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QUANDO NOS CONHECEMOS, PARTE 3

 

Enquanto Elvis me apresentava a alguns dos elementos da banda e uns poucos dos seus “rapazes”, foi chamado por alguém; “Elvis, estão à tua espera!” Ele tinha o camarim cheio de gente, que esperava para o ver, amigos e umas poucas de celebridades e murmurou, “Dão-me licença, por favor? Tenho de ver estas pessoas e depois trabalhar um pouco na finalização do filme. (Era a última noite de That’s The Way It Is). Lamento não te conseguir apresentar a todos, mas aqui o Charlie e o Felton tomam conta de ti.” “Não, não! Estou bem! Não te preocupes nada comigo, a sério! Vai lá!” repliquei eu, fazendo-o saber que não me importava nada e, claro, ele precisava de ir. Enquanto ele se apressava ao virar da esquina, lembro-me de abanar a cabeça e pensar como era invulgar ele sequer tentar dar-se aquele trabalho. Estava habituada a cuidar de mim, a encontrar os meus próprios caminhos, e mesmo nada habituada a que alguém se preocupasse que fosse apresentada a outros colegas de trabalho. Charlie Hodge fez um lindo sorriso enquanto se apresentava e acrescentou, “O que quer que precises, é só dizeres-nos.” Nos sete anos seguintes, viria a chamá-lo “Sir Charles” com muita frequência, tornou-se um amigo íntimo e encontrei um verdadeiro génio neste homem. Enquanto me virava para observar o local, Millie aproximou-se e conversamos um bocadinho. Ela ia a caminho de casa, muito agradável, sempre a sorrir e cordial. Ela disse-me uma coisa em específico de que me recordo muito bem porque fez questão de o sublinhar. “Oh!... E se tiveres uma hipótese de subir até à suite, VAI! É tal e qual o cenário de um filme lá em cima!” “Irei, obrigada, se tiver essa oportunidade! Faça uma boa viagem até casa... E uma rápida recuperação da sua cirurgia.” Enquanto ela saía, Felton agarrou-me e encaminhou-me até ao meu camarim. Abriu-me educadamente a porta e depois entregou-me a chave. “Aqui tens! É todo teu!” Era um camarim pequeno, mas com boas dimensões e tinha mais do que espaço para o que precisava, e também era seguro, e podia ali deixar maquilhagem e roupas. Fiquei particularmente entusiasmada com o grande espelho e a excelente iluminação. “Muito espaço junto da bancada e duas cadeiras! Ótimo.” E era muito perto dos camarins de Elvis e das Sweet Inspirations e na mesma área de três elementos da banda. Mesmo do outro lado do corredor ficava um grande ponto de recriação! Hurra! Mesa de bilhar, mesa de ténis, adorava ambos. E uma área de estar, com um altifalante que me informaria de quando era chegada a altura de ir para o palco... quando Elvis ia... o que era cerca de uma hora depois do espetáculo começar. Também me sentia aliviada quando me recordava da conversa telefónica que tivera com Tom Diskin (o braço direito do Coronel Parker) antes de sair de Los Angeles. “O que devo vestir?” perguntei-lhe. “O que queiras! És um grupo de um elemento… uma solista, por isso, fica à vontade para vestires o que quiseres.” Isto era mesmo invulgar. Normalmente raparigas de apoio vocal vestiriam um vestido preto simples ou um fato que os produtores nos disponibilizavam. Tinha trazido alguns vestidos e fatos que me tinham sido oferecidos depois de ter participado em alguns programas televisivos. “Há aqui uns poucos do programa Skelton que acho que poderão servir nestas duas semanas,” pensei. Sim, eu era um “grupo de um” e uma trabalhadora independente. Assim não estava cingida a nenhumas regras de “deve usar roupas com as mesmas cores do resto do grupo”. Enquanto me dirigia de novo para o meu quarto de hotel, passei pelos camarins de Elvis e das Sweet Inspirations, com esperanças de conhecer as raparigas, mas o pequeno e apertado corredor entre os camarins estava a abarrotar de gente e não consegui vê-las, por isso segui para ouvir o máximo de gravações que conseguisse antes de dormir. E rezei ao céu enquanto seguia pelo corredor e ia para o meu quarto que pudesse pedir para me entregarem comida antes do dia seguinte. Ainda iria passar uma longa hora até conseguir algo mais do que um sinal de impedido, mas lá consegui fazer uma encomenda e esperei um pouco mais de uma hora até comer o meu jantar. O sol estava a nascer quando acabei de comer e decidi dormir um pouco e preparar o mais que podia mais para o final do dia.                                                       

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