comercialização dessas canções?

Não sei se ele detém os direitos sobre essa (ri-se). Mas se já pensei nisso?
Sim. Fico sempre danada. Se vejo algo meio maluco, chego a gritar, “Que raio vem a ser isto?” ou “Livrem-se disto!” 

Podemos esperar um novo álbum seu um destes dias?
Sim. Decididamente vou fazê-lo. Apenas tenho de descobrir qual é a melhor forma. Agora sou como uma tábua rasa, pois saí da minha antiga discográfica e ainda estou a tentar perceber qual vai ser o meu próximo caminho.
 

Quais são algumas das suas rockers femininas preferidas da atualidade?
De hoje? Isso é difícil.
Já não há mais rockers femininas! Posso falar-lhe de todas as que me inspiraram ao longo da minha vida, mas não das da atualidade. Acho que não há espaço para rockers femininas. 

Com exceção do video que vai fazer esta semana, sempre se sentiu relutante em fazer versões de canções do seu pai, preferindo em vez disso fazer nome por si mesma como artista por mérito próprio e compondo as suas próprias canções. Alguma vez se vê a fazer uma versão de uma canção de Elvis num dos seus álbuns futuros?
Há séculos que o podia ter feito. Sempre senti necessidade de seguir o meu próprio caminho e não andar montada naquilo que ele conquistou, que em nada se deve a mim. E o único motivo que me fez sentir bem a fazer este vídeo foi porque já tinha gravado dois álbuns. Agora as pessoas já sabem quem sou por  mim. Não estou a fazer isto para me auto promover de alguma forma. Faço isto por uma causa maior. A resposta é, muito provavelmente, não.
 

No que diz respeito à sua carreira, como é que o seu sobrenome a tem ajudado e como é que a tem prejudicado?
Qualquer nome pode ajudar-nos a abrir uma porta, mas isso não significa que pode ficar dentro da casa. Agora sinto-me completamente espantada como qualquer pessoa pode ser famosa sem ter feito nada.
Não tento ser assim. Nunca tentei ser assim. Sei que as pessoas agora tentam promover-se como se fossem marcas e isso é uma novidade e tudo bem. Dantes um nome podia ajudar uma pessoa e se ela tinha talento, podia ir longe. E se não tivesse, não ia a lado nenhum. Hoje em dia, pode-se ir longe sem saber fazer anda. E não consigo entender isso.

Quais são alguns dos maiores desafios em ser a proprietária e em manter Graceland?
Graceland é minha. 85% da empresa foi vendida há dois anos e o dinheiro que recebemos com essa venda voltou para a empresa que formámos. É um negócio bastante complicado. Basicamente, todo o dinheiro foi convertido em ações e para aplicar em coisas importantes do património – pode ser com o licenciamento, o marketing ou outras coisas assim. A minha mãe pertence à direção e toda a gente trabalha junta. O American Idol também está envolvido. Há um mal entendimento por aí, pois pensam que vendi a empresa, o que é ridículo. Na realidade, o dinheiro voltou para a empresa – para a nova empresa, que é muito maior. Tudo isto é uma intensa máquina em movimento.

Vê Graceland a ficar sempre na família?
Sim, toda a gente que já lá estava antes ainda lá está. A minha mãe está muito presente em todas as atividades diárias. Está tudo a funcionar muito bem.


Desde que o seu pai faleceu, há algo que tenha aprendido com os fãs sobre o seu pai? Posso imaginar que deva ser constantemente abordada por pessoas que lhe dizem o quão importante o seu pai é para elas.

Isso é bem verdade, mas eu já sabia. Sei muito bem como ele era sem precisar que ninguém mo diga.

Fonte: Spinner.com, 17 de agosto de 2007

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