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VELHOS HÁBITOS E TIQUES DE ELVIS


 

Esta é uma boa altura para vos contar acerca de alguns dos pequenos hábitos de Elvis, para que quando eu vo-lo descreva noutros artigos ou histórias, possam visualizá-lo ou “vê-lo” mais facilmente. Até posso acrescentar algumas coisas a esta lista mais tarde, mas decidi partilhá-la hoje.

 

1. “É a Sério”: Ele tinha uma expressão quando tinha algo para CONTAR (teria dado um péssimo jogador de poker) que fosse assunto ‘sério’. Se estivesse de pé, virava-me as costas, ou olhava para outro lado qualquer, se estivesse sentado ao meu lado. Na maior parte das vezes, isso acontecia quando me estava a fazer uma pergunta e tinha receio da minha resposta.

 

2. Tornozelos e Pés Saltitantes: Sei que a maior parte de vós sabe da sua ‘perna esquerda que abanava’, mas na realidade, eram as duas pernas que abanavam quando estava sentado e as tinha cruzadas. A perna de cima ficava cruzada em cima da outra e o seu pé baloiçava a partir do tornozelo, por isso, se estivesse sentada ao lado dele, tinha de ter cuidado para ele não me bater com o pé. É que ‘abanavam’ rápido e com força. (Acaba de me ocorrer que este é outro motivo que o levaria a ser um terrível jogador de poker. Sabe-se lá onde poderiam ir parar as peças do jogo).

 

3. Dedos em Movimentos Rotativo: Antes de um concerto ele, claro, estava sempre mais nervoso... quer estivesse sentado no hotel à espera para ir para o auditório ou a andar para trás e para a frente nos bastidores. (Como um tigre enjaulado, costumavamos nós dizer). Para os concertos, usava mais jóias. Se usasse anéis em todos os dedos, agitava os dedos em movimentos rotativos. Isto não era apenas por causa do nervosismo. Prefiro chamar-lhe “excitabilidade-prestes-a-atuar” que todos os artistas têm, mas também era para manter aqueles anéis pesados nos devidos lugares em cada dedo. Os pensos sob cada anel eram uma “necessidade” para impedir que os fãs os puxassem. Elvis chegou a ficar com marcas de arranhões que se inflamavam e/ou infetavam, provocados pelas tentativas desesperadas dos fãs para os remover. (O meu próprio colar “TLC” foi-me arrancado por uma fã que fingiu querer um autógrafo durante a primeira semana em que o usei, tirando-me o fio de ouro sólido para sempre e arrancando-me o fecho, enquanto o tentava tirar do meu pescoço para guardar de recordação. A parte de trás do meu pescoço ficou com uma marca durante dias. Quem me dera que tivesse apenas pedido para o ter... mas acho que também não lho daria dessa forma).

 

4. O Sorriso “Uh-Oh”: A dados momentos, ele tinha um sorrisinho particularmente contagioso acompanhado de um olhar brilhante diabólico que lhe dava o ar de “Sou o Gato que Acabou de Comer o Canário”. E sim... quando qualquer um de nós notava aquele sorriso, sabíamos que alguma coisa ia acontecer. O mais provável era que um de nós... ou todos nós, estivéssemos prestes a ser alvos de uma “partida”.
 

5. “UM ESTUDO PROFUNDO” (uma frase muito usada): Quando estávamos a ler ou a discutir tópicos importantes, ele usava a frase, “Fiz um ‘estudo profundo’ sobre isto.” E acreditem-me! Ele já tinha feito uma data de “estudos profundos” muito antes de o ter conhecido. O seu Q.I. era extremamente elevado para qualquer pessoa que o tivesse, e muito mais ainda para um homem que se auto educava. Lia incessantemente e tinha a qualidade mais importante que qualquer pessoa bem educada deve ter... uma curiosidade insaciável.

 

6. “O Que é Isto? Um Novo Hábito”: A dado momento no tempo, ele começou a fazer um som de “relógio” depois das frases. Não consigo começar a datilografar o som que tinha. Era uma espécie de língua a bater no céu da boca que às vezes criava um som tipo “toc” e, ao mesmo tempo, ficava como que alojado no fundo da garganta. Isto agudizava o seu som de imitação de arma quando apontava o seu dedo indicador para enfatizar algo que nos estava a contar. Este hábito desapareceu depois de um curto período de tempo. O mais provável foi ele ter ouvido outra pessoa a fazê-lo e apanhou o jeito. Interroguei-me sobre aquilo, mas não lhe perguntei onde o “apanhou”, pois era natural para qualquer ser humano apanhar hábitos e pronúncias quando se está exposto a eles. John Wilkinson começou também com este hábito depois de ouvir Elvis a fazê-lo, mas perdeu-o ao fim de uma semana. É assim que os seres humanos aprendem as línguas, adquirem sotaques regionais, tal como a pronúncia particular dos estados sulistas (cada estado ou região nos Estados Unidos tem um sotaque diferente), expressões, etc. Acontece mais em atores/atrizes, pois têm a capacidade de imitar qualquer coisa de forma natural. O Charlie, Elvis e eu tivemos mais do que uma conversa sobre a nossa imensa dificuldade e NÃO tentar responder a uma pessoa com um padrão estranho de diálogo. Podia ser muito embaraçoso, pois a pessoa a quem estivéssemos a responder poderia talvez pensar que estávamos a fazer troça dela. E uma pessoa “apanha” padrões de discurso estranhos de forma tão fácil! “Impedi-me” conscientemente de fazer este som tipo relógio. Não seria muito atraente ou senhoril e sabia que se começasse a fazê-lo... depois teria dificuldade em o abandonar.
 

Isto faz-me lembrar de um hábito de Elvis que adquiri mesmo e que está gravado no meu cérebro e que sempre foi impossível para mim abandonar. Quem me dera conseguir. Põe-me maluca! Vejam o número 7, em baixo.

 

 

7. Hábito de cinema “MUDEM AS BOBINAS!”: Obrigada, Allen Black, por me recordares disto! (Todos vós no Facebook têm-me lembrado de coisas que nunca me iria lembrar a não ser que tivessem escrito algo que me despertou a memória). Os filmes não eram digitais nos anos 70. Era tudo em “bobines”. Sempre que o símbolo de “mudança de bobine” aparecia no ecrã do cinema no canto superior direito... (é um ponto circular de tamanho algo considerável), Elvis gritava sempre em ALTO e bom som, “Mudem as Bobinas!” E depois contava... oh... quatro... cinco segundos... até o símbolo circular desaparecer. É claro que isso também foi “notado” por Elvis. Se estivesse sentada ao lado dele, seria cotovelada pelo menos, duas vezes. Sinceramente, nunca tinha reparado naquilo antes e, que diabo... quem me dera não reparar agora. Até mesmo nos filmes digitalmente tratados de hoje em dia, consigo notar quando misturam filme de bobine com filme digital. Arrrrrgh! Normalmente perco uma ou duas falas do argumento porque estou à espera que apareça o segundo círculo! Sim, às vezes praguejo... e rio-me... de Elvis, por causa disto. Quando tento evitar ver aquilo e fico a contar os segundos até aparecer o segundo círculo, dou por mim a perder falas do diálogo, pois tento antecipar o aparecimento do raio das coisas para me certificar de que não as vejo. Claro que isto tudo é ridículo. Tinha de parar imediatamente com aquilo, pois seria apenas outro elo na ligação circular deste hábito irritante. Mas o que posso eu fazer para PARAR com este hábito? Estão a ver... pode mesmo ser interminável, pois o melhor é eu aceitar o facto que vou reparar para todo o sempre nos símbolos de “Mudança de Bobines”. Oh, meu Deus, espero que vocês também não comecem a vê-los para sempre depois de ler isto!

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