« Regressar

ENTREVISTA COM JOE GUERCIO - 18 DE MARÇO DE 2005

  
Legendas: Elvis com Joe Guercio, no Las Vegas Hilton, em 1972; Joe Guercio.

 

Joe Guercio foi maestro da banda de Elvis durante os anos 70.

 

Fale-nos do seu primeiro encontro com Elvis.

Bem, o meu primeiro encontro com Elvis foi uma reunião de pré produção. Recebi um telefonema de Tom Diskin, que era associado do Coronel, e ele disse-me que estavam a pensar em me utilizar como maestro no espetáculo de Elvis Presley. Já alguém me tinha precedido no primeiro concerto. Perguntou-me o que é que eu já tinha feito, etc., etc. E quando eu lhes disse o que já tinha feito, já eles me tinham investigado por completo. Sabiam que tinha estado com Eydie Gormet e Steve Lawrence, que tinha feito alguns espetáculos da Broadway e todo o meu passado na televisão. E fui até L.A. para me encontrar com eles. E a primeira coisa escalada para fazer era That’s The Way It Is, o filme.

 

E demo-nos logo todos bem. Eu nunca tinha conhecido Elvis. Eles já tinham estado a ensaiar noutra sala há três dias. E estavam para lá a escolher músicas há três dias. A parte dos instrumentos de cordas, e que mais ia acontecer? Porque os arranjos já tinham sido escritos. Tinham lá tudo. Glen escreveu grande parte deles, bem como outros compositores, mas Glen fez a maior parte. E depois o Joe Esposito disse que Elvis tinha descido e tinha começado a cantar. E eu limitei-me a ficar ali sentado, a tentar sentir-me fascinado com aquilo. Depois, na primeira oportunidade, Joe Esposito diz, “Devia conhecer Elvis.” Por isso, não sei. Eu nunca tinha sido fã de Elvis. Essa era a parte difícil. Eu tinha origem num tipo de música completamente diferente. Não era mesmo nada um rocker and roller. Mas a partir do momento em que lhe disse olá, o carisma foi surpreendente.

 

E quando cheguei ao final do primeiro ensaio, acho que nesse espetáculo fizemos Just Pretend e outras coisas do género, nunca me tinha apercebido que ele cantava assim tão bem. Era um cantor fantástico. A minha mulher adorava-o, mas eu nunca tinha sido fã de Elvis. Mas foi nesse dia que comecei a ser. Demo-nos logo bem, foi isso que aconteceu.

 

O que lhe despertou mais a atenção em Elvis assim pela primeira vez?

Ele era autêntico. Não havia nada de falso naquele homem. Era mesmo autêntico. Era assim mesmo e isso era espantoso.

 

Conte-nos como foi a primeira vez quando foi em tournée com ele.

Bem, o nosso relacionamento nunca foi do género, “Olá, camarada”, já que muitas pessoas gostam de pensar que era assim. Mas não era assim. Já disse isto antes, havia grandes diferenças… quando ele estava dedicado ao seu espetáculo, havia o grupo dele. Mas ele tinha um grande respeito por todos nós sobre o palco. Também estava rodeado dos melhores. Tinha o Ronnie Tutt, não havia nenhum melhor. Jerry Scheff era o melhor. Todos eles, James Burton, Glen Hardin. E ele apreciava bastante o facto de eles estarem lá. E ele sabia do que eles eram capazes. Era um tipo diferente de… Será que isso faz sentido? Para mim faz. Era uma vibração diferente. E então ele falava com os outros grupos, outra pessoa do seu grupo imediato e havia logo ali um tipo de vibração diferente. Porque eles trabalhavam para ele.

 

Estávamos a falar sobre a banda de Elvis ser a melhor.

Bem, veja o que eles conseguiram fazer. E veja de onde todos eles vieram. Todos eles vieram de sítios que, como sabe, estávamos todos envolvidos no mundo da música. Não eram apenas músicos. Eram mais que músicos. Eram dos melhores. E fazer digressões com estas pessoas, sabe, púnhamos tudo a mexer. Todas as noites era um acontecimento.

 

Fale-nos de quaisquer incidentes engraçados que tenham acontecido entre si e Elvis.

Oh, a história dos berlindes. Isso remonta aos primeiros dois dias do compromisso. Sabe, naquele tempo nunca era um espetáculo fixo. Ele era capaz de lhe apetecer cantar uma canção qualquer e cantava-a. E era ótimo porque toda a gente que estava por trás dele pertencia ao seu grupo imediato. E esses eram Ronnie e toda a secção ritmo. Ele dizia, quero isto e aquilo e eles começavam logo a tocar. Bem, podemos dizer isso a cinco homens. Mas eu estava para li sentado com 32 músicos. Sabe? Mesmo quando eu estava mesmo a começar. Por isso, havia sempre algum reboliço. Vamos fazer isto e bum. E eu parava e… ou então a orquestra dele começava a tocar a introdução e a fazer o espetáculo e eu dizia de súbito, “Cá vamos nós, rapazes. É em Dó.” E eu começava naquele tom. Nas primeiras vezes que fiz isso, ele chegou a virar-se para reconhecer o meu gesto porque, sabe, não o deixávamos desamparado. Atirávamo-nos para a piscina, sempre um bocadinho atrasados, mas atirávamo-nos para lá com ele.

 

Houve alguém que veio ter comigo e me perguntou se eu gostava de trabalhar como maestro para Elvis Presley. Eu disse, “É como um berlinde que desce aos pulos por uma escada, sabe, tink, tink, tink.” Sabe? É uma coisa desse género. Foi isso que disse. E no dia seguinte, tentei abrir a porta do meu camarim. E ouvi um barulho estranho. Acendi as luzes. E havia berlindes espalhados pelo chão inteiro. Tinha berlindes em todos os bolsos da minha roupa. Tinha o lavatório cheio de berlindes até cima. Pude ver que ele deve ter mandado todos os seus escravos na noite anterior comprar todos os berlindes do mundo. E o sinal no espelho dizia, “Segue o berlinde. E.P.”

 

Isso foi bom.

Foi diferente.

 

Quase que me conseguia imaginar a orientar uma orquestra assim.

Eu deveria ter dito que trabalhar para ele era como seguir notas de dólar a voar pela janela. Não teria sido fantástico? Eu devia ter pensado nisso.

 

Lembra-se de muitas das celebridades diferentes que Elvis apresentava, presentes nos públicos?

Oh, sim. Há histórias engraçadas. Sammy Davis vinha muitas vezes. As noites de estreia eram sempre algo e tanto, pessoas como Cary Grant que sempre me espantava, visto que eram atores de cinema. Mas muitas mulheres lindas estavam no público. Sammy era um grande fã. Tom Jones era um grande fã. Ele respeitava imenso Tom Jones. Redd Foxx. Quando Elvis estava na cidade, nunca era só um concerto. Era um acontecimento. Sabe? Era uma experiência teatral. Mas também era divertido. E quando ele se dedicava, era capaz de pôr milhares de pessoas a comer da sua mão.

 

Houve algum momento especial com Elvis que se destaque na sua memória?

Não, há alguns momentos, mas prefiro falar sobre os momentos passados em palco. Dois dos pontos altos de sempre foram na primeira noite em que tocámos An American Trilogy em Atlanta, na Geórgia. Já a tínhamos tocado no Hilton. E correu muito bem. Até já a tínhamos gravado num álbum e tudo. Mas estando nós no coração da Confederação, quer dizer, em Atlanta, na Geórgia, fomos até ao Omni. Era suposto darmos dois concertos. Mas acabámos por dar quatro. E esgotaram todos. O Omni sentava 18.000 pessoas, sabe? Hoje em dia há um espetáculo que vai para a estrada. Eles fazem um concerto e ficam todos cansados. E têm quatro dias para descansar de intervalo até ao próximo concerto. Nós fazíamos quatro espetáculos em dois dias e às vezes cinco espetáculos em três dias. Mas estava a contar. Elvis começou a cantar An American Trilogy, que fizemos mais para o final do espetáculo. E James começou a introdução e Elvis cantou, “Oh, I wish I was in Dixie”. E agora quero contar-lhe uma coisa. Os gritos começaram a aumentar. Sabe, começaram a gritar, as pessoas começaram a levantar-se e todas a gritar. E todos os pelinhos, quer dizer, foi inacreditável… quer dizer, você entende, ficámos para ali durante 30 segundos, o que pode parecer um ano, até eles pararem, abrandarem e podermos continuar a cantar/tocar a canção.

 

A outra noite que lembro muito bem foi em Madison Square Garden. Quando ele surgiu sobre o palco, havia tantos flashes de máquinas fotográficas naquela arena, que houve momentos em que a arena ficou totalmente iluminada. E nós começámos com as luzes totalmente apagadas. E foi Nova Iorque que o pediu. E quando Nova Iorque quer alguém, é porque quer mesmo. Você sabe, Nova Iorque tem… É outro mundo.

 

E o outro ponto alto da minha vida com ele foi quando fizemos Aloha From Hawaii. Disse à banda antes de começarmos, disse assim, “Esta é a primeira vez que um espetáculo vai passar na televisão para todo o mundo.” E disse, “Somos os primeiros a fazer isto.” Foi um grande momento.

 

Tem outros momentos que recorde de Aloha From Hawaii?

Oh, Aloha From Hawaii foi simplesmente… Bem, as pessoas havaianas… acho que porque ele lá fez uns poucos de filmes, foram fenomenais. Mas a excitação de sermos os primeiros, sabe? Quando dei o sinal para começarmos era como se fosse a primeira vez que o fazia. E isso estava a ser visto em todo o mundo na televisão. Foi uma estreia mundial. Quer dizer, e que estreia, se é que me entende.

 

Tivemos uns poucos de momentos divertidos sobre o palco. Ele adorava cantar It’s Now Or Never. E eu disse-lhe numa noite, “É uma canção italiana, pá. Porque é que não a cantas com a letra certa? E sabes bem que é O Sole Mio. Não é It’s Now Or Never.” E então divertimo-nos um pouco com isso. De cada vez que ele cantava It’s Now Or Never, obtinha sempre aquele olhar dele de lado. Agora canta It’s Now Or Never. Você sabe, eh-eh-eh, esse tipo de coisa. Numa noite peguei numa panela vazia… e pus um chapéu de cozinheiro. Eu tinha uma panela e estava sentado por trás de Ronnie Tutt. Isto é humor entre os elementos de uma banda.

 

Houve alguns momentos no espetáculo com Sean Nielson durante O Sole Mio?

Não, eu estava demasiado ocupado a ver como o Sean se vestia naquele tempo. Mas se alguém algum dia me dissesse que isto iria continuar como continuou. Sabe, já passaram anos e estamos aqui sentados a falar sobre Elvis Presley. Sabe, é espantoso. E agora vou em digressão com Elvis The Concert, o que é ainda mais espantoso. Lá vamos nós. O público dele na Europa, 15 a 20 por cento são pessoas com menos de 30 anos. Há por aí algo de totalmente novo a crescer.

 

É quase como se Elvis andasse em tournée consigo outra vez.

Bem, andamos mesmo em tournée com ele. Sim. É um grande espetáculo. Já o viu? É mesmo bom.

 

Tem algumas recordações particulares do CBS TV Special?

Do CBS TV Special? Esse não foi um dos seus melhores especiais. Foi o Dwight e o Gary que fizeram este espetáculo e foram fenomenais como realizadores e produtores. Não, não gostei mesmo nada desse espetáculo. Foi como se fosse o final. Sabe? Estávamos mesmo a chegar ao final de tudo.

 

Lembra-se quando ele chegou por trás de si e lhe deu umas palmadinhas na cabeça?

Bem, você sabe, naquele tempo havia alguém a quem dar palmadinhas.

 

Quais são as suas impressões sobre o Coronel Parker?

Nunca tive nenhum problema com o Coronel. De facto, nem sequer estava muito envolvido com o Coronel. E nunca tive problemas com ele. Comecei a conhecer melhor o Coronel depois de Elvis ter morrido do que antes. Eu moro em Buffalo, em Nova Iorque. E os meus pais, quando estávamos a trabalhar em Buffalo, convidávamos o Coronel para nos visitar…. E se essa fosse a primeira paragem da sua viagem, o Coronel diria, “Vocês vão partir connosco dois dias mais cedo.” E eu dizia, “Oh, isso é fantástico, sabe? Uma forma de começar a tournée.” E iam até lá buscar-me. Eu era diretor musical no Hilton. Foi assim que tudo começou. Eu trabalhava para o Hilton. E o Coronel fez as coisas de modo a que eu pudesse continuar a trabalhar para o Hilton, mas quando era preciso sair, fazia o que eles queriam. O que quer que fosse que o Coronel queria, ele obtinha. Porque era Elvis que estava por trás das coisas. E ele dava a ganhar muito dinheiro ao hotel naquele tempo.

 

Você disse que aprendeu imenso com o Coronel.

Sim, a partir da forma como ele fazia as coisas. Ele esgotava sempre todos os bilhetes dos concertos. Tínhamos três concertos marcados, mas ele nunca deixava ninguém saber que haviam três concertos marcados. Um dos concertos esgotava, depois esgotava um segundo e até um terceiro.

 

Ele sabia como movimentar o produto. Você sabe, o merchandising naquele tempo era imenso… haviam imensas t-shirts. E quando as começaram a vender? Lembro-me de um incidente, em que imensos produtores piratas nos andavam a seguir, sabe? E então toda a gente queria mandá-los prender, pois vendiam mais t-shirts do que nós. E então o Coronel mandou chamar estes fulanos. Eram todos de Nova Iorque e Long Island. O Coronel mandou-os chamar e empregou-os, fez com que eles fizessem parte do negócio e eles começaram a vender produtos como ninguém acredita.

 

De outra vez estávamos em Atlanta. E sei que acabaram-se os cachorros quentes e era um domingo. Quando me apercebi, tinham encontrado um armazém Walgreens ou algo parecido e os rapazes andavam a pôr crachats naquelas coisas, sabe, “Elvis Agradece” ou lá o que quer que escreviam neles. E não haviam mais cachorro s quentes. Só conseguiram um monte de ursos de peluche. E andavam a vendê-los. E então acrescentámos a canção Teddy Bear ao espetáculo.

 

Super souvenirs de Elvis.

“Super souvenirs de Elvis.” Chegou alguma vez a falar com Al Dvorin? O Al era algo e tanto. Espantava-me sempre. Ele aparecia sempre no final porque vendia-os na bilheteira, onde eram vendidos. Ele entrava e o Al é vegetariano. E o Elvis bebia sumo de maçã, mais sumo de maçã, mais sumo de maçã. Quer dizer, até a um ponto que o Al só dizia, “Meu Deus, tanto sumo de maçã.” De cada vez que ele entrava num restaurante, era com o Glenn. Levantávamo-nos sempre muito tarde, mais do que o resto do pessoal. E ele também aparecia muito tarde. E nós dizíamos, “Espremam um pomar,” porque o Al Dvorin tinha acabado de entrar. “Senhoras e senhores, espremam um pomar.”

 

Do ponto de vista pessoal, que significado tem Elvis para si?

O que significa ele para mim? Vejamos. Pessoalmente, ele significa imensas boas recordações. É isso. Pessoalmente, o que ele fez por mim foi colocar-me em contacto com pessoas que nunca teria conhecido, visto que vêm de variadíssimas camadas sociais. Ele juntou pessoas como as Sweet Inspirations, os Stamps, sabe, quer dizer, éramos uma família. Ele afastava-se de tudo quando estávamos com ele. Mas ele pôs-me no palco com 20 das pessoas mais profissionais com quem jamais trabalhei. E as recordações e divertimento que tivemos são mais que muitos. Nunca teria compreendido o Sul dos Estados Unidos sem Elvis Presley na minha vida. Sabe, cresci num mundo totalmente diferente. São as recordações. São mesmo as recordações. E ele abriu-me a mente para imensos tipos diferentes de música. Aqui estou eu, com a idade que tenho e estou a ganhar a vida a tocar rock’n’roll. Conheço muitos amigos que estão à espera que as grandes bandas voltem a estar na moda. Mas isto fez-me ver as coisas de outra forma.

 

Legenda: Elvis com Joe Guercio, no Las Vegas Hilton, em 1972.

 

Então, ele mudou a sua vida de certas formas.

Oh, sim, ele mudou muito a minha vida de imensas formas.

 

Você disse que as Sweet Inspirations costumavam ensaiar aqui?

Oh, sim. Bem, é na sala lá de cima, a sala da música. E elas desciam. Sentávamo-nos. Fazíamos medleys juntos. Eram elas que abriam o espetáculo aqui em Vegas. As raparigas paravam tudo. Era algo digno de ver. Uma vez fizemos um espetáculo com um medley de Billie Holiday quando o filme estava na moda. Fizemos um medley com músicas de Stevie Wonder. E outro com músicas de Elvis. Sim, fizemos isso tudo.

 

E então que tal é voltar a trabalhar com toda a gente outra vez?

Você não gostaria de regressar 25 depois para fazer o que fazia exatamente há 25 anos com as mesmas pessoas? É como se… hoje falei com um senhor de um jornal de Zurique. Porque vamos fazer uma tournée pela Europa. E ele perguntou-me, “E então, qual é a sensação?” E eu disse, “A sensação?” E ele, “De regressar. Teve de se reajustar?” E eu respondi, “Regressámos aos palcos depois de termos estado mais de 20 anos afastados. Quando estávamos a tocar a segunda canção, sentimo-nos como se há três noites atrás tivéssemos acabado de dar aquele concerto em Indianapolis.” Foi fácil voltar a começar.

 

E o que tem a dizer do concerto no Hilton? Houve alguma tensão ou algo do género?

Na noite em que aconteceu pela primeira vez? Bem, acho que só posso dizer que me senti muito feliz por não estar a usar o fato branco. Isso posso eu dizer. Mas deu que fazer aos guarda costas. Podiam estar ali a fazer o que tinham de fazer. E era tipo ameaça de bombas, sabe. Muitas das ameaças não passavam disso. Mas diziam que tinha havido uma ameaça de morte. Eu nunca me ralei com isso. Não me afetou em nada.

 

Quando Elvis estava sobre o palco, você era de alguma forma capaz de captar as canções que ele ia começar a cantar?

Começava tudo de uma certa forma e sabíamos. Mas de vez em quando, ele dizia o título de uma canção. Por isso, o que eu fazia era uma lista das canções. E depois ao lado… eu tinha extensões de madeira contraplacada perto dos suportes dos violinos. Era desta largura e púnhamos as músicas assim para as podermos encontrar. Porque não era possível ter muitas pautas num concerto. Se íamos dar um espetáculo para dançar, todas as pautas estavam numeradas, tipo 42. Mas depois fazíamos a 63. Nessa altura, era assim que fazíamos. Estávamos a fazer o nosso espetáculo e se ele pedisse uma canção, eu tinha sempre umas 12 pautas adicionais guardadas de lado. E quando ele pedia algo que não estava na lista, lá íamos nós.

 

Onde estava quando soube que Elvis morreu?

Oh, esse foi um dia estranho. O Marty, o meu baixista e baterista era como se fosse um assistente de maestro, sabe. E ele era capaz de orientar o espetáculo. Costumávamos sempre sair com a mesma banda. Por isso, fui eu que fiz todos os espetáculos da Ann-Margret que deu aqui naquele tempo. Ela estava para chegar e ela ia estrear no dia em que ele ia estrear em Portland, no Maine. Por isso, podia perfeitamente trabalhar para a Ann-Margret na estreia dela e dois dias depois trabalhar na estreia de Elvis. E mal organizámos o espetáculo dela, tive de me ir embora, porque a banda vinha do exterior de Vegas, vinham de avião de L.A. E tínhamos um avião alugado à Holiday Airlines. Organizei toda a banda, os instrumentos de sopro e precursão. Nessa noite a Ann-Margret ia estrear. Eu estava com a minha mulher. E fomos até ao centro comercial Boulevard Mall, porque eu queria comprar um laço. Entrei na loja e uma rapariga disse para outra que Elvis tinha morrido. Eu disse, “O que quer dizer com isso, de Elvis estar morto?” Ela disse, “Oh, sim. Acabou de dar na rádio. Foi encontrado morto, blá, blá…” Tentei ligar para o Hilton. E lá acabei por conseguir falar com Bruce Bankey e disse, “O que se passa?” Ele disse, “Sim, vem daí que já te ponho ao corrente.” Fui para o Hilton e descobri o que se tinha passado. E isso… fazer aquele ensaio para a Ann foi… Porque a Ann e Elvis eram amigos íntimos. Até tinham feito um filme juntos. E fui de avião… assisti ao funeral.

 

O Jackie foi ter comigo a L.A. Entrámos num avião e fomos para Memphis. E depois chegou a Ann-Margret e ela tirou o dia. E a noite também. E foi assim. Regressámos. Ela tinha alugado um avião. Eu regressei com ela. Mas as pessoas dizem, “O que é que sentiu? O que é que sentiu? O que é que sentiu?” E a minha teoria, se é que existe semelhante coisa, é que algumas pessoas não nascem para chegar a velhas, sabe. E já disse isto antes. Não consigo imaginar a Marilyn Monroe uma mulher velha. E não consigo imaginar Elvis ou James Dean ou Rudolph Valentino velhos, ou quem quer que seja que queiramos colocar nessa categoria. Acho que é isso. Foi o que teve de ser e foi assim.

 

E não orientou nada no funeral de Elvis?

Oh, sim. Orientei os Blackwood Brothers e o J.D. e os Stamps, que estavam por trás do caixão, a cantar How Great Thou Art. E foi muito triste, sabe, realmente muito triste. Porque tínhamos a sensação que ele era um verdadeiro rapaz do campo. E foi assim.

 

Depois de todos estes anos desde que ele morreu, o que acha que é tão único acerca de Elvis que o faz ser diferente de todos os outros artistas?

Acho que ele foi o modelo original, Elvis Presley. Não havia nada de Broadway em Elvis. Ele era o que era. Era autêntico. E marcou o ritmo. Levou-nos até a um lugar. Deu-nos um novo ritmo e uma nova forma de caminhar nesta área de negócio. Isto faz sentido para si? Ele deu início a todo um conjunto de coisas novas. Toda a gente imita Elvis. Elvis não imitava ninguém. Ele limitou-se a pegar em algo que estava do outro lado da cerca e a trazer esse algo consigo, por forma a que as outras pessoas pudessem entender o que era.

 

Fonte: EWJ.

« Regressar