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ENTREVISTA COM ANITA WOOD - 26 DE AGOSTO DE 2001

   
Legendas: Anita com Elvis nos anos 50 e Anita, nos dias de hoje.

Andrew Hearn, da Essential Elvis, fala com a ex namorada de Elvis dos anos 50:

 

O ano passado um sonho para mim tornou-se realidade quando tive a oportunidade de conhecer uma das namoradas sérias de Elvis, Anita Wood. Foi Lamar Fike que me apresentou a Anita, que estava em Memphis de visita a velhos amigos, e ela concordou falar comigo, pela primeira vez, sobre o seu romance com Elvis. Muito embora estes dois quase tivessem casado, pois namoraram a sério durante vários anos, Anita acabou por casar com uma personalidade do futebol, Johnny Brewer. Agora ela dá aulas numa escola cristã do Mississippi.

 

“1961 foi a primeira vez que vi a Anita. Divertíamo-nos imenso quando ela estava por perto, vocês nem imaginam. Ela tinha um sentido de humor maluco, tal como o Elvis. Era uma senhora maravilhosa e todos nós gostávamos muito dela. Ficámos todos muito desiludidos quando soubemos que não deu certo.” - Sonny West.


Porque é que esta é a primeira vez que fala sobre o tempo que passou com Elvis?

Na realidade não dou mesmo entrevistas, porque às vezes fico muito triste quando penso na morte trágica de Elvis. Ele ainda devia estar aqui connosco e isso perturba-me. Por isso limitei-me a ficar em casa, no Mississippi, com o meu marido, os meus três filhos e os meus seis netos.


Fale-me sobre o seu primeiro encontro com Elvis.
Fui até ao programa Dance Party do Wink Martindale, que era a um Sábado, para os adolescentes, onde o George Klein trabalhava. Antes de o conhecer, eu não era fã de Elvis, mas era disc-jockey e passava os seus discos. Bem, num Sábado em particular, o Lamar Fike telefonou-me e disse que o Elvis gostaria de me conhecer. Eu disse-lhe que lamentava muito, mas já tinha um compromisso para aquela noite. E expliquei que não podia desiludir o meu acompanhante. Disse que Elvis não gostaria se o caso fosse com ele e que eu lamentava muito.

 

Umas semanas depois o Lamar voltou a telefonar e disse que Elvis queria marcar um encontro e se eu estava livre naquela noite. Na altura eu estava a morar com uma senhora que eu tinha conhecido, a Miss Patty, que se transformou numa figura maternal para mim e disse ao Lamar para pedir a Elvis que me viesse buscar a casa e marcámos uma hora. Quando ele chegou no seu Cadillac, era ele que vinha a conduzir. Mandou o George Klein até à porta, o que foi um grande erro, pois a Miss Patty disse-lhe que lamentava muito, mas Elvis teria de vir ele mesmo até à porta se é que queria um encontro.

 

Lá fui para o Cadillac, onde estava o Lamar e uns poucos de outros rapazes. Limitámo-nos a andar de carro, a rir e a conversar, a divertirmo-nos. Elvis ficou com fome e parámos para comprar uns hamburgers.


Fomos até Graceland, onde me lembro de ver um monte de ursos de peluche na sala-de-estar. De súbito, Elvis disse, “Quero mostrar-te o meu quarto” e subimos até ao andar de cima. Ele começou a beijar-me. Bom, este era o nosso primeiro encontro e as mãos dele começaram a mover-se para sítios onde eu achava que não deviam estar, por isso disse, “Acho que agora quero ir para casa.” Ele foi muito simpático, voltámos a descer e ele levou-me a casa.


E no segundo encontro?
O segundo encontro foi duas noites depois e voltámos a ir até Graceland. Na altura Elvis ainda tinha um velho camião e metemo-nos nele e ele levou-me até Lauderdale Courts para me mostrar onde costumava viver. Levava-me a passear por Memphis inteira e nunca ninguém nos incomodava porque realmente não o conheciam dentro daquele camião. Voltámos para casa dele, vimos televisão, comemos e divertimo-nos, depois Elvis levou-me a casa.

 

Quanto tempo ficou com Elvis até ambos se aperceberem que estavam realmente apaixonados um pelo outro?

Bem, na realidade nunca cheguei a ter um namorado mesmo a sério porque os meus pais eram muito rígidos. Não tinha permissão para sair com rapazes. Depois, quando fiz 19 anos, conheci Elvis e ele foi realmente o meu primeiro namorado. Sempre disse que Elvis foi o meu primeiro amor, mas Johnny é o meu verdadeiro amor. Nos dois meses seguintes Elvis e eu vimo-nos muitas vezes. Num desses encontros, ele levou-me a casa e enquanto estávamos no alpendre, ele disse, “Little, acho que me estou a apaixonar por ti.” Foi amoroso, carinhoso e fez-me rir.

 

Quais são as recordações que guarda do tempo em que Elvis foi para o Exército?

Quando Elvis foi chamado pelo Exército eu tive de ir para Nova Iorque durante 13 semanas para trabalhar no programa de variedades de Andy Williams. Mas antes disto, Elvis levou-me até Killeen, no Texas, onde estava posicionado. Na altura a mãe dele não se andava a sentir muito bem e eu gostava imenso dela. Ela e eu costumávamos falar com muita frequência sobre o tempo em que Elvis e eu nos casávamos e em que teríamos o nosso primeiro menino, o que a fazia muito feliz. Mas seja como for, ela ficou mesmo muito doente e uma manhã ele telefonou-me para me contar que ela tinha morrido. Fui de carro até Graceland e lá estavam o Sr. Presley e Elvis sentados no alpendre, os dois tão tristes. Na altura não pude sentir muita empatia por eles, porque na altura eu ainda não sabia o que era perder um pai ou uma mãe. Quando acabei por perder o meu pai, falei com Elvis para o fazer saber que agora sabia como ele se tinha sentido.

 

Depois disso passei algum tempo com Elvis na base de Fort Hood com a sua família. Elvis estava moreno e com um aspecto maravilhoso. Não tinha o cabelo pintado, não era muito curto, mas curto o suficiente, tinha um aspecto incrível. Ia até lá e era como um encontro normal, mas os rapazes tinham de estar connosco o tempo todo, mas eu gostava deles, a sério que sim. Íamos até Waco visitar alguns amigos e divertirmo-nos um pouco.

 

Como foi para si quando Elvis partiu para a Alemanha?

Não foi mesmo nada bom, pois a Sra. Presley já não estava cá e haviam montes de mulheres e namoradas à volta dele. E eu sentia-me apreensiva.

 

Lembra-se da última coisa que Elvis lhe disse antes de se ir embora?

Se me lembro do que ele me disse? Sim, lembro, ele disse, “Amo-te, Little”.


Sei que Elvis lhe comprou um Ford de 1957 e lhe deu um anel de diamantes antes de ir embora?

Ele deu-me muitas coisas, mas nunca lhe pedi nada, pois amava-o. O anel foi a primeira coisa que ele me deu e agora é a minha filha que o tem e o usa até hoje. Dei o carro ao meu irmão quando me casei e dei alguns brinquedos e jóias que ele me tinha dado às minhas damas de honor. Calculei que o meu marido não iria gostar de me ver trazer estes objectos para o nosso casamento, prendas que tinha recebido de outro homem. Eu não gostaria que ele o fizesse, por isso dei tudo, excepto o anel.


Tem algumas fotos de Elvis que ainda não tenhamos visto?

Sabe? Tenho uma de Elvis quando ele veio até à casa da Miss Patty. Estávamos os dois parados a conversar lá fora quando a foto foi tirada. Tenho algumas fotos, mas ele não queria que os jornais soubessem como o nosso relacionamento era sério, por isso, nunca tirámos muitas fotos.

 

Com toda a sinceridade, porque motivo não se casaram vocês?

Elvis disse-me que o Coronel Tom Parker tinha dito que não porque se ele casasse, ficasse noivo ou algo do género, com o tipo de carreira que tinha, não precisava desse tipo de publicidade.

 

Como é que acabou por saber de Priscilla?

Eu estava com Elvis quando ele estava a filmar um filme em 1962 e uma vez, quando ele foi para o estúdio, eu fiquei em casa. Estava no quarto dele à procura de uns livros na biblioteca e dentro de um deles estava uma carta. Abri a carta e era de Priscilla. Deixe-me que lhe diga, fiquei furiosa, porque ele nunca me tinha mencionado outras mulheres. Quando o interroguei sobre a carta, ele ficou aborrecido e disse-me que era apenas mais uma carta de amor de uma fã qualquer. Tivemos uma grande discussão, ele agarrou-me e atirou-me de encontro a um armário.

 

É óbvio que as coisas devem ter ficado difíceis a partir de então. Como é que finalmente acabou?

Uma tarde ele e eu estávamos sentados na cozinha, acho que ele estava com o Alan Fortas e eu vinha a descer as escadas. De súbito ouvi Elvis dizer, “Estou a ter uma grande dificuldade em me decidir por uma das duas.” Aquilo magoou-me, eu entrei na cozinha e disse apenas, “Bem, vou eu decidir por ti,” e fui-me embora. Não ia continuar ali naquela situação. Elvis veio atrás de mim e disse, “Rezo a Deus para que estejas a tomar a decisão correcta” e eu disse-lhe que não tinha qualquer importância e já não fazia diferença nenhuma. Elvis ficou aborrecido e o Sr. Presley começou a chorar. Elvis não parava de tentar meter-me dinheiro na bolsa e eu nem sabia o que se estava a passar. Foi muito difícil, mas nunca mais regressei.

 

Alguma vez chegou a ver Elvis em Vegas, durante os anos 70?
Uma vez fui a Las Vegas com uma amiga e dei de caras com o Joe Esposito, o George Klein e o Lamar, que disseram, “O Elvis vai actuar esta noite. Se quiseres vir, guardo-te um lugar lá à frente.” Por isso falei com o Johnny sobre o assunto, que tinha estado connosco na noite anterior, e disse que não via problema algum em eu assistir ao concerto. Então, tive um lugar lá mesmo ao pé do palco e quando Elvis entrou, estava maravilhoso. Viu-me lá e muitas das canções que cantou, foi a olhar para mim. Quando o espectáculo acabou, o Charlie Hodge veio ter comigo e disse-me que Elvis gostaria de me ver nos bastidores. Fui vê-lo e abraçámo-nos durante muito tempo antes de ele dizer, “Little, pensei muitas vezes se não teremos cometido um erro,” e eu disse, “Não, Elvis, não cometemos erro nenhum. Tu não terias a Lisa e eu não teria os meus filhos e o meu marido.” Foi a última vez que o vi, mas voltei a falar com ele mais tarde quando o meu pai morreu, como já lhe disse antes. Quis dizer-lhe que sabia como ele se sentira quando a sua mãe morrera, mas naquela altura a sua voz pareceu-me tão lenta e profunda.

 

Qual é a sua recordação mais preciosa de Elvis?
Tenho muito boas recordações, mas o momento em que ele me deu o anel na Califórnia foi um momento especial. Ele deu-mo no nosso hotel, no exterior, e foi realmente tão doce, que fiquei deslumbrada.


Resumindo, que tal um pensamento final?

Custa-me a acreditar que vocês todos ainda o amam tanto e quem me dera que ele pudesse estar aqui agora. Estaria a rir-se connosco, pois tinha um excelente sentido de humor.

Fonte: Internet.

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