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ENTREVISTA COM LISA MARIE PRESLEY - 27 DE ABRIL DE 2003

   
Legendas: Lisa Marie, com a sua entrevistadora, Dianne Sawyer. 

Introdução por Liz Hayes: Decididamente ela é a menina do papá. A filha única de Elvis Presley, um lembrete vivo do Rei. Aqueles olhos, aquele sorriso, aquele “quê” que faz com que ambos pareçam selvagens e feridos ao mesmo tempo… ela tem tudo isso. E aos 35 anos, Lisa Marie Presley ainda é uma criança selvagem e não se arrepende nada disso. Totalmente frontal acerca do seu bizarro casamento com Michael Jackson e outro casamento ainda mais tempestuoso com Nicolas Cage. Mas depois de anos de rebelião, Diane Sawyer descobriu que Lisa Marie finalmente saiu por de sob a sombra do seu pai e descobriu que tem uma voz só sua.

 

Passámos uma vida a olhar para ela e nunca a conhecemos realmente. A tímida filha do Rei do rock’n’roll. E agora, num gesto espantoso, a rapariga que apenas conhecíamos pelas fotos está finalmente a falar por si. Aos 35 anos, tem um novo álbum, o seu primeiro. Intitula-se To Whom It May Concern. Estás um pouco nervosa?

Sim, muito. 

 

Não é surpreendente, quando és a filha de Elvis Presley. Mas para toda a gente que se interrogava se ela tinha voz, bem, agora já podem ouvir. Esta é a sua resposta. Mas não conseguimos evitar de pensar que ela se parece com Elvis. Tu vês isso?

Sinceramente, sim, vejo que sim… mas não é algo que eu tenha tentado fazer. Mas às vezes dei por mim a pensar, “Oh, meu Deus!” E às vezes fazia algo e pensava, “Para com isso, o que é que estás a fazer?” Mas também não é algo contra o qual eu tente lutar, mas é algo que consigo ver com muita clareza.

 

Graceland parece-te outro mundo à parte ou ainda te parece a tua casa?

Graceland é como uma cápsula do tempo. Nada mudou, não se tocou em nada. É assim um pouco triste, pois em tempos existiu ali uma vida, e uma história, e havia tanta vida naquela casa. Mas ainda a considero muito, muito a minha casa, quando lá estou.

 

Então como é o pai que tu recordas?

Apenas um pai muito especial… Lembro-me dele como o meu pai, mas ele era um pai muito excitante.

 

Já disseste que o ouvias a descer as escadas com jóias.

Sim, os colares dele. E andava sempre a cantar.

 

E queria que cantasses? Alguma vez…

Oh sim, ele até me acordava para cantar a meio da noite, “Salta para cima da mesa e canta.”

 

Então como era o teu horário diário quando estavas com ele?

Ia dormir às 4 da manhã – ia para a cama entre as 4 e as 5 e levantava-me entre as 2 e as 3 da tarde.

 

Comes as famosas sandes de banana fritas com manteiga de amendoim?

Santo Deus, isso nunca vai acabar. Não, isso não passa de… de um pesadelo que nos persegue. Nunca o vi comer uma sandes dessas, para ser muito sincera consigo, e só há pouco tempo é que comi uma. Dei uma dentada para experimentar há cerca de um ano.

 

Até mesmo agora, quando ela ouve o pai cantar, algo parece reluzir no seu rosto. Algo que te transporta para a menina de 4 ou 5 anos de idade que adorava o seu pai reluzente, mas se sentia medo das sombras por detrás das luzes. Preocupavas-te com ele?

A toda a hora. A todo o instante.

 

O que é que dizias?

"Não morras.” Sabe, coisas assim. Do tipo, “Vais morrer?”, e era capaz de dizer isto a meio de outra coisa qualquer que estivesse a dizer. E ele… “Não, não vou para lado nenhum, não me vai acontecer mal nenhum, não te preocupes.”

 

Ela recorda o tempo passado com ele como sendo mágico. Ele alugava um avião só para a levar a ver neve ou alugava um parque de diversões inteiro para ela poder andar no carrossel. Sentias-te luxuosa?

Sabe, com ele não. Porque as coisas vinham-lhe do coração mais do que outro sítio qualquer… Estou num avião e só penso, este homem ama-me.

 


Legendas: Lisa Marie com os pais, quando nasceu; com poucos meses e na companhia do pai, com 4 anos.

 

Ele até gravou canções de ninar. Mas conforme o tempo foi passando, a sua doce filha foi-se transformando num tipo de criança selvagem. A tua mãe é rebelde?

Nadinha. De todo. Não, somos como água e vinho, ela e eu. Eu sou do tipo agressivo… sou o completo oposto dela. Eu quebrei com todas as barreiras sociais que ela impôs a si mesma. Sou muito pouco solicitada, muito crua, não me controlo no meu discurso e no meu comportamento. Ela é uma pessoa linda, sabe, e fala de forma muito suave e muito doce… e eu sou assim, como um touro numa loja de porcelana.

 

Muito embora nada do que Lisa Marie Presley pudesse fazer à sua mãe pudesse igualar-se a isto. Muito bem – e o Michael Jackson?

Oh, meu Deus.

 

Michael Jackson!

Pensei que fosse perguntar-me isso primeiro. Estava com esperanças que já se tivesse esquecido.

 

Porque é que casaste com o Michael Jackson?

Okay, posso dizer, bem…

 

O que é que estavas a fazer?

Hum, deixe-me, deixe-me agora… é que tenho tentado perceber isto. Não tenho pensado muito nisto, no que iria dizer e apenas calculei que qualquer coisa me sairia da boca para fora. Okay, antes de mais, ele foi muito rápido a… logo na primeira vez que o vi, sentou-me e disse, “Escuta, não sou homossexual. Sei que pensas isto e que pensas aquilo,” e começou a praguejar e a ser, no fundo, uma pessoa normal. E eu só pensava, “Uau!” Deixei-me fascinar por isso e fui logo puxada para o seu mundo. Do tipo, “Uau, és tão mal interpretado. Oh, meu Deus, és apenas este homem.” Caí de todo no jogo “Minha pobre coisinha incompreendida, vou salvar-te.” Caí nisso. Apaixonei-me por ele, apaixonei-me mesmo.

 


Legendas: Lisa Marie com Michael Jackson, quando tudo ainda estava bem; e no dia do seu casamento, com Nicolas Cage; com Nicolas Cage.

 

Apaixonaste-te?

Sim, na altura apaixonei-me. Agora…

 

E atração sexual?

Já lhe respondi a isso uma vez, e tudo o que disse foi verdade.

 

Atração sexual?

Na altura. Sim.

 

O que é que a tua mãe disse?

Ela telefonou-me e disse, “Oh Lisa, tenho helicópteros a sobrevoar-me a casa e estão a dizer-me que te casaste com o Michael Jackson.” E eu fico… fico muito calada e ela diz, “Não te casaste, pois não?” E continua, “Casaste?” E eu respondo, “Sim, casei.” E depois eu gostava daquele jogo. Tchiii! A mãe não gostou, vamos a isto!

 

Ela não sabia que te ias casar?

Não, não, foi muito rápido, do tipo fugir e fazer tudo muito depressa.

 

E chegaram a viver juntos?

Sim.

 

Eu não acreditei nisso.

Bem, vamos colocar as coisas assim: se ele estivesse na cidade, ficava na minha casa.

 

E isso acontecia com que frequência?

Não sei. Começou a ser cada vez menos mais para o final.

 

Mais uma vez, vais ficar com vontade de me bater com esta pergunta, mas tenho de voltar atrás. Então estas eram noites do tipo românticas?

Mmm, mmm, sim. Não me lembro muito bem dos pormenores, mas sim. Quer dizer, era tudo muito normal. Nunca me casaria se não fosse assim.

 

Por volta da altura que Lisa Marie Presley casou com Michael Jackson, supostamente Jackson estava a ser tratado de uma dependência de analgésicos. Também estava sob vigilância. Tinha andado a ser investigado de uma acusação de molestação de menores, feita por um rapaz de 12 anos. Jackson chegou a um acordo com a família, supostamente pagando milhões de dólares e os seus defensores implicaram que foi uma vítima de extorsão.

Nessa altura já era amiga dele, já havia algumas coisinhas românticas um pouco antes disso ter acontecido. Então era do género, eu era a única pessoa a quem ele telefonava, e sentia-me privilegiada, sabe? Que ele confiasse em mim e me contasse o que tinha acontecido. E foi muito convincente e nessa altura acreditei nele, sempre.

 

Mas ela diz que a sua mãe olhou para a altura em que ocorreu o casamento e tentou fazê-la ver outra coisa.

Isso era o que a minha mãe estava a tentar fazer-me ver, do género, “Olá, estás acordada? Não vês que isso pode ser uma coordenação ou feito para coincidir com outra coisa?” E eu não via isso, era jovem. Quer dizer, parecia um bocadinho suspeito, mas ao mesmo tempo sei que ele me amava, sabe, tanto o quanto ele era capaz de amar alguém. Eu acho que ele amava mesmo.

 

O que queres dizer com amar tanto o quanto era capaz de amar alguém?

Apenas quero dizer que amou-me tanto o quanto foi capaz de fazer nessa área. Não é algo que ele esteja habituado a fazer, a ter relacionamentos com mulheres, sabe? Sempre foi do tipo de homem solitário, toda a sua vida.

 

Como é que acabou? O que aconteceu?

Azedou tudo, muito depressa.

 

Foste tu que pediste o divórcio a Michael?

Sim.

 

E como lhe disseste, acabou-se tudo?

Foi ao telefone. Já estava farta. Na altura estavam a acontecer muitas coisas. Ficou mesmo muito feio no final. Não foi nada bonito, mas não quero falar sobre isso.

 

Ele opôs-se a dar-te o divórcio?

Não, ele… limitou-se a engravidar outra pessoa, certo? Para ter um bebé. Era o que ele queria. E pareceu adaptar-se a essa ideia bastante depressa. Sabe? Não percebi nada.

 

Isso abalou a tua confiança?

Sim, nessa altura precisei mesmo que me viessem varrer do chão.

 

E depois tiveste 108 dias de nitroglicerina nupcial com o ator Nicolas Cage… um relacionamento tão tempestuoso que supostamente ela atirou com o seu anel de noivado de 65.000 dólares para o oceano. Estavas mesmo apaixonada?

Por qual deles?

 

Pelo Nic Cage?

Sim, estava.

 

Tudo bem, mas atiraste com um anel de 65.000 dólares para o oceano borda fora um cruzeiro?

Não atirei.

 

Ai, não?

Não, não fui eu que o atirei. Foi mesmo parar à água, mas não fui eu que o atirei… e foi mais que 65.000 dólares!

 

Okay, então atirou-o ele.

Não disse isso, disse apenas que não o atirei. Mas sinceramente estávamos a brincar, a pensarmos que éramos a nova versão do milénio de Richard Burton com Elizabeth Taylor. Quer dizer, achávamos que nos íamos entender por completo.

 

Porque casas com eles se é para ser assim?

Sabe o que é? Sinto-me atraída por artistas. É isso. Gosto quando alguém abala as coisas, quando são diferentes. Não sei porquê, nunca hei-de saber, mas é por esse tipo de pessoas que me sinto atraída.

 

Haverá alguém por aí a dizer, “Ela é doidinha”…

Claro.

 

Quer dizer, como é que lhes explicas isso?

Digo-o em voz alta e com muito orgulho, sou completamente louca.

 

E já descobriste porquê?

Hum, meu Deus… não. Não, acho que quando descobrir posso parar e isso vai ser muito aborrecido.

 

E diz ela que a criança selvagem finalmente cresceu. Já não vão haver mais aventuras maritais impulsivas. Mas, quer dizer… será que dizes para ti mesma, “Quantos mais destes vou fazer?”

Bem, será que isto que está no meu dedo responde à sua pergunta?

 

O que é isto? Mal posso … (ri-se)

Isto são duas alianças e estão no meu dedo anelar.

 

Gostavas de dizer a toda a gente o que está escrito nas alianças?

Não posso.

 

Não, obrigada.

Pois. Agora é assim que faço.

 

É como se tivesses uma marca no teu dedo para te lembrar…

Exatamente.

 

Então, por dentro, quantos anos tens?

Doze. Caramba, respondi rápido, não foi?

 

Muito embora os seus filhos tenham agora 14 e 11 anos, no álbum também há uma canção para eles. Chama-se So Lovely e tem uma parte que diz, “Não façam o que eu faço.”

Também escrevi isso nas minhas letras. Fui eu que escrevi essa canção, “Não façam o que eu faço.” Por favor, meu Deus, não permitas que eles… mas, seja como for, não sei. Acho que é um problema de ADN ou algo do género, não sei. Mas os meus próprios filhos me diziam, “Mãe, para com isso,” sabe? Eles são…

 

Oh, a sério?

Oh, sim!

 

Acerca de quê?

Porque me comporto como uma adolescente e normalmente eles dizem-me, “Para.” Calculo que não seja como a maioria das mães.

 

Então o que é que queres que as pessoas mais digam acerca deste álbum?

Que foi bom, que foi sincero, e que na realidade até tenho um pouco de talento que é só meu.

 

Daqui a cinco anos, diz-me o que é um dia perfeito para ti.

Não é preciso muito para que seja um dia perfeito para mim. Desde que não haja nenhum divórcio pelo meio, estou bem.

 

Fonte: 60 Minutes Australia, 27 de abril, 2003

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